Hominis Patternum #2: O processo é lento, rápido e lento novamente

por - 11:03

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O processo de gravidez da minha companheira foi relativamente tranquilo. Consigo lembrar de dois desejos que ela teve. Um deles foi um sanduiche do Burguer King chamado “Mafioso”, que tinha um comercial bacana na TV. Infelizmente ela não conseguiu realizá-lo. Moramos um pouco distante da lanchonete e pasmem, quando conseguimos ir por lá não estava saindo nenhum sanduíche. A chapa estava com defeito! Depois disso, quando tentamos de novo, a promoção com o tal Mafioso tinha acabado e o sanduba nem existia mais. Ou seja, não deu. Pelo menos o Téo não nasceu com cara de hambúrguer!

O segundo desejo foi alguma coisa relacionada a doce ou fruta e rolou de conseguir, não me lembro especificamente o que foi. Talvez algum sorvete, mas lembro que rolou numa boa. Esse lance de desejo deve ser bem mais psicológico do que qualquer outra coisa e com certeza só surge após os três primeiros meses de gravidez.

Ah, minha mulher passou por todo aquele processo chato de enjoos, vômito e perda de peso nos três primeiros meses do período gestacional. Nem parecia que estava com outro ser dentro dela de tão magra. Por sinal, deixo claro aqui que isso é bem assustador visto de fora. A ideia que passa é de que tem um parasita dentro da pessoa, já que todo o processo é bastante penoso. E por causa dos problemas, esse período passa tão lentamente que parece um eterno agosto.

Depois disso, vem a fase boa. O segundo trimestre da minha mulher foi incrível, a barriga cresceu rapidamente e por nossa escolha resolvemos não saber o sexo do bebê, o que causou diversos protestos em nossas famílias e alguns apoios de amigos. Por conta de não saber o sexo, as pessoas começaram a dizer que “barriga redonda é menina”, “barriga alta é menino”. Também aconteceram muitos sonhos na família. Várias mães Dinah dizendo que tinham sonhado com menino ou menina ou com alguma coisa que a faziam crer que era do sexo X ou Y.

O principal problema de não saber o sexo é o tal do enxoval, uma invenção consumista que inventaram pra você gastar dinheiro comprando todas as roupas de um mesmo modelo ou cor. Idem para montar o quarto do neném, “qual vai ser o tema?”, alguns diziam. “Devo comprar roupas azul, rosa, verde ou branco?”. O mais interessante disso tudo é que eu sou do sexo masculino e uso rosa numa boa. Sendo assim, não entendo esse sexismo com as cores. Na real, se a roupa é bonita e funcional, vai ficar bacana em qualquer criança ou pessoa. Este é o meu conceito de moda, o que deixa minha irmã bastante decepcionada.

Bom, com relação as cores chegaram em algum consenso natural por escolherem as neutras ou unissex. Eu entendo o fato de nos prepararmos para o que está por vir, mas como saber se o seu bebê vai obedecer a ordem da indústria que diz que aquela roupa é pra recém-nascido ou crianças até os três/ seis meses? Téo não tem nem três meses ainda e já existem roupas que não cabem mais nele.

A mãe fica super empolgada nesta boa fase do segundo trimestre, cheia de planos e pensando em todas possibilidades possíveis e em quantas roupas o neném precisa ter. Além disso o tema do quarto parece ser alguma coisa imprescindível para a vida da criança. Não ouse questionar porque, esta é a dica que eu daria para qualquer pai de primeira viagem. O melhor é entrar na onda e dizer se curte mais o verde tom escuro, claro ou médio. Não tiro o mérito da diversão que é este momento, na real, foram os melhores momentos do processo de vida de Téo antes de conhecermos ele visualmente.

Até que chegou o terceiro trimestre, com ele toda a ansiedade do "estamos quase lá, mas ainda não chegamos" aparece e o processo volta a ficar bem lento. Então começamos a pensar fixamente em como seria o parto, que nesse momento já tinha roteiro (que logicamente não foi seguido, porque quem manda é o bebê). Nane (apelido da minha mulher) estava enorme, a mobilidade era um problema, nossa cama é no chão, pois achávamos legal assim. Lógico que isso virou um problema, já que ela tinha que levantar várias vezes para ir ao banheiro urinar, toda a pressão causada pelo bebezão que já era o Téo.

Mobilidade é um lance complicado, eu tentei ao longo do processo fazer com que minha mulher se movimentasse o máximo possível. Idas ao parque para andar, idas ao Recife Antigo passear eram pensadas e as vezes realizadas. A dica aqui é insistir, porque isso foi muito bom para a recuperação pós-parto da minha mulher. Além disso, é sempre bom ter bastante paciência e auxilio de pessoas mais experientes. Minha sogra ter vindo para cá foi imprescindível para as coisas não desandarem.

Nos últimos três meses Téo era uma realidade tão gritante que falávamos com ele frequentemente. Talvez até mais do que agora que ele é presença constante e palpável. Li alguns livros infantis para Téo na barriga da mãe, sempre a noite e antes de dormir. Além dos livros com desenhos, também li o Hobbit e A Volta ao Mundo em Oitenta Dias. Foi um dos momentos mais emocionantes do processo de gravidez para mim. A barriga da minha mulher, ou seja nosso bebê, saltitava e empurrava deformando todo o barrigão, tal qual um alien. Parecia que o menino iria sair dali a qualquer momento só em começar a ler para ele, de tão agitado que ficava ao ouvir minha voz.

Com a escolha pelo parto normal, o que nos restava era esperar a hora que ele quisesse vir ao mundo. E aqui abro espaço para falar do principal problema de todo processo gestacional para minha pessoa. O acompanhamento médico profissional. Nosso plano de saúde não é dos melhores, mas a cesária (cirurgia e não parto) parece o processo natural de gravidez da maioria da classe médica obstétrica. Não vou falar que todos pensam assim, porque seria injustiça de nossa parte. Alguns médicos que tivemos contato nas vezes em que fomos no susto à emergência de nosso plano (coisa de pais precavidos ou de primeira viagem) eram totalmente a favor do parto normal.

Existe uma norma do sistema de saúde brasileiro na atualidade que diz que o parto normal deve ser a primeira escolha de toda gestante e de TODO PROFISSIONAL DA ÁREA DE SAÚDE, mas quem quer perder tempo, não é mesmo? Mesmo o parto normal sendo mais barato para o hospital, plano e inclusive contando com toda ajuda da natureza, ele não era uma verdade dos médicos do plano que mais cresce no Brasil. Outro problema que passamos com as consultas foi o longo período de espera, que eu não vejo como adequado para uma gestante. Seja pela condição física dela, pela mental ou simplesmente pela estrutura dos consultórios. Poucos banheiros para várias gestantes é impensável. Não existir uma lanchonete por perto também, já que alimentação é importante para mãe e para o neném.

Eis um ponto em que considero que falhei durante o processo. A alimentação. Não faltou comida, mas não sei se pensei na qualidade dos alimentos e se todas as proteínas estavam por lá, tanto que hoje em dia a mulher toma ácido fólico durante boa parte do processo gestacional. Precaução ou falta de alimentação adequada? Acredito que um pouco dos dois.

Ao fim, Téo nasceu de parto normal, na manhã de um sábado chuvoso, depois de quase doze horas de trabalho de parto. O período de gestação durou mais de nove meses, o que provavelmente ajudou no fato de Téo ter nascido todo formadinho, expressivo e sem cara de joelho.

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