Os raios de sol na rua Albuquerque Lins

por - 12:36

RacismonoBrasil

Os raios de sol a escorrer pelas arestas das folhas
Na rua Albuquerque Lins
Acolhem o dia
Como as gotas d’água da limpeza
Nos vasos sanitários em cadeiras de rodas
Empurrados por enfermeiras Negras assalariadas
Empurrando as cadeiras de rodas sanitárias
De seus empregadores velhos e Brancos
Brancos e ricos
Brancos e possuidores de afecções neurológicas
Brancos ricos e Negros pobres

Os raios de sol a dissolver arestas de podres árvores
Na rua Albuquerque Lins
Compõem paletas nas telas da rua
Como merdas a escorrer analmente
De cachorros com seus donos Brancos

Brancos que tem medo de socialização canina
Brancos que açoitam seus cães como enfermeiras Negras
Brancos que enfeitam seus cães como Prostitutas pagas
Prostitutas que recolhem toda a merda dos Brancos
Brancos que não recolhem merda quente saída do rabo
De seus cães.

Os raios de sol a esconder sombras depressivas
Na rua Albuquerque Lins
Relatam dissonantes histórias
Como as palavras desconexas de seus Bêbados
Bêbados miseráveis massacrados pelo cartesiano
Dízimas periódicas do capitalismo inexato
Bêbados esquecidos mesmo quando trôpegos
Tiquetaqueiam com a morte nas ciclovias
Bêbados retorcidos mesmo quando trapezistas
Nos sinais onde os Brancos passam com seus carros

Brancos encarcerados em seus carros de luxo
Brancos esquizoides reclamantes da falta de espaço
Consumido por décadas pelos mesmos Brancos em seus carros de luxo
Brancos analfabetos emocionais urrando buzinas
Assassinam leis de trânsito
Brancos que destroem ciclovias em nome do Deus Automotor
Brancos que confundem moradores de rua pobres sujos com assaltantes
Brancos que atropelam garis e fogem.

Os raios de sol a eclodir ovas do cotidiano
Na Rua Albuquerque Lins
Não enxergam as sirenes em silêncio
Passando como rapinas por entre as folhagens
Predadores que espreitam por entre suas armadilhas
Deixadas ao sereno

Ao sereno que vela o sono dos Brancos
Brancos sentem-se mais seguros com grupos de extermínio
Repletos de policiais Brancos
Que não perguntam antes de açoitar o gatilho em cabeças Negras
Os policiais Brancos que protegem cidadãos de bem Brancos

Em vinte e quatro horas o medo
Em quarenta e oito horas o pavor
Em setenta e duas horas o horror
Em noventa e seis horas o terror

Brancos permanecem prisioneiros em sua podridão
Que os assustam e cavalgam em suas costas
Assim como fazem com seus empregados Negros
E suas empregadas Negras

Os raios de sol na Rua Albuquerque Lins
Não refletem o reflexo da hipocrisia Branca
Nas costas da população Negra ainda serviçal
Dos pós-modernos escravocratas Brancos
Os raios de sol da Rua Albuquerque Lins
A iluminar pelos e cascos duros dos Brancos

Brancos são babuínos imbecis
Dotados de telencéfalo desenvolvido
E oposição do polegar mecânica
Mastigam suas próprias vísceras
Enquanto seus descendentes morrem de fome
Estupram fêmeas como troféus machistas da moralidade
Enquanto lhes passam uma lição sobre vestimentas adequadas
Brancos são predadores solitários
Que usam técnicas de Hienas

O prefeito Branco
O governador fascista Branco
O oposicionista cocainômano Branco
O Eterno Ex Presidente Branco e suas falcatruas Brancas escondidas
O Presidente da Câmara mafioso Branco
O Deputado Supremacista Branco
O dono evangélico Branco da emissora de televisão

Branco... Eu
Negros... Eles
Branco... Sós
Negros... Nós
Branco... Mim
Negros... Todos

Os raios de sol na Rua Albuquerque Lins
Não refletem as engrenagens dessa estrutura social Branca
Que permite um Branco escrever um soneto de protesto
Que ridiculariza o Negro manifestante
E o chama de Negro Falador

Mastigam corpos diariamente
A Sociedade Branca
Criada por Brancos
Erguida por Brancos
[e escravos Negros
Para usufruto de Brancos

Brancos messalinas do cartesiano
Prostitutas da meritocracia Branca dos que indicam amigos
Que protegem Brancos com dinheiro
Safando-se de homicídios
A Justiça Seletiva Branca
Encarnada em Juiz Branco Justiceiro
Pois as Engrenagens não conseguiram emplacar o Herói Negro de Toga

As mesmas engrenagens Brancas que fazem parte do meu corpo...

Os raios de sol na Rua Albuquerque Lins
Não refletem a tempestade necessária à Revolução
Não demonstram emoções enquanto o humorista destila racismo
Não explodem em ações enquanto o senador clama justiça seletiva aos menores
Não desalinham as inúmeras formas do desamor urbano Branco

Os raios de sol apenas esperam
O dia em que as Engrenagens Brancas sejam destruídas
Mortas como todos os responsáveis pela manutenção do sistema
Assim como qualquer alma que faça parte dessa Engrenagem Branca de Ódio
Sua alma, minha alma

E eu, como parte desse sistema Racista Branco preciso morrer.

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