#FervoéProtesto! Um papo com o Rico Dalasam

por - 12:59

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Rico Dalasam é um rapper paulistano que iniciou suas rimas na conhecida batalha da Santa Cruz. Com apenas um EP lançado este ano, já consegue destaque em diversos festivais independentes brasileiros ao mesmo tempo em que tem encontrado muito espaço na mídia. A questão é que Rico é o primeiro rapper assumidamente gay do Brasil, ou pelo menos é assim que boa parte da mídia tem vendido ele.

O seu primeiro trabalho, o EP Modo Diverso (Baixe AQUI), é uma mistura sonora que flerta com o R&B e a música pop, soando bem diferente do rap feito por aqui atualmente. Já as letras são fortes como o estilo pede que sejam, passando uma mensagem de liberdade, amor e igualdade da melhor qualidade. Neste final de semana, Rico se apresenta no festival No Ar Coquetel Molotov no Recife e no início de novembro faz show em Natal no festival DoSol. Aproveitando a vinda dele para o nordeste, batemos um papo com o camarada.

Li que você estudava violão/ cavaquinho aos 11 anos, mas se sentia um estranho no ninho. Queria saber se foi imposição familiar ou se você sempre foi ligado em música?

Eu gostava de cavaco e violão, não gostava de ir as aulas por conta do grupo, eu sempre tive essa inquietação de não me sentir parte ou não pertencer a nenhum lugar em que estive

Você poderia ter seguido diversos caminhos sonoros, por que o rap?

O rap foi a via por onde a música chegou pra mim e logo já me encontrei MC. Desde então ainda que eu cante outros gêneros, ser MC é parte da minha identidade musical.

Li que você contou com diversas participações especiais na composição dos beats do EP Modo Diverso. Quem participou? E queria saber se você também se envolveu no processo de composição dos beats.

Rico Dalasam: As participações são no campo da influência, com a mão na massa mesmo foi o Filiph Neo, e juntos chegamos a definição de Modo Diverso.

Entendo que sua música/você é um produto como artista e sendo assim, é importante se vender bem. Porém lendo as matérias sobre você e seu trabalho todos batem na tecla do rapper gay e não propriamente falando de sua música. Isso te incomoda?

Rico Dalasam: Sabíamos que seria assim no primeiro episódio, e como tudo de indesejável que a vida me traz, logo me liguei em ressignificar até mesmo isso e fazer todo mundo queimar essa pauta até estarmos livres pra emplacar o segundo episódio.

Você tem participado de vários festivais independentes ao mesmo tempo em que vai parar em programas como o da Fátima Bernardes. Você já venceu?

Rico Dalasam: Pra minha mãe eu já venci, para as estatísticas eu ainda sou um risco ou uma morte, pra mim eu estou no princípio de uma longa construção em que não dá pra se emocionar com a boa fase.

Ainda sobre festivais, você começou na Batalha da Sta cruz, mas tem circulado fora do circuito do rap e isto com apenas um EP lançado. Seu histórico é bem diferente de outros rappers que conseguiram se inserir em outros meios. Fale um pouco sobre isso...

Rico Dalasam: Eu sou fruto de um lugar em que chamo de não lugar, não pertenço plenamente ao meu lugar de origem e não pertenço também ao lugar que tenho ocupado atualmente, isso me proporciona transitar por diversos lugares construindo uma rota fora da comum. O ineditismo com o qual as coisas se deram e a velocidade, também foram fatores que nos deixaram fora das cartilhas do "faça assim, faça assado ".

O que devemos esperar de um show do Rico Dalasam?

Rico Dalasam: Espere menos bandeiras e mais música, é um show pra você se permitir ser. E dance, dance por que passa rápido!

O que você espera dos seus shows pelo nordeste?

Rico Dalasam: Cada estado novo em que piso espero ser bem vindo, entregar minha rebeldia, quebrar norma e deixar música e discussão até minha volta, porque o #FervoéProtesto!

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