"A música, por excelência, dispensa o verbo", um papo com a Cosmo Grão

por - 16:37

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A banda pernambucana de rock instrumental Cosmo Grão é uma das atrações do Palco Sonic, dentro da enorme edição do Festival No Ar Coquetel Molotov que acontece no próximo sábado na Coudelaria Souza Leão, no Recife. O grupo foi formado em 2011, mas só no ano passado parece ter tomado gosto e gás para apresentações ao vivo e para gravar algum registro.

Tanto que nesse ano lançaram um EP barulhento da melhor qualidade. Psicodelia, stoner e acid rock, instrumentais rápidos e barulhentos, tudo isto está presente em algumas das cinco faixas do registro (baixe aqui). Aproveitando a chegada do festival resolvemos fazer umas perguntas para a banda e fomos prontamente respondidos pelo baterista Cássio Sales. No papo, o músico fala sobre o peso do som da banda, as características instrumentais entre outras coisas.

Ser pesado é consequência ou objetivo?
Cássio Sales: Então, pra mim, ser pesado é um objetivo. Mas não no princípio, de consciência total. Aos poucos, à medida em que a gente começou a criar nossos primeiros temas, foi de se perceber como não rolava dissociar nossa criatividade ao punk rock. Como o que a gente sempre quis era criar um tipo de música sem muito protocolo - um tipo de naturalidade que vem da coisa da jam session -, o peso foi consequência do objetivo de ser fluido. Com o tempo a gente passou a experimentar nessa pegada de maneira totalmente consciente, mas nunca atendendo a uma zona de conforto. Acho que posso afirmar que hoje a gente faz questão de soar pesado. É como a gente consegue se sentir exalando energia.


Por que lançar no formato de EP? Ou por que lançar em qualquer material nos dias de hoje.

Cássio Sales: Sobre o EP, acho importante, primeiro, como forma de registro. Pra gente, acho que é bem estranho, porque o palco é o que a banda mais curte. Faz mais sentindo, pra mim, entrar no risco do efêmero, e ficar exposto ao incidente. Mas aí tem que se ter o máximo de maneiras pra chegar ao público, e o show não pode ser a única. Então, pra mim, em relação a Cosmo grão, lançar um material é mais uma forma de disseminação do que a gente faz, mas não a coisa primordial. O palco é o que interessa. Cheguei a pensar no esquecimento, ou se só fosse possível ter contato com a nossa música nos nossos shows. Seria uma viagem. Inviável pro mercado. Mas interessante, haha.

Zorn diz que a música instrumental nunca será popular, mas também nunca vai morrer. O que acha disso?

Cássio Sales: Não me importo sobre a música instrumental ser popular ou não. Acho que como qualquer coisa que se faz e que dá pra sentir o peso da impossibilidade da mentira, nunca vai morrer, mesmo. E nada pode morrer se pra pelo menos uma pessoa existe sentido.
E a música, por excelência, dispensa o verbo. É a associação de sons sem que se necessite do signo explícito. E a base da música é a instrumentalização dos sons. Logo, quem gosta de música, de qualquer sentido, gosta de música instrumental. Esqueçam do verbo, de vez em quando.

Onde a Cosmo Grão quer chegar?
Cássio Sales: Como disse, a coisa da cosmo é o palco. Então a gente quer passar pelo máximo de lugares possíveis e tocar. Viajar o máximo e ter contato direto com a maior quantidade possível de público. Gosto do contato imediato que o palco permite. E isso dá gás e contribui pra uma coisa muito importante pra banda: a longevidade. Como somos amigos há muito tempo, acho que com o tempo a cosmo só tem o que ganhar, de maturidade e expressão. Não sei de alcance, mas creio que sim, também. Precisamos de um mínimo de estrutura pra continuar sobrevivendo, e não pedimos muito. Enquanto fizer sentido a comunhão monstruosa que é a execução da nossa música, a gente existe.


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