A minha primeira vez com o Festival No Ar Coquetel Molotov foi bonita

por - 14:27

[caption id="attachment_27490" align="aligncenter" width="695"]Coquetel Molotov 2015 Foto por Flora Pimentel[/caption]
No último sábado (31), halloween para muitos, aconteceu no Recife mais uma edição do popular festival No Ar Coquetel Molotov. Pela primeira vez estive nessa cidade maravilhosa, que me lembrou bastante São Paulo, para acompanhar de perto o evento. Dessa vez a organização apostou em uma parada um pouco diferente: um monte de banda tocando no mesmo dia em três palcos diferentes, o que significou que em vários momentos escolhas deveriam ser feitas. Por exemplo, eu subi para ver o Rico Dalasam no palco Sonic e o Diego Albuquerque ficou na parte de baixo acompanhando a apresentação dos mineiros do Câmera. E praticamente foi isso a noite inteira.

Acredito que o único ponto negativo da noite foram os banheiros. A Coudelaria Souza Leão é um local lindo, de verdade, e bem grande. A distância entre os palcos e o local em que os químicos foram locados eram distantes, além é claro, da quantidade de estruturas para dar aquela mijadinha. Tirando isso, acho que só resta parabenizar a organização e falar sobre o que realmente importa em um festival de música: os shows.



[caption id="attachment_27485" align="aligncenter" width="695"]Rico Dalasam Foto por Hellyda Cavalcanti[/caption]
Cheguei para o Coquetel por volta das 16h e subi pra ver o show da Mahmed. Como o Diego se comprometeu a cobri-lo, fiquei mais de boa curtindo, fazendo uns vídeos e dando uma olhada no local. Depois deles, o nome da noite naquele palco seria o paulistano Rico Dalasam, que comandou um bom show. Ele tem aquela vibe bem mais dançante que a maioria dos rappers e sua apresentação é num esquema bem pista, com Rico tendo uma presença no palco bem leve e descontraída, dançando e brincando na maior parte do tempo. Eu gostei do que vi e apesar de no começo ter pouca gente, depois o público colou e abraçou a ideia do Rico: dançaram.



[caption id="attachment_27486" align="aligncenter" width="695"]Sem Peneira Pra Suco Sujo Foto por Mariana Medeiros[/caption]
Saí de lá e esperei começar outro show de rap do festival, dessa vez nem tão dançante assim. O Sem Peneira Pra Suco Sujo é um ótimo grupo local. Letras diretas, reflexões sobre os problemas da cidade pernambucana e um DJ bem fora de série. O Novato é bom. Verdade que não tinha muita gente ali, a maioria do público estava vendo o Juveniles (França) ou a banda instrumental Cosmo Grão, mas quem resolveu assistir os caras, não se arrependeu. A apresentação foi boa, com direito a três moleques ensaiando um bate cabeça na faixa “Olinda é Lost”. E é engraçado como nada no rap é por acaso: Hebert usava a camiseta “Cash Rules Everything Around Me”, algo em tradução livre como “O dinheiro comanda tudo ao meu redor”. O Sem Peneira Pra Suco Sujo mostra que rap não é algo exclusivamente do sudeste, como muita gente da crítica pensa. Ponto para eles.



[caption id="attachment_27489" align="aligncenter" width="695"]Ava Rocha Foto por Flora Pimentel[/caption]
Quando acabou o Sem Peneira, eu dei um tempo e curti outros shows, como o da Carne Doce, que me surpreendeu muito, mas deixo os comentários para o Diego. A outra apresentação que acompanhei do começo ao fim foi o da carioca Ava Rocha e apenas me questiono uma coisa: o que foi aquilo? Eu tinha visto a Ava e sua banda no encerramento do Mês da Cultura Independente em São Paulo, mas ela no palco do Coquetel foi muito melhor do aqui na Praça da Luz. Ela é uma artista no melhor significado da palavra. Performática, com uma ótima voz. A banda também dispensa comentários: Eduardo Manso (Rabotnik), Marcos Campello e Felipe Zenícola (ambos do Chinese Cookie Poets) e nesse show, Marcelo Callado (Do Amor). Podemos definir a uma hora de Ava cantando em um contraste entre a voz e as canções pops da cantora com um instrumental torto, que quebrava em algum momento todo o clima criado pela canção. Se quiser, acredito que só o fato de Eduardo Manso estar com a camiseta do Swans entrega como se dá essa relação meio “pop x experimental”. Até o momento, tinha sido o melhor show da noite na minha opinião. O público reagiu a todas as faixas, mesmo que não cantando junto a maioria delas.



[caption id="attachment_27484" align="aligncenter" width="463"]Ludovic Foto por Monique Veloso[/caption]
Depois da explosão sonora do show da Ava Rocha fui realizar um sonho de adolescente: ver o tão esperado show de reunião do Ludovic. Confesso que achei que o local estaria bem mais cheio do que estava (umas 80, 90 pessoas colaram, eu acho) mas o resumo do que aconteceu ali pode ser feito com apenas o estado clínico de Jair Naves após a apresentação: uma torção no joelho e a boca cortada. Acredito que essa foi a banda que o pessoal cantou o show todo do começo ao fim, sem deixar que uma música passasse despercebida. Foi interessante ver que mesmo após cinco anos do fim oficial do grupo, a energia ao vivo permanece ali. É uma sessão de exorcismo e desde o primeiro riff, eu fechei os olhos e aliviei inúmeros demônios. Bate cabeça, cerveja pro ar, Jair Naves com o joelho já fodido descendo do palco e dando o microfone para todo mundo cantar “Você Sempre Terá Alguém a Seus Pés”. Eu acho que não poderia ter sido melhor pro público, já que o Jair acabou saindo de maca no final. Saí dali com a sensação de dever cumprido na vida.



[caption id="attachment_27483" align="aligncenter" width="695"]Emicida Foto por Vito Sormany[/caption]
Quando acabou o show do Ludovic eu resolvi que era um bom momento pra dar uma descansada e comer alguma coisa antes de ver o show do Cidadão Instigado. Já cansado, deixei para o Diego o dever de escrever sobre o show do grupo de Fernando Catatau. Por volta da 1h40, Emicida subiu ao palco para encerrar o No Ar Coquetel Molotov. Eu não consegui ficar até o último som, porque num misto entre cansaço e palmilha ortopédica, meus pés doíam pra caralho. Todos os sons que eu vi, muita gente cantou junto, pulou, levantou o isqueiro e o celular quanto o Emicida pediu. Foi algo bem participativo e quando “Hoje Cedo” começou a rolar, o público foi a delírio, além é claro, de "Boa Esperança", quase que uma "The Blacker The Berry" brasileira. O rapper também se emocionou ao cantar o som “Mãe”, dedicado a Dona Jacira. Eu achei esse show menos energético (e menos energia aqui significa que ainda tem energia pra cacete) do o que vi no SESC Itaquera, mas provavelmente o horário, a quantidade de gente e o tamanho do palco influenciaram nisso.

A minha primeira vez no Coquetel Molotov foi algo bem positivo. Vi uma infinidade de shows e acredito que nenhum deles foi ruim, pelo contrário, todos bem bons. Todo mundo se garantiu bastante e mostrou que talvez seja melhor a organização continuar investindo nesse esquema com um monte de banda nacional em um único dia. Por mais cansativo que seja, a sensação de chegar em casa, lembrar que por uma modéstia quantia (os ingressos começaram a ser vendidos por R$ 30 reais a meia) é possível prestigiar muita coisa, me faz querer fazer de tudo para no próximo ano estar aí no Recife. Só se liguem nos banheiros, porque foi foda.

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