Hominis Patternum #4: Uma ode a saudade

por - 12:09

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Nane ganhou uma passagem para sua terra natal. Uma ótima oportunidade de Téo ter contato com seus primos, conhecer os tios e o avô. Além dos diversos outros familiares e amigos de Nane que nunca viram Téo pessoalmente e têm vontade. Para nós é importante este contato com o bebê. Queremos que Téo esteja familiarizado com as pessoas, sociabilizado. Então, esta era uma experiência interessante.

Inicialmente eu pensei, vou dormir um bocado, assistir umas coisas na TV e quem sabe escrever um monte de textos. Outro pensamento foi o querer saber como iria reagir sem a presença de Téo, já que os últimos cinco meses foram intensos como cinco anos. No começo, realmente vi muita TV. Assisti a primeira temporada de Mr. Robot (bem bom) e estou terminando a última de The Wire. Porém, meio que me senti nos anos 90, onde a televisão preenche o vazio de não ter mais ninguém que fale na casa.

Dormir muito, pelo visto nunca mais eu conseguirei. Estou completamente condicionado aos horários de um bebê. O cansaço ajuda, mas dormir muito não é mais pra mim. Enquanto isso, em Teresina, Téo recebe bem os afagos de pessoas para ele estranhas e isso é ótimo. Segundo Nane, ele não estranhou ninguém e sorri pra todo mundo. A mudança de clima, afetou ele fisicamente, mas nada fora do normal.

Ver fotos, vídeos e não poder pegar no meu filho é uma sensação meio difícil de descrever. Eu sei que ele está bem, eu sei que ele volta, mas sempre irá faltar alguma coisa. A saudade é um negócio bem doido, ver nenéns na rua faz você ter vontade de interagir com todos. Ele escuta meus áudios e se sacode todo, me procurando de um lado pro outro. Assim descreve minha mulher quando coloca minha voz pra ele ouvir.

Na real, é parecido com um vício a reação. Inicialmente está tudo bem e eu vou conseguir ficar sem ele. Depois começo a tentar me distrair com tudo, mas só penso nele. Porque tudo remete ao que está ausente. Principalmente no início. É assim o tempo todo. Acordei de madrugada e procurei por ele no berço. Procurei minha mulher do meu lado.

Parece drama, faltam poucos dias para eles voltarem, foram poucos dias longe de casa. Mas a intensidade é mutável o tempo todo. Sei que não posso esconder ele do mundo, na real, não quero esconder ele do mundo. Porém prefiro ele vendo o mundo comigo.

Uma ode a saudade. Ainda bem que ela acabou hoje!

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