Cinco WTFs para esquecer de lembrar em 2015

por - 12:08

Cinco WTFs para esquecer de lembrar em 2015

O que para muitos foi um golpe ao bom senso, para outros foi apenas um daqueles anos em que o início da dieta realmente aconteceu em janeiro e talvez por isso tenha cagado o resto do ano. Não sei quanto a você, mas este parece ter sido um ano meio bosta para muitos. Muita coisa aconteceu e naquele clima de retrospectiva, vamos falar sobre o que mais ninguém falou até agora. Aqueles momentos dignos de umapasseata em que todo mundo grita, usa a camisa da seleção e pede pra ralar o cu em um esmeril.



[caption id="attachment_27785" align="aligncenter" width="695"]orkut 80% legal, 80% divertido, 70% sexy :([/caption]

A re-memetização


O que você fez quando ganhou seu primeiro computador com internet banda larga? Aposto meu braço esquerdo que você começou a descobrir o sentido da palavra meme. Tudo bem que na época, eles não tinham tal nome, eles se limitavam a curiosidades da intranebs, tal como Lindomar, o subzero brasileiro, Jeremias cabra home, o guardião universal, o homem do garrote e afins. 2015 foi o ano da reinvenção da internet zoeira das épocas pós-charges.com. Há quem diga que gente com internet não é diferente ou talentosa pura e simplesmente por ter acesso a esta grande estrada da informação, mas este ano mostrou como esta máxima está incorreta. Aliás, parabéns ao brasileiro. Não sabe muito bem como está o mundo a sua volta, mas quem precisa disso quando se sabe memetizar como poucos? Tal como aquela professora que deixa a galera do fundão passar de ano com nota 5, Deus nos olha com aquele ar de quem diz “ano que vem você tem que se cuidar, mas dessa vez eu vou aliviar a sua”.



[caption id="attachment_27786" align="aligncenter" width="695"]Bancada Evangélica por Latuff[/caption]

O inferno está chegando


A não ser que você seja Jesus, você deve ter alguém por quem não nutre sentimentos amistosos de amizade e companheirismo. Relaxa, isso é natural. Antagonismo tem na bíblia também. Cito o meu livro de ficção preferido porque este ano apenas conhecemos o verdadeiro Mun-Rá da política brasileira, Eduardo Cunha. Pertencente à bancada evangélica, que alias até hoje não trouxe uma novidade boa desde que foi consolidada, Cunha aparentemente gostou tanto de Game of Thrones que está meio que tentando fazer isso acontecer no cenário político atual. Ora caro Cunha, devo lembra-lo de que Jon Snow “morreu” com várias facadas por seus próprios companheiros. Pastor Everaldo wife-beater deve estar rindo maliciosamente em algum lugar do universo. Acho que a este ponto talvez não deva me preocupar em ser imparcial, afinal de contas, qualquer um que defenda ideais cristãos esquecendo a diversidade que é este país consegue ser idiota o suficiente para deixar a transparência de lado. Tomara que os dragões cheguem logo. E talvez diga isso literalmente.



[caption id="attachment_27787" align="aligncenter" width="695"]Zidane e Materazzi Foto por John MacDougall/AFP/Getty Images[/caption]

O estado Islâmico e o franco-inocentado


Alias, falando em religiões, e o Estado Islâmico? Fui vítima de sua intolerância a nível global por ter sido parado mais de uma vez na rua por ter barba e por, pasme, ter sido confundido com um terrorista. O que poderia explicar este “incidente”? Bem, preconceito, intolerância racial, o menino jornalismo que hoje respira por aparelhos. Possibilidades. Mas a grande verdade é que apesar de apenas enxergarmos um inimigo cheio de ódio, não enxergamos as vítimas como sendo seu próprio opressor. Dispostos a matar por Deus? Eles estão dispostos a matar sim, mas quem não está numa guerra? Os franceses? “Je sui Charlie” até o momento em que o resto do mundo quer o sangue de gente inocente que usa turbante. É fácil ser vítima quando o inocente nunca viu uma possa de sangue, uma criança refugiada morta ou mesmo um jihadista em conflito com seus próprios princípios. Talvez eu esteja falando besteiras, mas se você realmente acredita que os franceses, seus governantes, são inocentes, acho melhor refletirmos.



[caption id="attachment_27788" align="aligncenter" width="688"]Buzzfeed o caralho Ilustração por Alexa Calder[/caption]

Miga apenas pare


Desde a palavra “selfie”, percebeu como adoramos um neologismo? Miga, manda nudes se você nunca fez isso. A cultura pop tem se massificado de uma forma curiosa, já que cada vez mais estamos nos tendenciando a usar as mesmas terminologias. Não faço previsões, acho que nem faz sentido faze-las ainda. Mas atribuo uma grande culpa ao BuzzFeed. Talvez já tenha consumido o suficiente do site para dizer o quanto eles tem se beneficiado desta massificação que mencionei. De todo, não acho que isto é uma coisa ruim, pois nivela os públicos de uma maneira bastante integrativa globalmente falando. Por outro lado, as coisas se americanizam demais para o meu gosto. Começarei a me preocupar mesmo quando o oxente e o bah deixarem de ser usados gradativamente entre os jovens por uma mera tendência internetesca. E aí ganhando um tom relativamente profético quando digo que a língua sofre adaptações silenciosas por uma questão de praticidade e de usualidade, mas ainda falando de uma questão pragmática. Linguística de lado, pedir uma foto sua em que você está sem roupa se tornou mais fácil. Ainda que ainda valorize o pessoal, cara a cara, o no ato. Fotos são típicos de uma geração que não vive sem o celular. Síndrome de old school as vezes pode ser algo bacana.



[caption id="attachment_27784" align="aligncenter" width="695"]Raquel Charizard Apenas obrigado para quem fez isso[/caption]

Vestido ou Re-vestido


A dualidade tem se tornado uma questão cada vez mais perigosa nas discussões mais relevantes atualmente. Esquerda ou direita, bolacha ou biscoito, Aécio ou Dilma, Drake ou Kendrick Lamar, branco e dourado ou azul e preto. Lembra da porra do vestido? Isso foi este ano! Parece que já faz muito tempo, não? É que a questão que o envolve já está no imaginário popular há muito tempo. E não falo de uma questão cromática, é de uma questão de debate. Isso tem crescido mais na sociedade. A necessidade de se demandar, debater, questionar. Vejo isso de maneira muito positiva, mas ainda há um caminho a se percorrer, já que estamos falando de uma habilidade social que ainda engatinha. Argumentação é o próximo passo. Nas passeatas-anti-Dilma, vimos pessoas dotadas de uma ideia pouco maturada. “Dilma fora! Por quê? PT corrupto! Dilma burra!”. Não que a dita esquerda não esteja longe disso, porque não está. Mas antes em um mesmo contexto, o cenário era muito mais apático. As questões eram debatidas por debaixo dos panos, ninguém parecia realmente interessado como agora é. O problema é talvez ter virado um grande Fla x Flu, Palmeiras x Corinthians, Ba x Vi. A argumentação deve permear qualquer debate e tenho fé em todos que isso começará a ser pensado de outra forma. Ou senão estamos fodidos e voltaremos à estaca zero. Estaca é uma palavra feia. Barra L.

Você também pode gostar

0 comentários