Isso que você respira é realmente ar?

por - 15:20

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Houve uma ação
ouvem-se muitas ações;
Uma ação não nasce
de uma explosão simples.

Uma ação de enfrentamento
não rebenta
é fecundada
em movimentos ritmados
de quadris encefálicos.

Decidida por sinapses à flor da pele.

Uma ação de enfrentamento
não é alento
É URRO
nascido de qualquer aborto
florescido em Grupos de Extermínio.

Uma ação de enfrentamento
é uma esquerda mão
a arrancar o cabo
de seu plugue Occipital.

As luvas que se abrigam nos blusões
Os blusões que se abrigam nas capas
Capas que se abrigam em balaclavas
Balaclavas que se abrigam em capuzes
Capuzes que se abrigam em Olhos;

Os Olhos cobertos por luvas
amarram botas que caminham. Caminham desde o Museu em caixa aberta
saída marcada. Caminham desde o início
dos impulsos elétricos canhotos
estudantis ocupacionais. Caminham desde o plantio da madeira
que lhes é escudo.
Caminharam também anteontem.

Dissolvem-se por entre os milhares
Invisíveis
Dispersos
Ordenadamente.

Informações são trocadas por olhares
Certeiros
Rápidos
Disfarçadamente.

Nos cercam
Nos protegem
Nos direcionam;

Contudo, não nos são simpáticos
Nem deveriam

São células formando um organismo
têm específica função
pseudópodes pelos passantes
posteriorização de posições
prevendo da massa evoluções.

Em cada curva
onde formam cordões
de braços
enfim enxerga-se quem são:

- Novas faces de vivalmas
deixadas pelo cotidiano
pedaços de sorrisos mortos
a escorrer pelas mãos
fortemente coladas
enquanto
a pavimentação cede à física.

Corpos dos corpos dos corpos dos corpos
tripla reencarnação
dos Quilombolas e seus corpos
aos Seis Metros de Altura e de todas as cores.

Paridos no avesso do Mundo
onde as epidermes têm chicotadas
de nascimento.

O poço fim da esperança
nati morta com microcefalia.

No lugar onde a Nação não chega
ou como tod’alma podre
prefere não enxergar.

Nas esquinas onde os restos são aterrados
e não lhes é concedida
A DEMOCRACIA;

“POIS NESTE PAÍS ELA DEPENDE
DA TUA COR, SEXO E CONDIÇÃO SOCIAL”.

A democracia que lhe é permitida
Que lhe é concedida
Que lhe é deixada ter.

São Eles de mãos dadas sem sorrir
Filhos da Quimera libertária
desta Fascista Nova República
a morrer Legislativamente.

São Eles recolhendo destroços
da indústria automotiva Pós-Moderna
peças plásticas
que separam vias
vidas separadas
da nossa comodidade branca média
hippie holística
em hortas comunitárias
nas praças gentrificadas.

São Eles a usar cola
aos tapas em cartazes
nas laterais dos coletivos
comunicando a Apatia & Conivência nossas
ao Estado.

São Eles torando tapumes
onde repousa a cômoda
Esquerda Festiva.

São Eles que jogam seus corpos
contra a Tropa de Choque do Governador Criptonazista
filho genético de Buckley.

“Agora são oito horas
A Voz do Brasil termina
na Avenida São João o organismo vivo desloca-se
a simbiose então termina em um ponto
de ambulantes”.

Dispersão...

- Sobem barricadas
bandeiras
punhos & mãos.

Ao ar o Ódio engolido diariamente
Ao ar um confronto intervenção
Ao ar o enfrentamento anunciação.

“São oito horas e dez minutos
na trincheira metálica
armas químicas
armas reais, munição
lançadores de bombas
real pólvora escondida das órbitas”.

- Então responda o que faria se o Estado
todo o dia lhe currasse
mostrando que teu lugar é o limbo
o lixo
e que só a distorção da meritocracia
progride... Junto à corrupção?

- Então responda onde esconder a revolta
quando a Polícia Militar ondula o achaque
açoitando crianças desarmadas
criando presos políticos menores de idade?

“São oito horas e trinta minutos
é tudo muito rápido
infância sentada no asfalto
primeira explosão
uma metade olha assustada
outro olha o pânico dos ambulantes
na memória os dizeres:
- Pelo Fim do Genocídio do Jovem Negro nas Favelas -".

“Agora são oito horas e trinta e cinco
todos levantam-se
um pequeno meteoro cruza o céu
sobe a fumaça
duas explosões
mais próximas
ao fundo o surrealismo
de rojões
luzes vermelhas aproximam-se
algumas crianças ainda resistem
sentadas
em suas pernas estilhaços
da quarta explosão”.

Nessa hora o Medo apresenta seu cartão de visitas
passos viralizam
epilépticos corredores
máscaras em fuga.

Então há o cerco covarde
pelas costas
como gado no abate.

O chão treme
Estilhaço é teu Nome
o corpo cambaleia
duas cortinas de gás sobem.

Não Corram,
Não Corram!

Os gritos dos menores em pânico
espancamento de um morador de rua
vendedores
e da população.

Outra bomba de efeito moral desaba
amalgama os destroços de adrenalina
presos nas paredes.

Uma fila invadida pelo som
sirene do gás pimenta
pinta todo o braço
e a lateral do rosto.

Olhos naufragam
a garganta fecha
e o que sobra são
os últimos ilesos
códigos binários da Vida.

Enquanto isso
O Organismo luta
Concreto e Fogo
contra armas de pacificação forçada.

Escombros humanos achatados
junto aos canais lacrimais
entupidos
de gás & melancolia.

Só assim
a empatia
fantasiada de magnésia
acalma...

“São oito horas e quarenta minutos agora
e a caçada começa
quando existe o reagrupar
ruas labirintos
silicones disfarçam o escapar
ruas estreitam ao resistir
sirenes
pés atolados nas calçadas
luzes
cheiros
odor da repressão
em suores militares”.

- Exorcismo forçado d’alma -
pois existe algo no gás lacrimogênio
e na profusão de estilhaços
que muda sua vida
permanentemente.

Quando então o sangue
misturado à nicotina
escurece
exata à madrugada
pequenas porções reflexivas
são concedidas.

Jornais e suas imagens
satânicos reflexos não lhe oferecem a Verdade
no reverso do reverso periférico
nossa pele branca média
desconhece o significado
da palavra Realidade...

Uma ação de enfrentamento aconteceu
o pânico e pavor sentidos
são pequenas porções
de visceralidade
escondida na falsa
sensação de liberdade
que esse País nos dá

Assim quem sabe
do casulo líquido
onde nossos corpos
permanecem
inerte & sugados
pelo Estado
esse grupo chamado Pária da Sociedade
possa enfim nos acordar...

“Em um estado totalitário não se importa com o que as pessoas pensam, desde que o governo possa controlá-lo pela força usando cassetetes”, Chomsky, 1993.

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