Quase uma resenha do show do Mac DeMarco (ou: ainda bem que eu venciminha ressaca)

por - 15:41

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Eram quase 21h e tudo o que eu queria era deitar numa cama de um quarto com ar condicionado. Recife faz um calor do caralho e esse é um péssimo clima pra se sentir ressacada. E a poucas horas do show de Mac DeMarco no Clube Atlântico, em Olinda, a única coisa que eu queria era uma cama. Tinha ido dormir às 6h30, bêbada, e acordado às 10h pra encontrar minha mãe. Péssima escolha de vida antes de um show que eu ansiava já há algumas semanas. Pela companhia de uma amiga (e pelo meu fogo no rabo que é sempre maior que a preguiça), pedi pra minha roommate bolar um beck delicioso e me piquei pra Olinda. A Ollie também tava na mesma vibe que eu, mas esse também foi o dia em que a Justiça Federal julgou ilegal a venda do terreno do Cais José Estelita, então eu precisava comemorar. Questão de honra.

Chegamos em Olinda e o mar de gente só fez aumentar minha preguiça. Muitos jovens hipsters alegres por metro quadrado, e a certeza de que eu tinha que beber um whisky pra animar se tornava cada vez maior. Quando finalmente conseguimos entrar no Clube Atlântico, o show do Boogarins já tava do meio pro fim. Falamos com alguns amigos no meio do caminho, entramos na gloriosa muvuca que é o bar e quando finalmente saímos de lá, mais umas duas músicas já tinham se passado.

Entre uma conversa e outra com amigos que precisavam desabafar, me vi perdendo o show da Boogarins totalmente. Mas como o whisky ainda não tinha batido e a ressaca reinava em mim, desencanei. Até que surgiu o Gui, com um de seus becks maravilhosos, e minha noite começou a ser salva. Passamos um tempo conversando muita água, desde como ele era o DJ mais apropriado praquela noite - o som dos DJs ora acertava, ora passava pra umas coisas meio latinas, e a gente achava que o negócio mesmo era meter um Pavement ali no meio - até a voz da mulher do Siri. Sempre me divirto muito quando encontro com ele, e comecei a achar que fiz bem ao sair de casa.

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Fui comprar mais bebidas e acabei me perdendo de Ollie bem na hora em que o Mac e a banda entraram no palco, o que gerou alguns breves minutos de pânico, em que eu não sabia se corria pra frente do palco (tenho um probleminha de só querer ver shows lá da frente) ou se esperava minha amiga (afinal, eu tava com a cerveja dela). Por sorte a criatura apareceu e corremos pra tentar achar um lugar com boa visão do show. A merda é que, por sermos as duas meio baixinhas, isso foi uma batalha constante ao longo da noite. Sério, devia rolar uma consciência nesses gigantes de 2m de altura de que não é legal ficar empatando a vista alheia como se fossem espigões da Moura Dubeux. Divisão do público pela altura em shows, já!

Quando enfim encontramos um lugar razoável - a única coisa que a gente via mesmo era a cabeça dos caras, se me perguntassem a cor da guitarra eu jamais saberia dizer - ficamos dançando felizes e chapadinhas, mas pra gente o show deu uma reviravolta mesmo quando ele tocou a maravilhosa "Chamber of Reflection". É que na real nenhuma de nós duas é hiper fã de Mac DeMarco, mas ambas concordamos que nada como ouvir ele fumando um ou então naquela playlist marota pra ouvir na cama. Fumamos outro beck e daí pra frente foi só alegria. A coisa foi tão linda, que depois dessa música o Gui foi embora, com cara de "pronto, agora posso morrer em paz". Viagem linda demais, e eu crente que ainda estava viajando quando vi que o Peter Dinklage tinha dado um pulo do palco e estava sendo carregado em nossa direção. Acho que a Ollie percebeu minha cara estatalada, entre a descrença e a felicidade, e se apressou a me explicar que o cara era da banda, o que não me deixou menos abestalhada.

O show fechou com uma sequência de covers maravilhosos, desde o Limp Bizkit até o Nirvana, passando por "Ace of Spades", com rodas que me deram uma vontade absurda de voltar à adolescência e me enfiar ali no meio - não fosse eu tão frouxa hoje em dia pra esse tipo de coisa. O show parecia uma festa, com os caras tirando a maior onda no palco e o público respondendo super bem. Até um "Estelita" rolou, e eles foram ovacionados por isso, apesar de eles não fazerem muita ideia do porque, o que deixou a coisa levemente engraçada.

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Quando tudo terminou, a lombrinha deliciosa ainda tava batendo e de repente vimos que uma fila de jovens hipsters alegres tava se formando. Sim, rolou meet & greet com o Mac. Talvez por um pouco de inveja (somos chatas demais pra entrar numa fila dessas) ou por velhice mesmo, ficamos eu e Ollie bem rabujentas rindo da juventude e pensando que seria muito melhor se o cara pudesse ter a liberdade de descer e ficar circulando pela pista, dançando e fazendo as mungangas dele.

Fechamos a noite matando a larica com aquele velho hamburguer gorduroso e fomos pra casa. Ollie pra fazer as pazes com a namorada, e eu pra ter um sonho maluco que misturava o Mac DeMarco com o carnaval de Olinda. É, parece que a viagem foi boa mesmo. Ainda bem que eu venci minha ressaca.

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