Binômio de uma Guerra em curso

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X - A Morte de Antiqualha

A Morte de Antiqualha ao vivo
a morrer aos poucos
em fornos de cimento
Usina Térmica de Asa Férrica
seu ninho da Fiesp
a morrer seu desejo do infinito gozo inexistente

Nos carros de som
despejando gotas em balas
fuzis claves
anedotas do mau gosto oliva

Todas mortes invisíveis
sortes como alcovas
todas mortes audíveis
aos gritos em masmorras
onde são possíveis mentais estupros
por todas mortes plausíveis
Enquanto bombas abençoaram de gás
A Involução
- inapta em alcançar abrigo nos braços dos travestis
acamados pelas pilastras
abaixo do Elevado –

De amor Infinito
contraído n’uma imunodeficiência
adquirida n’uma última tentativa
por sentir algo
perdido

perdido em infinitas phodas com supermodelos plásticas
perdido em serviços de streaming pornográphicos
perdido em caixas de comentários envoltas por latrinas
perdido em uma nova aquisição tecnológica de combate
perdido...

Acalento da Sociedade Pós Moderna
herdeira de Fuzis Bandeirantes
a ejacular agente laranja em Negros & Índios
subempregados do mérito jesuíta
carniceira muda na esfera
restos de um não nascido com microcefalia

Como relógios pontuais
anuais compras de Natal
lambe uma ferida aberta
de ardilosas bordas
laceração permanente
insistente abuso na contra mão da História

Enquanto Júpiter
cambaleava por seus bongôs
no céu arroxeado
infinito Pós Apocalíptico
visto das amarelas janelas de Allen
nas cabeças mortas de Querubins
contemporâneos cultivadores de Cannabis

Antiqualha a morrer por chicotes das dominatrixes
por lâminas misóginas
por cacos de Generais do Golpe
por resquícios do Homem de Bem
A consumir cimento como máquina

Enquanto desaparecem os corpos dos moradores de rua
abrigados tal qual lombadas humanas
embaixo do Viaduto

Antiqualha a tentar
apagar o passado
construindo retalhos no rosto.

Y - Do coma como escape inalcançável

Conjunção das oito câmaras cardíacas
é mais complexa que
o encontro de
duas paralelas dimensões quânticas

E quando há espaço
ao arremesso – Não há braços!
faringes tomadas
por
metástases nascidas no ódio

A vida incompreendida
em toda sua existência
corpos dissolvem conexões
por longos & dolorosos
planos cartesianos
desgostos colabam rostos acamados
sempre o cadarço direito
solto
sempre o peito extremo
exposto

Do envelhecer maldito
que nos toma o reflorescer
d’alma
cada dia onde o calendário
nos rouba o ser
a perda que não retoma
sua origem
tão rápido quanto antes

Repleto apenas nos primeiros minutos
mocha parda elixir da vida
como outrora fora a passagem
d’um simples clarão
Vegetohumana fotossíntese
benemerência contra a cinza usina
térmica de concreto

Onde Bombas & Porcos
Tornar-se-ão um clérigo fascista
quando a Grande Verdade
retrair-se-á através das engrenagens
calcinadas em aneurismas
aços fundidos das estáticas
pirâmides sociais decadentes

Dentro da jaula
o real apresenta-se
ao dar o passo para trás
em ritmo diminuto

Verticalidade
ultrapassa normas racionais
da existência
antes que o banzo adormeça
o que sobrou dos nossos sonhos
antes que só nos reste o câncer

Roldanas d’um coração de metal
seco
sem validade
sempre oxi
[ci
[dade
sem artérias conectivas
seco

De ferrugem sabor algodão doce
a final nuvem tóxica
tétrica sexta feira
na República Praça dos Massacres.

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