Hominis Patternum #5: Um novo começo

por - 15:12

hominispatternum
Não sei em qual lugar eu li isso, lembro que era algum escritor nacional. Ele dizia que a paternidade era como nascer de novo. Algo como um novo ciclo, no qual você se torna uma nova pessoa. Não sei se acredito em tal mudança, porém recentemente vi um filme em que o nascimento era importante num parâmetro parecido. O nome do filme é About The Time, tem no Netflix, é bem legal.

Eu nasci de novo, não existe a menor dúvida. Nasci de novo aos 32 anos, já era barbado, dirigia, podia trabalhar tranquilamente. Nasci nas mudanças que a minha vida teve. Não existindo mais lugar para o egoísmo, o pensar apenas nos meus interesses. Talvez eu nunca tivesse sentido medo realmente, mas agora tenho alguém que me faz temer.

No sentido abstrato, é como se eu fosse irmão gêmeo do meu filho, já que nasci de novo. Assim como ele, estou aprendendo a viver novamente. As mudanças são constantes nele e em mim. E como ele, que está aprendendo comigo, tento ser cada vez mais uma pessoa melhor. Ele já olha fixo, ele já vira em minha direção, já exige atenção e contato. Se alimenta sem ajuda (o tal BLW), mas quer companhia (principalmente a minha).

No filme que citei, o personagem descobre que pode viajar no tempo e faz isso para conseguir o grande amor, porém a barreira de tempo muda quando ocorre um nascimento. Ou seja, quando ele se torna pai, apenas irá poder voltar no tempo até o momento do nascimento do filho. Pois trata-se de uma nova vida, um novo ciclo.

2015 foi um ano complicado na minha vida, em diversos sentidos. Afora perrengues, o nascimento de Téo foi o principal momento do ano. Tanto para minha vida, quanto a da minha companheira. A temporalidade do ano também foi bastante abstrata. Não estou aqui dizendo que o ano passou mais rápido, mas a intensidade de nossas vidas aumentou bastante com um bebê. Dizem que o tempo passa mais rápido, mas os dias duram uma eternidade.

Téo fez sete meses nesse mês de janeiro e eu lembro do nascimento nitidamente (provavelmente vai ser difícil de esquecer). Ele tem se desenvolvido tão bem, que ao lembrar da primeira vez que peguei ele nos braços, tenho a sensação de que ele tem um ano ou mais, pela quantidade de momentos que já vivemos juntos. Ele já pede braço quando quer braço, já tenta pegar as coisas por conta própria. Nada anormal para um bebê e seu desenvolvimento, nada adiantado ou atrasado. Mas como pai, que está aprendendo junto com ele, a temporalidade das coisas também é diferente.

Sobre o tempo ou o caráter atemporal dos momentos, eles apenas se tornam atemporais no futuro. Mas acho complicado não soar saudosista, mesmo apenas a sete meses do início do processo. Seja nas roupas que não cabem mais ou nas mudanças dos hábitos. Um exemplo prático disso é o banho, inicialmente na banheira, hoje no bom e velho chuveiro. Os laços de afeito se estreitam nesses momentos.

Janeiro começa e em 2016 teremos o primeiro ano completo da vida de Téo, e a ideia é aproveitar e torná-lo o melhor possível para todos nós. Eu aprendendo com ele, ele aprendendo comigo.

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