Faixa a faixa: Salvage - "MΔE"

por - 13:00

salvage Salvage é um quarteto carioca de música instrumental que lançou recentemente seu primeiro EP, MΔE, pela Bichano Records. Gravado em 2014, mas colocado nas ruas só agora, já que no meio do processo integrantes saíram do grupo, o disco passeia pelo post e o math rock, com fortes influências de Pele e Toe.

Curtimos o som e batemos um papo sobre o EP com Herbert Santana guitarrista do grupo sobre os temas sonoros abordados no MΔE, o conceito da banda, a cena instrumental, entre outras coisas.

Por que Salvage? Você deve saber o significado disso, nem que seja o mais trivial. Por isso a pergunta.

Eu sou um a pessoa que pesquisa muito sobre as novidades de equipamentos, principalmente, de guitarra. Eu seguia no Instagram uma empresa chamada Salvage Custom, que produzia pedalboards de luxo. Como o inglês não é meu forte (haha) e lia como "sauvagi" e que soava entre "saudade" e "selvagem", e que era justamente essas sensações que eu queria provocar nas músicas. No primeiro ensaio eu cheguei com essa opção de nome, e todo mundo curtiu.

Por que lançar no formato EP? Qual a importância disso, se é que existe?

Decidimos lançar um EP, primeiramente, pela quantidade de músicas que tínhamos na época, Novembro de 2014. Uma delas, que chegamos a gravar, não ficou com o resultado que esperávamos, então assumimos somente 3 músicas. O bacana é que hoje as coisas estão muito livres: independente da quantidade de músicas, o resultado final é o que mais importa.


"Intro"

Seria uma vinheta, se fosse uma banda de rap. Fala um pouco sobre a escolha da faixa para abertura do disco (não apenas pelo nome, espero [risos]).

A intro foi uma caso interessante. Ela, nada mais é, que a música "Voz Forte" com alteração de pitch e tempo. O Ingo (baixista), após a captação de todos os instrumentos, foi brincar na mesa e reduziu o tempo da música pela metade e colocou o reverb reverse, ficou demais! Ficou tão bom que pensamos em assumir a música nessa versão lenta, mas acabou entrando a versão com o tempo real mesmo. (risos)

Explique o nome do EP!

Todas as músicas da banda são feitas em conjunto, mas o impulso de composição (pelo menos nesse EP) é meu. O motivo do nome MΔE veio do fato que todas as músicas, diretamente ou não, tem um pouco da minha mãe ali. Sem falar que todos nos temos esse sentimento com o EP, de mãe e filho.

Por que fazer uma banda instrumental hoje em dia?

Se eu tivesse a voz do Milton Nascimento (ou algém da banda) e escrevesse igual ao Caetano, valeria apena ter uma banda com voz e letra (risos)! Brincadeira. Mas tem um pouco de verdade: você vai deixar de fazer um som com seus amigos só porque não canta ou escreve bem? Acho um desperdício.


"Ganhardepoisperder"

Durante um bom tempo, música instrumental, principalmente o post-rock foi sinônimo de músicas longas. A maior música do EP é esta e ela tem pouco mais de cinco minutos. Como você vê esta mudança de conceito no instrumental?

Acho muito bom, sempre vi a liberdade (formação, estética...) com bons olhos. Eu, por exemplo, adoro escutar algo e ser surpreendido (por vários motivos). O principal mesmo é a banda estar feliz com o que produz, essa é a nossa única preocupação.

Vocês consideram a Salvage uma banda de "post rock clássico"? Pense nisso no sentido de formação, não variável como as bandas instrumentais da atualidade. Pelo som, a Salvage é guitarra, baixo, bateria...

O engraçado é que a maioria das pessoas consideram mais a banda com math-rock do que post-rock. Temos muita influencia (na formação da banda e estética) de bandas clássicas do gênero, mas não considero que a banda siga a linha clássica.


"Pele"

Esta canção seria uma homenagem a banda que da nome a música? Aproveita e fala um pouco das influências da banda fora do tal do post rock e dentro dele.

O Chris Rosenau é um ser humano importantíssimo pra mim. Me influenciou demais. No período que eu comecei a compor, estava escutando muito o The Nudes, daí resolvi fazer a homenagem.

Olha, essa foi a pergunta mais difícil (risos)! É bem diverso. Eu, Herbert, tenho uma influencia muito grande de música brasileira e música negra de todos os cantos: Paulinho da Viola, Milton Nascimento, Fela Kuti/ Seun Kuti, Ebo Taylor, Coltrene, Caetano... um monte de coisa. No rock, fui muito influenciado pelo Diagonal, Debate, Polara, Fugazi, Farequet e toda linha Dischord. Agora, influencias em comum da banda, diria: Toe, Mars Volta e Linda Martini.

Existe uma cena forte de música torta no Rio de Janeiro. A pergunta é: em que lugar a Salvage quer chegar?

Jair Naves já dizia: "um passo por vez". É bem por aí. Quando tive a ideia de montar uma banda nessa linha (toe foi o grande culpado por isso), não sabia no que ia dar. Nunca tinha feito nada parecido antes. Hoje, temos um EP lançado pela Bichano Records e recebendo um carinho danado de muita gente que eu nunca vimos na vida e de blogs, ajudando na nossa divulgação. Se a perguntar fosse só pra mim, responderia: quero continuar tocando com esses caras que gosto tanto, e continuar essa troca com as pessoas. É um momento muito feliz pra gente, sem dúvida.


"Voz Forte"

É a música mais calma e bonita do EP. O nome teria relação com a força do som?

Essa música foi feita num período conturbado na minha família. No período não soube reagir com o acontecido, e acho que externalizei com essa música; foi feita para minha mãe, Dona Isabel, de voz forte. Sem sobra de dúvida, minha pessoa preferida. "Voz forte" vem da importância da opinião dela na minha vida, da força dela e da relevância que dou a tudo que ela fala. O ritmo arrastado, que lembra muito louvor evangélico, é proposital: ela bastante religiosa. Mesmo que eu não seja, acabou sendo uma influência direta para a música.

Pra fechar, de onde vem os integrantes da Salvage? Existe um background sonoro?

Marcel (baterista) e o Ingo (baixista) tocaram na banda carioca Aditivo, Victor (guitarrista) tocou na banda Nem Maçã Nem Pera, de Búzios. Eu só toquei em banda de HC ruim, não vale apena lembrar (risos).

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