365 Girls In a Band – Review #5

por - 11:00

Elza Soares

Para incentivar a participação feminina na música e ao mesmo tempo homenagear e visibilizar mulheres que vem abrindo esse caminho por muito tempo, o 365 girls in a band posta um álbum por dia, feito por mulheres. Aqui, toda semana soltamos um review de artistas e bandas que já apareceram no projeto. Para ler os reviews anteriores, é só dar uma olhada nesse link

Violeta Parra


Violeta Parra é um ícone da música latina. Multi artista, além de cantora e compositora, ela também era artista plástica e ceramista. Vinda de uma família de poetas, musicistas e cancioneiros, Violeta cantava desde criança. Sua produção é voltada para a pesquisa e reinvenção da música e cultura folclórica chilena, mas ela morou em vários países da América Latina e viveu vários anos em Paris, onde se esforçou para dar destaque à cultura de seu país. Em seus últimos anos de vida, Violeta montou a La Reina, um espaço que ela pretendia transformar em centro de referência da cultura chilena. O empreendimento infelizmente fracassou e, junto a uma desilusão amorosa, foi a causa do suicídio de Violeta. A história da artista está registrada no belíssimo Violeta foi para o céu.


Elza Soares


Elza Soares completou, em 2015, 65 anos de uma carreira frutífera e muito respeitada. Em 2000, a cantora ganhou o premio de melhor intérprete do milênio, pela BBC de Londres. Seu disco de 2002, Do Cóccix Até O Pescoço, foi indicado ao Grammy, mostrando que além de longeva, sua carreira tem alto nível de qualidade. Casada a força aos 12 anos, cantora de tv aos 13, Elza tem uma história de vida admirável. A Mulher do Fim do Mundo, lançado em 2015, 34º disco de sua carreira, é o primeiro só de inéditas, com músicas criadas exclusivamente para a cantora. Cercada dos melhores nomes da nova cena paulista, Elza canta sobre violência contra a mulher, racismo, desigualdade de uma maneira tão crua e forte que é impossível não ser tocada.


Nico


Muito conhecida por seus vocais no primeiro disco do Velvet Underground, Nico foi também cantora solo, compositora, modelo e atriz. Com uma vida pessoal conturbada que em geral ofusca sua carreira, Nico trabalhou em vários filmes de Andy Wharol, além de ter feito pontas com Felini, antes de estrear como cantora. Influenciadora de uma geração de artistas, ela é considerada uma predecessora do Gothic Rock. Seu disco The Marble Index, uma parceria de Nico com John Calle, é uma marca do estilo. Siouxsie and the Banshees, Bauhaus, Elliott Smith, Patti Smith, Morrissey, Björk, Dead Can Dance são artistas que reconhecem a importância de Nico como musicista. Ela também é citada no filme Hedwig and the angry inch como a influência principal para a música Midnight Radio.

Para saber mais: Wikipedia, Rolling Stone

Otoboke Beaver


Essas quatro japonesas mal tinham saído da adolescência quando montaram essa banda, com o nome tirado de um motel de Kyoto. Accorinrin, Yoyoyoshie, Hiro-Chan e Pop (grafias em japonês disponíveis no site oficial do quarteto) já abriram para o Boredoms e Guitar Wolf, conquistaram o coração dos djs da BBC6 e se preparam para a primeira turnê europeia. Com uma incrível quantidade de influências sonoras, as meninas ainda fazem pesquisa de cultura japonesa: seu último disco, Okoshiyasu, usa dialetos de Kyoto em suas letras, uma ótima mostra da antropofagia cultural japonesa.

Para saber mais: Otoboke Beaver

Le Tigre


Da safra musical de Kathleen Hana, o Le Tigre é uma banda de electroclash, mais dançante e que usava uma estética plástica e colorida em clipes e palco. Auto intituladas artistas "underground eletro feminista", o grupo misturava batidas eletrônicas e instrumental lo-fi. Esse trio participou do disco Yes, I'm a Witch, produzido por Yoko Ono com várias bandas regravando canções da artista; várias músicas da banda foram incluídas em trilhas sonoras e viraram até mesmo toque de celular.

O disco de estreia da banda, homônimo, foi gravado com o equipamento digital mais barato e com o qual a banda tinha pouca intimidade, buscando tanto manter a estética punk como quebrar a ideia de que música digital é coisa de homem. As letras falam de feminismo, mas também das questões LGBT e fazem crítica política.

Para saber mais: Wikipedia

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