365 Girls in a Band - Review 6

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delia derbyshire

Do hardcore queer do G.L.O.S.S ao cabaret queer de Ute Lemper, passando por clássicos como The Breeders, esse sexto review traz mais uma amostra da mistura de estilos e criatividade das mulheres na música, a partir do que já passou pelo Instagram do 365 girls in a band. Para saber mais sobre o projeto, essa entrevista saiu aqui no Altnewspaper. Para ler todas as resenhas, é só clicar nesse link.

The Breeders

The Breeders é uma ideia que surgiu quando o Pixies e a Throwing Muses excursionaram juntas, no começo dos anos 90. Kim Deal, então baixista do Pixies, começou a produzir algum material e convidou Tanya Donely, guitarrista do Throwing Muses para um projeto paralelo. A banda teve diferentes formações, Tanya acabou sendo substituída pela gêmea de Kim, Kelley, e fizeram uma pausa em 1995. Retornaram em 1999 e fizeram turnês até 2014. Seu maior hit foi a música Cannonball, do álbum Last Splash (1993). A banda é um ícone das bandas femininas, tanto pela presença de Kim e Tanya, quanto pela sua sonoridade e letras.


Ute Lemper

Ute Lemper fez uma extensa pesquisa e se especializou em cabaret alemão, estilo banido do país no regime nazista por ser considerado "música decadente". Ao resgatar e reinterpretar essas canções, especialmente o repertório de Kurt Weill, Lemper traz a luz uma parte da cultura alemã que ficou esquecida durante a guerra e que trabalhava, entre outras coisas, com canções queer: When the special Girlfriend e Maskulinum - Femininum são bons exemplos de canções. O álbum Berlim Cabaret Songs é o melhor exemplo desse trabalho de Ute. A cantora também gravou songwriters contemporâneos como Nick Cave e Tom Waits e, como atriz, trabalhou em filmes de Peter Greenway.


Pega Monstro

As irmãs portugueses do Pega Monstro me ganharam com a frase "Embora não seja muito comum ver duas garotas fazendo rock, o importante é que curtimos imenso." Tocando juntas desde a adolescência, as irmãs Julia e Maria Reis fazem um noise punk rock com o qual é difícil ficar sentado. Julia toca bateria enquanto Maria comanda guitarras e teclados. Elas dividem o vocal com reverbes pesados e um português nativo estranhamente melodioso. Os shows elétricos, com performances intensas vem garantindo o crescimento do público da banda por toda a Europa. No bandcamp da dupla é possível ouvir o material já lançado.


Delia Derbyshire

Conseguir vaga em duas das universidades mais tradicionais da Inglaterra, numa época em que apenas 1 em cada 10 estudantes eram mulheres. Esse é o começo da vida profissional de Delia Derbyshire, que aos 4 anos dizia que o rádio era seu professor. Após ser recusada pela Decca Records, que não contratava mulheres para funções técnicas, Delia conseguiu um lugar na BBC, onde desenvolver trilhas sonoras e desenho de som por 11 anos. Seu maior sucesso da época é a canção tema de Dr. Who. Trabalhando no Radiophonic Workshop, desenvolveu vários projetos de música eletrônica. Junto aos colegas David Vohaus e Brian Hodgson, cirou o trio White House. Teve os estúdios Eletrophon e Kaleidophon, voltados para desenvolvimento e fomento de música eletrônica. Trabalhou para artistas como Paul McCartney e Yoko Ono. E tem um papel essencial na música que conhecemos hoje. Vale a pena clicar nos links aqui embaixo e saber mais


G.L.O.S.S (Girls living outside society's shit)

Da lendária cena de Washington surge essa incrível banda, considerada uma voz queer no meio punk/hardcore. O quinteto tem bandeiras de inclusão definidas e são um marco na cena local. Seus shows enérgicos são contagiantes mesmo através do youtube (reparem nas meninas moshando na primeira fila no vídeo acima). O site Punknews.org classificou o primeiro EP da banda como um dos melhores eps lançadosem 2015. As cinco canções são tensas e intensas, e mostram porque a G.L.O.S.S pode ser considerada uma das bandas punk mais importante da atualidade.

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