"A Bruxa"

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[caption id="attachment_28014" align="aligncenter" width="695"]the witch Reprodução[/caption]
A Bruxa foi um daqueles filmes que nem tinha conhecimento, mas chegou em mim através do boca a boca de colegas e ganhou meu imediato interesse. O gênero por sua vez já me é convidativo: “terror”, porém engana-se quem pensa ser o terror nos moldes modernos aos quais estávamos adaptados (leia-se cansados). A Bruxa é filme de angústia psicológica, ausente de sustos, que explora o oculto sem perder as rédeas do real. Algo que muito remete ao cinema de Polanski. Coisa de qualidade! Que não víamos desde muito tempo.

Tudo muito bem trabalhado, as cores do longa em escala de cinza, cenários verossímeis, trilha sonora extradiegética com função diegética, assinada pelo canadense Mark Korven (que nos lembra o trabalho do compositor húngaro Gyorgy Ligeti para 2001: Uma Odisséia no Espaço) e figurino contemplador. Absolutamente em extrema harmonia, todos esses elementos se configuram para que Robert Eggers realize a primeira obra da sua carreira beirando o surreal ainda que vanguardista.

O filme é datado da Nova Inglaterra do séx XVII, onde uma família de camponeses é expulsa da aldeia a qual residia e vai morar nos arredores de uma extensa floresta. Esse é o ponto de partida para o surgimento de fatos tenebrosos: animais tornam-se hostis, a plantação morre e uma criança desaparece. O elenco praticamente todo infantil ainda que desafiador para a direção, que parece reger com maestria todos os envolvidos, nos mostra um resultado de performances assombrosamente sublimes.



[caption id="attachment_28015" align="alignnone" width="695"]The Witch Reprodução[/caption]
A Bruxa, acima de tudo, é um filme de muitas metáforas e linguagem subjetiva. Bastante do que é dito, não é dito, e sim mostrado sutilmente. O não verbal dá espaço para mensagens simbólicas. E é aí que se esconde a grande sacada do longa. Nas entrelinhas, o espectador atento nota alguns conceitos religiosos muito específicos: a divisão do pão na última ceia; o Santo Graal; o pecado do desejo carnal, etc. Esses fundamentos trazem completude a inúmeras sequências e nos oferecem maior entendimento do que ali transcorre.

Já considero A Bruxa uma obra prima do terror moderno, principalmente por lembrar daqueles que fizeram escola no gênero: O Bebê de Rosemary, O Homem de Palha e De Olhos Bem Fechados. O longa é histórico, cultural e retira da raiz cristã o propulsor de seu medo durante os 93 minutos de projeção. A Bruxa é incompreendido por muitos agora, mas se tornará um clássico num futuro bem próximo, assim como se desenhou a história daqueles que possivelmente o inspiraram.

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