Lost in translation

por - 13:40

Dismaland

Quando eu cheguei naquele momento da vida em que uma prova de múltipla escolha define o que você vai ser, eu escolhi, principalmente, não escrever. Todo mundo dizia que eu escrevia bem e por isso eu deveria ser jornalista ou fazer letras. Comecei o curso de moda e depois de um tempo, mudei para a comunicação, mas na publicidade. Eu tinha pânico de ter que escrever bem para sempre.

Fui me afastando da obrigação de fazer o que eu amo que eu cheguei na encruzilhada de livre arbítrio e destino. Dado que eu estava num momento de quebrar barreiras, escolhi perder um dos meus maiores medos. E o que eu achava que era uma brincadeira acabou sendo um convite legal para escrever num site que tem no slogan “Cultura independente de verdade e sem vejismo”.

É um período meio desesperado pros conglomerados de comunicação, que se recusam a descer da ruína de um pedestal que ruiu faz tempo. Por outro lado, é um momento rico de troca de espaços e ideias, um tipo de continuação/resgate do que a internet tinha de melhor lá atrás (antes de também virar um polo de conglomerados de tecnologia). Quebrei a cabeça para achar uma super pauta curiosa e interessante para esse primeiro texto. Não deu, foi mal.

Tentar fazer uma série de atividades às margens é sempre uma dificuldade. Vivi essa experiência em 4 dos meus 6 anos em Belo Horizonte. Quando a gente fala de cultura independente de verdade, será que está falando disso? De fazer uma série de coisas acontecerem sem esperar ~dinheiro público~, ~condições ideais~, ~uma cena~? Será que o fazer em si já é uma criação de independência? Quando falamos de sem vejismo, estamos não apenas burlando a margem da ~grande mídia~, mas definindo a nossa margem de ética e responsabilidade pelo que se diz (e se faz) publicamente. Não ser formado em jornalismo (ou ser) não nos exime de responsabilidade ou supre nossa consciência.

Escrever aqui é minha tentativa de perder o medo – não de escrever ou de opinar – mas o medo de ouvir a minha própria voz. É enfrentar o eco e também o que responde. É uma tentativa de falar e de ouvir o igual e o diferente. Esse texto é apenas uma série de ideia soltas, mas convenhamos, nada está muito amarrado no momento.

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