Lugar Comum

por - 13:55

Lugar Comum - pic

Asfalto
Assalto
Quente
Duro assim

As lágrimas, o golpe duro,
É em você e em mim
Dor, febre, estafa
Sede e falta um lugar comum
Pra mim é assim

De tudo um pouco e um pouco de tudo
Pra quase todos os seres, sou eu o surdo
Seremos a geração
Sem propósito nenhum e ser lugar nenhum?

Terror cego numa luta se passa por coragem
Pareço estar sempre desperdiçando minha vida
Esperando acontecer
Acontecer alguma coisa
Mas espero uma razão pra ir

E quem é que tem paz?
Onde arranjo a paz? Não sei!
De ir lá fora eu já fui muito
Agora não vou mais porque me cansei

Rotulado, cão chutado, eu sei
É um problema sim
E vou então, fingindo ser nada,
E convenço a mim
Nada disso, às vezes tudo isso
A cada minuto deixo de fazer algo ou faço algo, escolha um

De novo
Nada
Diante de mim
Cadê a âncora
Cadê o cais
Cadê o vento que sopra em paz
É a dor, a que mora em mim

Barulho das sirenes indo e vindo é meu presente
O silêncio de um dia são antigas férias pagas
Não se espante
Com a insatisfação
Ou então se eu quiser drogas, álcool ou sexo. Distração?
Diversão?
É a recompensa
É a minha paga, nada sei, mas é a incompreensão

Todos estão cegos e surdos, mas falam e gritam
Ou é só impressão?

Junto com pragas, pestes, insetos, basta eu falar
Buzinas, plástico, é o lixo,
O sol escaldante não pára pra eu passar
A Cidade é assim

Bafo quente de cima abaixo
O ar quente do asfalto
E todo concreto, é tudo concreto
Sim, concreto
Falo alto é, eu sou assim

E quanto à nossa lama, soterrada, a que abriga o fim
O que estava ali ontem, já deu gritos, morreu e não levou fama
O dinheiro comprou o que vivia
Triste, enfim

As avenidas e filas de carros impacientes se dividem para alcançar
caixas pequenas e pessoas pequenas
Comum
Lugar Comum

Oxigênio, busco ar frio e a aparência de normalidade

Saio da cama, e tento a vida
É solução sim.
E o que restou de mim.

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