Ouça e baixe "Necrofilia Canibal Subaquática", o primeiro EP doDolphins on Drugs

por - 11:28

[caption id="attachment_27986" align="aligncenter" width="695"]Dolphins on Drugs - Foto por Lucas Mello Foto por Lucas Mello[/caption]
O Dolphins on Drugs é uma enorme sessão de descarrego feita por integrantes de bandas que já passaram ou por aqui ou pelo Hominis. Formado em um chat do mensageiro instantâneo mais popular do momento, o WhatsApp, Jéssica Fulgânio (Ema Stoned/bateria), Lucas Lippaus (Herod/guitarra) e Theo Portalet (Hangovers/guitarra) resolveram se juntar e tocarem.

Pra tentar explicar o som vamos voltar um pouco no tempo. A maioria de vocês já assistiram aquele desenho Capitão Planeta, certo? Quando os jovens ecologicamente corretos precisavam chamar esse herói, cada um apontava o anel para o mesmo canto e gritavam "terra, fogo, vento, água e coração" e ele aparecia, após um grito de "vai, Planeta!". O Dolphins on Drugs é isso e essa definição nem é minha, eu roubei dessa entrevista, quem falou foi o Theo.

Aproveitando o lançamento do primeiro EP deles, Necrofilia Canibal Subaquática, conversei com os três integrantes sobre a despretensão do projeto, a relação de marcas com bandas e outras fitas. Eles dizem que após colocarem nas ruas a versão em k7 do disco, que sai via Libertatia Records, farão um suícidio coletivo no palco. É esperar pra ver. Enquanto isso, ouçam os sons abaixo. Ah sim, nesta sexta-feira (25) já sai o primeiro clipe do trio. Fiquem ligeiros.


Quando assisti ao teaser do EP de vocês, o Youtube deu play automaticamente neste vídeo. Apesar de ser uma pergunta que eu nem viajo muito em fazer, esse vídeo tem relação com o nome da banda? Porque seria muito foda se o Youtube soubesse disso e eu não.

Theo: Esse é mais um caso de banda criada a partir do nome. Vi o vídeo no Youtube e encaminhei imediatamente pro Lippaus e pra Jéssica. "Não sei que som vamos fazer, nem como, mas o nome do rolê nós já temos!" (risos)

Lippaus: O nome da banda foi inspirado nesse vídeo na verdade (risos). Antes mesmo da banda se formar a banda já tinha esse nome, Theo assistiu o vídeo e me mandou dizendo "esse projeto precisa se chamar Dolpins On Drugs". Achei surreal ver golfinhos se drogando com uma toxina de baiacu, concordei com o nome na hora.

O Dolphins on Drugs soa pra mim como uma grande sessão de exorcismo para os três integrantes do grupo. O ritmo, o peso na guitarra, a forma como a bateria é tocada me fazem pensar nisso. Por que montar o Dolphins on Drugs?

Theo: A banda nada mais é do que uma junção de pessoas com referências em comum, mas com experiências diferentes. Foi muito fácil deixar o som com a nossa cara, pois no nosso entendimento, havia sinergia entre as bandas "titulares" de cada um. A gente não se conhecia pessoalmente, mas em apenas alguns minutos de ensaio já vimos a dimensão que aquilo poderia tomar. O peso/exorcismo é algo que está diretamente relacionado à forma como a gente se relaciona com a nossa música, não teria como ser diferente!

Lippaus: Acredito que resolvemos montar a banda por justamente não existir nenhum impedimento. Apesar de tocarmos em bandas de estilos diferentes estamos no mesmo "circuito indie". Nossas referências artísticas, experiencias com banda e amizades em comum são muito semelhantes. Logo somos três pessoas que resolveram se juntar para fazer um tipo de musica que não haviamos feito antes, o que foi bem divertido.

Cada membro toca em uma outra banda, a Jéssica na Ema Stoned, o Lucas na Herod e o Theo na Hangovers. O que cada um de vocês trazem para o Dolphins on Drugs e o que vocês buscam esquecer desses grupos na hora de tocar?​

Theo: Eu carrego a Hangovers pra todo lugar que vou, é algo que está incrustado em mim. Não saio de casa sem! (risos). Não tento esquecer de nada, tento trazer o máximo de elementos possíveis do que eu fiz até então, pra a partir disso, em contato com meus amigos, dar o próximo passo pra fazer algo diferente. Toco com a mesma guitarra, uso os mesmos amplificadores, os mesmos pedais, o mesmo grave cremoso e crocante que caracterizou o som da Hanga e me trouxe até aqui. Imagina tipo um capitão planeta; eu grito "PESO!", o Lippa grita "FRITAÇAO!", A Jé grita "PSICODELIA INTERMINÁVEL" aí aparece um ser estranho voador e fala "PELA UNIÃO DOS SEUS PODERES, EU SOU UMA AMALGAMA ESCROTA DE BARULHO ENSURDECEDOR E CHEIO DE GROOVE ANATEMO! VAIIII GOLFINHO!"

Jessica: As jams com a Dolphins são grandes sessões de descarrego. Trazemos nossa bagagem mas não abrimos mãos de experimentar e testar o que der na telha.



[caption id="attachment_27987" align="aligncenter" width="695"]dolphins on drugs Foto por Lucas Mello[/caption]
O nome do disco, Necrofilia Canibal Subaquática, me faz acreditar que a banda é pra não ser levada tão a sério. É isso mesmo? Não devemos encanar tanto com o que vocês fazem e em como o Dolphins on The Drugs vai seguir?

Theo: Gostamos de nomes grandes e escrotos e somos bem humorados pra caramba, mas levamos a sério nossa brincadeira de ser brincalhões.

Vocês citam o Detonautas Rock Club no release da banda. Gostariam de agradecer o Tico Santa Cruz por algo nesse legado incrível dele para com o rock nacional? Dinho Ouro Preto, enfim, tem muita gente que vocês podem agradecer neste momento.

Theo: Eu agradeço nossas mães e seus úteros incríveis! É normal num release de banda citarmos bandas ou referências, achamos que seria interessante fugir de qualquer rótulo inicial citando uma banda que, assim como a nossa, foi criada num chat virtual. Os únicos Dinhos que eu reconheço são o do Grêmio campeão de tudo e o dos Mamonas Assassinas, cara!

Vocês gravaram algumas coisas na sessão do projeto Converse Rubber Tracks. Como rolou isso e como vocês enxergam essa relação entre artistas independentes e marcas atualmente?

Theo: O Converse Rubber Tracks é um dos maiores responsáveis por estarmos lançando o projeto. Através do Lippaus e sua famosa lasanha de shimeji conseguimos uma data para gravar no Family Mob, e foi o que permitiu registrar o processo em alta qualidade. Até então nosso plano era simplesmente se conhecer e ensaiar, pois eu só estaria na cidade por alguns dias. Somos muito agradecidos a toda a infra e suporte que o projeto nos deu, foi foda! A iniciativa de dar esse tipo de oportunidade para artistas independentes é incrível e agrega ainda mais para nós que sempre fomos difusores da marca ao natural. Mas tem um monte amig@s trabalhando em paralelo, nos dando todo o suporte para conseguir idealizar o projeto todo. A mixagem ficou por conta do Davi Rodriguez (Ressaca Records - ALE), arte gráfica por Camila Fragazi (Don Rodrigues Tattoo), fotos e vídeos de divulgação por Lucas Mello e lançamento das cópias físicas em K7 pela Libertatia Records do nosso amigo Diego Caldas, sem falar no lançamento virtual que fica por conta do selo do Lippaus e do Elson, Sinewave.

"Após o lançamento físico a banda pretende fazer uma apresentação única, que vai terminar num suicídio coletivo em pleno palco, na intenção de alcançar o sucesso póstumo através de táticas de marketing que ainda não foram comprovadas.". Se isso não rolar como o planejado e no final das contas ninguém morrer, o que vocês pensam em fazer com o Dolphins on The Drugs?

Theo: Se ninguém morrer a gente vai mudar o nome da banda para Andorinhas do Metal Mortal (AMM).

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