Sobre o amor e outras drogas em série

por - 14:00

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Isso é uma impressão minha de Love, uma série recentemente lançada no Netflix que, além de contar com uma trilha sonora surpreendentemente boa, ilustra a fábula do amor de forma incrível, contando com todas as alegorias que fazem a realidade virar uma mágica de sensações e sentimentos. Porém, obviamente, nada disso acontece na série. A primeira temporada narra uma sequência de tropeços que Gus e Mickey levam ao tentar seguir convenções ao invés de simplesmente se deixar sentir.

É claro que se deixar sentir é diferente de agir por impulso. Os impulsos são claramente nocivos a estes dois. Gus é quase tão imaturo quanto o Mordecai – o pássaro azul do desenho infantil Apenas um Show. Enquanto ele segue instintos infantis do homem médio (~big boobs e reconhecimento na carreira~), esquece de prestar atenção nas palavras, age por impulso e vira um saco de vacilo com quem demonstra gostar dele. Imagino o peso do fardo da frustração que ele carregaria de encarar uma vida familiar, com filhos, esposa e tapete, e uma personalidade bagunçada assim.

Mickey não está muito atrás. Ela sempre quer que magicamente façam tudo funcionar por ela. Quando se fecha na conchinha, não mede esforços para cagar e andar e fazer o tipo não dou a mínima. Um sms escrito "to colando aí :)" não teria estragado a festa da música de filmes. É claro que deve ser bem treta ter paciência pra lidar com sentimentos intensos e repentinos tendo o histórico de relacionamentos machistas e abusivos que ela tem, mas nada justifica ela ser assim até com a miga Roomie (pior ainda com a mina dos gatos).

Por outro lado, Eileen, ou sei lá o nome da australiana, consegue fazer o amor funcionar muito bem, ali de fininho, na coadjuvância. Ela e seu namors gordinho tocam a marcha do amor com maestria conversando sobre assuntos que eles dominam e tem interesse genuíno, e aproveitando cada momento junto com sinceridade e de coração aberto. Como diz o Queen em "Play The Game", tudo que você tem que fazer é apaixonar-se. Aguardo ansioso uma temporada em que eles sejam os protagonistas.

Aliás, o som do Wilco que fala "I'll fight for you" ilustra bem essa falha na primeira experiência de Gus e Mickey. Tudo que eles não fizeram foi lutar pelo sentimento, esperar o bem e criar expectativa na boa fé. Amor é algo que só se sente acontecendo, naturalmente impulsivo, e por isso é uma combinação de probabilidades. Sendo assim, ele raramente acontece quando estamos hostis ao exterior, à realidade, ao mundo, e essa hostilidade geralmente é uma defesa natural de quando estamos vulneráveis sentimentalmente. Só que quando nos sentimos assim, metemos os pés pelas mãos, e daí precisamos passar por vários transtornos pra conseguir voltar ao mesmo posto de gasolina que nos fez perceber isso. A boa e velha jornada do herói amor.



[Se falei algum spoiler, perdão. Mas peço e recomendo um dominguinho só de dedicação pra devorar a série de sentimentos chamada Amor.]

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