Prosas do Upperground

por - 14:08

Fiedman e Pinochet

I
uma mancha de morte
nascedouro epidérmico
são chamas comendo beiradas do corpo
esgoto reverberando paranoias
caçadas humanas com lanças
javalis encurralados ao lado da janela
guinchando
correndo corroendo carcomendo
auto fagocitando

II
adictos em tapas nas costas
suicídios assistidos quando se vão
cadáveres desacordados andando sozinhos
a depressão é uma arma do sistema
carregada ao primeiro sinal octaedrocubano
de transcendência humana

III
nos deram a democracia que Eles queriam que fosse dada
agora
nos darão a justiça que Eles querem que seja dada

[sob aplausos de babuínos adestrados pela meritocracia]

IV
em quatro meses
enquanto as sobras
são deixadas aos cantos sujos da pirâmide
e os abutres estiverem
a comer os podres restos do cadáver
espero realmente que esse cercado
onde as fezes de porcos são cíclicos de Krebs
essenciais ao desenvolver vermes
arda em febre
e morra em chamas
com o coração transpassado por uma lâmina

VI
dissolução d’alma humana
inerente ao construir tecnologias pós modernas
quanto o suor do trabalho escorre
dilatando poros como bocas
urrando por um inalcançável mérito
mais escorre ao chão a essência do mutualismo humano

VI
poça que separa o amor de um casal e seu filho
de todas paranoias viventes
cercados por uma redoma de plástico no coletivo
protegidos dos animais
canibalizando-se no calçamento
serpentes venenosas ejaculando ricina
enquanto senhores corporativos
apertam o pescoço basal cada vez mais
mini universo a consumir seres vivos
o corpo que se destrói à partir do diafragma

VII
os rostos pintados deitados verticais
em uma quase lágrima
pés encravados por sujeira
por debaixo das unhas
os recortes por menores do corpo
fuligem fuselagem fundido aço
por dentro do coração
arrastado na binariedade do pós-modernismo cancerígeno
entre poetas proféticos & moradores de rua
querubins caídos do capitalismo

VIII
eu um idiota por completo
a pensar ser possível navegar em vitórias
enquanto o cérebro é cremado
com o passar do tempo
das beiradas ao centro
assim rezo para que a cidade continue a queimar

IX
na porta da Rota
uma escopeta trôpega equilibra-se
enquanto pede à todos que mantenham a calma
enquanto aperta o gatilho
sangue como adesivo
no vidro do coletivo
encobre o brunch selecionado dos notáveis

X
anti ácidos sopram enquanto
um contra hipertensivo
trata o ventrículo
como viciado
em Lexotan
Frontal
Clorazepan
o elefante suicida
rodando a tromba em nossas costas
tudo o que sobra são pedidos de desculpas
pela existência
& o urro esmagado pelo cotidiano

XI
os gostos reais são feitos de plástico
pífias tentativas em sermos tudo
aquilo que querem que sejamos o tempo todo
anestésicos ligados ao cérebro
desfilam por fibras ópticas nascidas no asfalto
enquanto boiamos em restos de pele, sêmen & carne humana

FODA-SE O HOMEM PÓS MODERNO
EU QUERO É SANGRAR DIAZEPAM

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