A inquietação de Lucas Santos

por - 11:00

[caption id="attachment_28184" align="aligncenter" width="695"]carne_doce por Lucas Santos[/caption]

O Lucas Santos é um carioca um tanto inquieto. O cara gosta de fazer as coisas, movimentar-se e produzir, não a toa que montou uma produtora, chamada Life Is a Worth Work (LIAWW) e com ela passou a gravar uns vídeos que batizou de LIAWW Sessions, em que filma alguns artistas independentes no Rio de Janeiro.

No Youtube do projeto a gente pode encontrar uma pá de gente boa, incluindo Jair Naves, Jonathan Tadeu, Ostra Brains, Calvin Sucena e do power trio, Catillinarias, que saiu ontem e você confere aqui embaixo.

Troquei uma ideia bem rápida com o Lucas pra entender como um carioca do subúrbio faz para se manter inserido dentro de um ciclo feito por uma galera classe média, o que o motiva a fazer tanta coisa e um acervo que está construindo.

https://www.youtube.com/watch?v=qkqowri_tGI

Como e por que começar um projeto com vários focos de atuação como o LIAWW?

São os vários focos de atuação do meu trabalho mesmo. Fotografia, audiovisual, edição... É um depósito de trabalhos feitos na verdade, mas além disso rola muita parceria com marcas/selos de outras pessoas, que funcionam de forma parecida.

Quem faz o LIAWW Sessions? Quais são os próximos artistas e qual a ambição com o LIAWW Sessions?

O LIAWW sessions é organizado por mim, daí tem apoio de alguns amigos que filmam também em alguns trampos, a mesma galera que organizava comigo o projeto Subsolo (que volta em breve). Pro mês que vem tem ainda vídeo da Neiva e da Salvage. A ambição é ser uma plataforma que democratize vídeos para bandas, como um serviço mas adaptável pra cada realidade. A banda decide o quanto pode investir e é baseado nisso que ela tem um material possível para esse investimento, mas com qualidade de session, qualidade boa para divulgar o trabalho, nada feito com má fé.

[caption id="attachment_28185" align="aligncenter" width="695"]Ostra Brains por Lucas Santos[/caption]

Você tem um texto chamado "Meu Trabalho É ser Invisível". Nele vejo uma coisa muito interessante: o fato de como é alguém que vem de um bairro mais suburbano e enxerga que o mundo ao seu redor não é o mesmo da galera "independente". Como lidar com essa diferença?

Daquele texto pra cá mudei de opinião em algumas coisas, mas foi bom, porque texto é um registro espaço-temporal também. Eu acho que essa coisa de “artista” é reivindicada de formas diferentes e isso vai depender de onde você vive. Aqui na zona oeste talvez achem que só é artista aquela pessoa que a grande mídia intitula como tal, na zona sul e no centro do Rio tem uma cena que se reivindica mais como artista, mas isso traz alguns problemas também, como a pomposidade em se definir como única cena representativa por ter mais possibilidade de formalizar algumas coisas que em outras regiões são ainda mais caóticas. Mas a baixada fluminense, por exemplo, tem muitos grupos de artistas e eventos que se organizam bem e tem sido resposta a essa separação, como a Bichano Records, Lixo Records, o sarau Buraco do Getúlio...

Você fotografa profissionalmente e está construindo um segundo acervo, chamado "Passagem", que é totalmente o contrário do primeiro. Digo, "Passagem" é focado no diálogo, enquanto o outro em um monólogo. Fale mais sobre esse projeto, como ele começou, porque nasceu e há quanto anda.

De novo, as opiniões mudando... Te falar que agora que o acervo está na metade, eu acho que não se define em um diálogo, mas em várias figuras narrativas. Cada dia com cada/artista banda é uma história que é contada de forma diferente, dando num resultado diferente. Seja pela quantidade de locações, pela duração, pela quantidade de fotos, as diferentes perspectivas... Cada passagem é única. Foram vinte e quatro dias com vinte e cinco artista até agora, tem desde Boogarins, Carne Doce, Jair Naves... até artistas ainda mais regionais como Zé Bigode, Mad Lucas e a banda Ostra Brains. O acervo é um acompanhamento de realidades de bandas diversas, um recorte disso, uma passagem que geralmente acontece por algumas horas de um dia de trampo do artista, seja turnê, ensaio, gravação, etc. Eu acho que as fotos falam mais por elas.

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