A música é o que me alimenta

por - 12:21

[caption id="attachment_28127" align="aligncenter" width="695"]uivorecife Arte por Tampa Branding & Design[/caption]

Quando tinha 5 anos, lembro bem do meu primeiro contato com o vinil. Era um objeto enorme que colocado pra girar em um prato, fazia barulho. O disco em questão era a trilha sonora do filme britânico Carruagem de Fogo, feita pela banda Vangelis, e que ganhou o Oscar de melhor trilha, melhor filme e melhor roteiro, em 1982, ano em que nasci.

A questão é que a música, o som e o barulho sempre me impressionaram. Eu sempre parei para prestar atenção no barulho ao meu redor. Mesmo quando estava em silêncio, o som existia. Cresci consumindo tudo que envolvia música. Aprendi as notas e sei até hoje a música tema do Carruagem de Fogo no piano/órgão que tinha em casa. Mas nunca fui muito além disso na arte de fazer música. Cresci envolvido nisso, vendo a MTV com sinal horrível quando ela chegou no Recife, com o Hits Brasil tocando muita música do sul e venerando o Chico Science.

Na adolescência, o Abril Pro Rock, os palcos de rua atrelados ao RecBeat e semana pré-carnaval tomaram conta. Os shows de hardcore em locais pequenos e infernos da contracultura num Recife Antigo abandonado pereceram e procriaram, invadindo outros espaços da cidade. O Los Hermanos virou um mito em Pernambuco. No hardcore, bandas como Shelter, Holly Tree, Dead Fish, Noção de Nada e Lagwagon fizeram shows históricos para alguns privilegiados.

E isso tudo sempre muito atrelado a tours feitas na raça, passando por outras cidades do nordeste onde pude estar presente vendo shows e conhecendo pessoas. Conhecendo pessoas o tempo todo. Os laços humanos são ampliados quando a música está envolvida. Tudo isso embasado no feeling de escutar música, compartilhar informações sobre som e se reunir para trazer artistas ou chegar em outras cidades. Tudo isso bem antes do Hominis Canidae existir.

Na real, ele existe porque eu sempre fui assim, e como eu, outros loucos também são assim o tempo todo. Partindo dessa ideia e dos sete anos que o blog completa, das várias participações que ele teve e dos desdobramentos de ações ligadas a ele com este site, as mixtapes mensais que estão no Bandcamp e toda a rede virtual interligada através de um email, nada mais justo que tudo isso degringola-se para que as relações virtuais extrapolassem e virassem parcerias práticas.

[caption id="attachment_28126" align="aligncenter" width="695"]Uivo Recife Arte por Tampa Branding & Design[/caption]

Tais parcerias foram iniciadas pelo evento que faremos neste sábado (18), dentro do Dia Da Música na Torre Malakoff. A quantidade de bandas e cidades/estados contemplados nos fez querer criar uma ponte real com esses locais. Não de hoje, mas desde sempre. Então quando levamos o UIVO pra Jampa (ainda tem shows no domingo), tudo isso está atrelado a enorme quantidade de artistas do estado e das ligações que temos por lá. Nomes como Gabriel Araújo, que já passou aqui no Recife e agora se apresenta em nosso evento em João Pessoa e o Ubella Preta, que lançou dois dos seis três trabalhos de maneira exclusiva com o blog, só reiteram e reforçam a importância de nossas redes e desse nosso gostar de música.

Um gostar de música parecido com o que acontece em Natal, nestes mais de 10 anos de festival DoSol, o qual pude estar presente em algumas das edições. No livro do DoSol, o Anderson Foca fala que tudo que ele queria era fazer música. Para nós, podemos parafrasear como tudo que queríamos era mostrar a música brasileira para todo mundo. O Palco UIVO que fizemos domingo passado no DoSol é apenas mais um desdobramento de uma ideia toda voltada para a música. Levar artistas interessantes para um público interessado. O mesmo pode ser dito do role que irá acontecer em Maceió nesta sexta (17).

As loucuras que cometemos e os anos em que disponibilizamos com amor nosso tempo a música, fazem com que pessoas de longe, como o Cairo da NHL Produções, de Salvador, e os mineiros do Aldan, entrem de cabeça em nossas ideias malucas. O mesmo pode ser dito da Casa do Mancha, uma iniciativa que é saudável e serve de referência para qualquer lugar do Brasil. Então, eles toparem parceria com a gente, também nos deixa muito feliz. E isso também serve pro Dissenso Lounge, outra iniciativa que para mim extrapola a música e vira cada vez mais pessoal. Eric e Muriel são amigos queridos que vivem longe, mas estão sempre presentes.

[caption id="attachment_28104" align="aligncenter" width="695"]Uivo Dia da Música Arte feita pela Lane Firmo[/caption]

Falando em amizade atrelada ao amor a música, voltamos para o nosso evento no sábado. Uma iniciativa feita com muito amor e total respeito a música, abraçada pelos artistas que em sua maioria toparam de cara o convite e a ousadia de propor até a realização de oficinas, como o laboratório de Ableton ministrado pelo Esmeraldo (O Dj ChicoCorrea), que se apresenta aqui em meio a uma tour pela Europa ou o afinamento musical e o gosto pelo ruído que tenho com o Yuri Bruscky, do selo Estranhas Ocupações. Misturando veteranos com o Esmeraldo, a novidade de nomes como Hannah e Letícia, que movimentam e interligam toda uma cena no nordeste, trazendo bandas como a carioca gorduratrans, o Fábio Carvalho neste fim de semana, e que em nosso evento, realizarão uma oficina de zines, o melhor meio de informação da contracultura.

E quando amigos que enveredam por outras áreas, ainda assim estão abertos a dialogar com música? O INCITI é uma iniciativa majoritariamente social de pensar a cidade, mas a amizade com Rodrigo Édipo extrapola o social e tem toda uma ligação musical. Desde shows independentes do indie recifense, até a entrevistas longas com o projeto/revista MI. Tudo se interliga, música, sociedade, ideias de mudança e anseios de um tal futuro melhor.

O Brasil é enorme, apenas a ideia de ter a chance de interagir com bandas de lugares tão distante, mesmo que virtualmente já seria demais agradável. Imagina ter a chance de ajudar as mesmas a rodarem, sejam bandas novas como a pernambucana Inner Kings, ou com nomes de maior bagagem como o grupo potiguar Koogu. O importante é trazer a música e a informação ao alcance de todo mundo. Se eu e o Paulo conseguimos fazer isso, acho que já estamos por demais felizes. Se vocês quiserem abraçar a ideia, chega junto que com mais gente só melhora.

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