D_M_G é amor e muitos vídeos

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[caption id="attachment_28114" align="aligncenter" width="695"]D_M_G por Mariah Benaglia D_M_G por Mariah Benaglia[/caption]
O projeto D_M_G foi um dos grandes destaques do UIVO #02, que aconteceu em março na Nós CoWorking Recife. A simbiose entre as batidas da música eletrônica e a integração de cabeças musicais criando ao vivo é impressionante. A dupla formada pelo norte-americano/paraibano Rieg Rodig e Daniel Jesi (Burro Morto) mistura mashups de faixas modernas do mundo pop, filmes antigos e batidas de bandas paraibanas, buscando criar uma experiência espontânea e autoral.

Agora em junho, o projeto se apresenta no primeiro dia do UIVO Jampa, que acontece neste sábado (11) e depois partem para uma tour por São Paulo, se apresentando em eventos do Hominis Canidae. O D_M_G toca na quinta (16) no HC Apresenta na Casa do Mancha junto com o Afro Hooligans, já o RIEG se apresenta no Uivo Dissenso, que acontece no sábado (18), no Dissenso Lounge, integrando a programação gratuita do Dia da Música 2016.

Uma característica marcante dos caras é o uso de vídeos e o modelo de divulgação. Apesar de fazerem parte do casting do selo eletrônico TUNTSUM, da Paraíba, não existe a pretensão de lançar um disco, EP ou algo parecido. A maior parte da divulgação é feita usando vídeos e pouco som autoral foi editado no formato de música mesmo.

Aproveitamos a ida deles para São Paulo e resolvemos bater um papo sobre o D_M_G. Pra variar, a dupla não foi normal em suas respostas. Os integrantes criaram um vídeo, que foi dividido em duas partes, com as perguntas que enviei para eles.

Já que o Rieg é gringo, vamos colocar aqui o texto da entrevista e os vídeos, quase uma tradução simultânea para quem não entender o ótimo sotaque paraibano do americano (risos). No vídeo fica claro o tom irônico do D_M_G, mas não se enganem: o profissionalismo e o compromisso com a música, misturados a esta ironia, fazem do projeto uma proposta única.



Por que o D_M_G existe? Existe um objetivo?

O objetivo é criar mais opções usando outras ferramentas melhor. O D_M_G também teve a necessidade de simplificar alguns projetos que temos, além querer poder executar essas ideas em lugares diferentes - de não tão fácil acesso. É esse flerte entre musica eletrônica experimental do computador e cognição numa sala cheio de sample.

Como dialogar com o analógico na música eletrônica?

A única coisa analógica mesmo é a textura das músicas, que vem dos samples mas o resto é tudo máquina e botão (risos). Talvez a pergunta seja mais próxima a “como dialogar entre a musica eletrônica e orgânica?" Mas muitas vezes temos umas ideia pra uma música e utilizamos instrumentos orgânicos pra cobrir certas necessidades digitais.

A proposta do projeto é ser live, então como ter público sem um material como CD ou EP pra mostrar?

O melhor artifício de hoje, vem do passado, é a mixtape. É a forma mais livre e simples (em sentidos ambos bons e ruins) de expor a execução de ideas e resultados de um experimento. Tem também muito material visual já lançado.

Como é o processo de composição do D_M_G ou vocês nem ensaiam?

O processo na maioria das vezes começa livre. Começamos por um mote sonoro. Quando identificamos os ossos tentamos achar a caveira (risos). O que é genial nessa etapa do projeto é que estamos livres para experimentar muita coisa e trazer um background dos outros trabalhos que participamos também. Por convivermos com vários músicos diariamente, sempre estamos escutando dicas e um som que surpreendeu alguém. Isso já faz parte da composição para nós. E de maneira inconsciente isso reflete no que fazemos. O D_M_G tem essa capacidade de se adaptar facilmente. Isso é pratico num projeto. Mas entendemos que é necessário estar no ambiente que alimente isso. Então, como criamos sem uma margem visível. Estamos sempre atrás de algo que não conseguimos ver. Conexão é o que mais procuramos. O que ensaiamos é mais como usar a ferramenta para achar determinada emoção. Gostamos de podermos mudar na hora do show. Gostamos da celebração da música. E no dia que tocamos isso tem que fazer parte da composição.

O D_M_G é um projeto livre sonoramente, mas ele tem interferências externas as cabeças e mão de Daniel e Rieg?

É livre e completamente conectado com os outros projetos que fazemos ou gostamos. Essa junção veio para facilitar coisas que outros projetos nossos não tinham como fazer. Gostamos  que as ideias que nos rodeia possam com o D_M_G ser amplificadas é repetidas. O exemplo disso, temos uma amostra que usamos numa música que é da Burro Morto. Pegamos essa parte e fizemos o resto em cima. Temos que repetir e tocar coisas que achamos significativo. Já fizemos set com partes de música da banda natalense Mahmed (RN) também.

https://www.youtube.com/watch?v=g8deR8qdvQc

Depois de tanto tempo fazendo/mexendo com música, por que aprofundar-se na música eletrônica?

Teve um dia que quando olhamos tudo estava seguindo por esse lados. Desde as músicas que escutávamos e fazíamos ao carrinho pirata na esquina. As vezes os elementos se mostram sem você estar procurando-os e isso se torna mais uma representação de continuidade. Talvez tudo isso seja reflexo de como consumimos a arte. Existe essa amarra com a tecnologia para nós. Sempre estamos na frente do computador fazendo pesquisa. Acho essa simplificação nos apossa na hora de procurar caminho para expor as ideias.

Comentem a frase: "Computadores Fazem arte, Artistas Fazem Dinheiro"

A pessoa colocando ou mudando significado a alguma coisa, já é arte por si. Utilizamos muito do ferramenta do sample ou da recorte, pra re-significar e descontextualizar trechos de músicas, manipulando o computador. É uma relação simbiótica. Uma não existe sem a outra.

Com tantos projetos, me deem uma dica: como romper a barreira do ostracismo?

Pela simples necessidade de continuar. O mundo gira rápido e gostamos de girar com ele. Para nós tudo faz parte da continuidade de se seguir com a ferramenta que você escolheu se expressar. Escolhemos a música como filosofia e trabalho. E com base nisso usamos o que podemos para torna esse aprendizado contínuo.

O que a mídia pode fazer pelo D_M_G?

(risos) Me pergunto todo dia isso. Acho que a mídia pode nos conectar com a frequência que estamos. Isso para nós é algo que damos muito valor. Queremos trabalhar para que a pessoa queira se aproxima e achar que isso vai fazer todos se beneficiarem. Isso faz a roda gira. Queremos fazer parte o ecossistema de maneira construtiva e colaborativa.

Aqui no Recife, existiu uma banda chamada Originais do Sample e eles diziam: "Tudo é um sample, tudo é plágio e pirataria. O ser humano pratica cópia e plágio o tempo inteiro". O que pensam disso?

(risos) Concordo demais. Temos essa mania de dizer que as coisas são nossa sem saber o que já fizeram. Acho quê o que vale é o filtro que foi usado com a mesma variável. Isso é o que torna a coisa original. Sempre achei que quem se propõe a compor, cria metaforicamente,  uma grande antena na sua cabeça. Tem que se treinar para poder receber as frequência que estão por aí circulando. Quando você chega num estágio de entender a frequência ela mostra legível. A partir disso o filtro do seu ambiente entra em ação. Se tivermos menos desapego vamos poder amplificar as ideias que concordamos, que no final para nós é o que mais conta.

Música da paraíba x Música do mundo. Isso existe?

Acho que pelo aspecto do filtro existe. Mais isso nunca foi importante para nós. O que importa é fazer a música. O filtro do nosso ambiente faz isso naturalmente. Nós acabamos absorvendo uma música de uma outra região ou de outro país de maneira diferente. Mas aí na música eletrônica voce vê muito isso na construção. Quando voce viaja mais você começa a entender o que é igual, na construção musical, e o que é somado em cada região. No final procuramos aquela variável que só um local pode ter de maneira espontânea. Tipo o funk carioca. Você pode até tentar fazer ou ter influência disso. Mas o espontâneo sempre vai vim de lá. Nem sempre é com variáveis que alguém pode ver de forma positiva, entende? Nós quando absorvemos o que eles fazem não sabemos de todos os aspectos que fizeram eles chegarem ali. Mas sabemos que vem de lá. Sem dúvidas.

https://youtu.be/3UEieYcgY4A



https://youtu.be/GXS44r945nQ

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