Distúrbio Feminino Fest acontece na Associação Cultural Cecília, em SP

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[caption id="attachment_28243" align="aligncenter" width="695"]BBGG no DF Fest. Reprodução BBGG no DF Fest. Reprodução[/caption]

O Distúrbio Feminino surgiu como um podcast no começo de 2014 e hoje já alcança diversas plataformas. Seja no blog, no próprio podcast ou na fanpage do projeto, Mariângela Carvalho vem cravando um espaço de divulgação, fomento e empoderamento da arte feita por mulheres. Com foco no cenário nacional, mas ligada no mundo todo, o Distúrbio Feminino realiza em São Paulo, neste sábado (23), a segunda edição do Distúrbio Feminino Fest, com as bandas Framboesas Radioativas, Bertha Lutz, Letty e Trash no Star, além de uma série de atividades, todas comandadas por mulheres.

Conversamos um pouco com a Mari, para entender melhor o projeto e o festival.

Pra começar, vamos falar um pouco sobre o projeto Distúrbio Feminino. Quem está por trás do projeto, como ele começou e quais as maiores dificuldades? E as maiores conquistas?

O Distúrbio Feminino surgiu quando houve necessidade de projetar um trabalho sobre a produção musical e artística feita por mulheres após algumas experiências de empoderamento mútuo (como ter frequentado uma edição do Girls Rock Camp nos Estados Unidos) e empoderamento próprio (dar vazão às próprias ideias).

Por ter um grande vínculo com música e bandas autorais, a ideia surgiu como podcast, pois também há um vínculo extenso com rádio e conteúdo em podcasts. Assim, a primeira encarnação do DF foi na programação da webradio Antena Zero e durou de fevereiro de 2014 a junho de 2015 no ar. Pela correria do dia-a-dia e outros trabalhos, o podcast deu uma parada (teve uma edição com os melhores do ano no final de 2015. Dá pra ouvir aqui) mas agora vai voltar a ser postado com frequência.

Apostamos em alimentar a fanpage no Facebook e sempre tem várias novidades por lá. No podcast rolam vários sons, blocos especiais, hits da vida e agora vamos ter também umas entrevistas. No segundo semestre/2015 realizamos o primeiro festival com quatro bandas na Praça do Ouvidor Pacheco s Silva (Sé, SP); o braço "festival" do DF só vai crescer e somar muitas edições.

O Distúrbio Feminino sou eu, (risos), Mariângela Carvalho. Trabalho com produção de conteúdo musical e produção de eventos em SP. Na real nunca tiveram grandes dificuldades com o trabalho do DF em si, muito pelo contrário, as minas adoram e os caras piram também. Sempre há machismo, claro, mas não ligo, finjo que não está lá, porque nenhuma ideia totalitária é bem vinda ao Distúrbio Feminino, que é punk na essência, no mundo virtual e principalmente no real.

Sabemos que é um trampo organizar e produzir um festival. Para vocês, qual a importância de materializar o projeto virtual através do festival?

É a parte mais importante de toda a ideia do que é o Distúrbio Feminino, pensado como plataforma para noticiar a produção feminina. É quando tudo se concretiza, com música ao vivo e um deleite pros olhos, pois o festival sempre traz outras linguagens como artes visuais. Nesta segunda edição teremos expositoras com trabalhos diversos, feito pelas próprias com muita dedicação ao espírito do faça-você-mesmo. Por ser abrigada numa casa, este ano a edição também terá cozinha, já que culinária é também uma arte.

2 DF Fest

Qual o critério de curadoria, tanto para o site quanto para o festival? E nesse trajeto, quais mulheres artistas vocês descobriram e se surpreenderam com o trabalho?

Não estigmatizamos o conteúdo, é meio o que estiver na cabeça na hora: lançamentos que acabaram de sair, clipes legais, eventos feministas, uma ou outra dica de doc e livro, rainhas, discos antigos e seminais, clássicos do rock feminino, notícias quentes, matérias diversas, etc.

Já para as bandas e demais atrações nos festivais há uma curadoria no sentido de "relevância" e "representatividade". Quando digo relevância quero dizer que são convidadas bandas que estejam na ativa e que tenham uma mensagem feminista poderosa para passar (lembrando que imagem também conta muito, afinal, a imagem sozinha já é linguagem) e, por representatividade, entendemos que são bandas lideradas e dominadas por mulheres (bandas cuja formação tenha mais mulher que homem).

Uma das ideias centrais é trazer bandas de outros estados para tocarem no fest. Em 2015 convidei diversos grupos do sul porém não rolou com nenhum (passagens caríssimas) e nesta edição de 2016 calhou de termos três grupos de outras cidades - Bertha Lutz (Belo Horizonte), Framboesas Radioativas (Bragança Paulista) e Trash no Star (Rio de Janeiro).

Também para esta edição, a ideia era celebrar o Riot Grrrl mesmo, que descende do punk rock, HC, post-punk, garagem, então a escalação das bandas acabou sendo melhor do que eu poderia inicialmente pensar. Mais que maravilhoso ter esse time todo no fest!

Muitas mulheres, muitas bandas/artistas, muito talento! Pra ficar em nomes mais recentes, me apaixonei muito de 2015 pra cá por Paula Cavalciuk, Ostra Brains e Metá Metá. Estou sempre surpresa com os trampos visuais feitos pelas cariocas do selo Efusiva e Drunken Butterfly (presentes no festival) e com as grafiteiras do coletivo Efêmmera.

Como foi a primeira edição do Festival Distúrbio Feminino? E o que podemos esperar dessa segunda?

A primeira edição foi muito legal! Tinha uma alta expectativa pois quando se faz evento em lugar público sempre tem as leis para nos enquadrar a qualquer vacilo e as adversidades do tempo. No caso, no dia, o tempo resolveu mudar e ficou um baita frio em SP! Mas isso não atrapalhou e tudo correu como planejado.

As bandas que se apresentaram foram BBGG (SP), La Burca (Bauru), Fronte Violeta (SP) e Travelling Wave (Piracicaba). Todas trouxeram os mais variados estilos e fizeram apresentações bem bonitas. Também rolou grafite ao vivo com as Efêmmeras e brechó da Chega de Assédio. O festival só pôde ser realizado com ajuda do Tsunami Coletivo, também parceiros na segunda edição.

Para esta vez, muito punk rock, discotecagem das fantásticas Feminine Hi-Fi, diversão e sororidade vão lotar a Associação Cultural Cecília, fortalecendo e fomentando a cadeia produtiva feminina.

Para encerrar, qual a importância de ser riot grrrl hoje em dia, no Brasil?

Na real eu demorei muito tempo procurando onde é que estavam as outras grrrls no Brasil. Depois de muitos rolês pelo underground em SP, RJ e outras cidades, fui conhecendo algums garotas e vendo que o riot ainda estava por aí. Para mim foi muito importante pois sempre achei que essas minas tinham ficado no passado mesmo; obviamente nunca encontrei essa identificação com minhas amizades masculinas porque, embora os caras adorem Bikini Kill, por exemplo, eles nunca entenderão o que é ser esmagada por regras da soberania do sistema masculino.

É de extrema importância as minas que se consideram Riot Grrrls se unirem pois não são muitas. Me parece que tem havido uma nova onda do movimento, motivada pelo faça-você-mesmo e por toda a revolução do Divino Feminino em si, e isso é mágico. Espero que várias garotas jovens estejam presenciando e participando do festival.

Apenas nos conhecendo e nos encontrando poderemos criar bases para expandir nossa ações e sonhos. O festival prova que isso já deu certo. Muito obrigada a todas as minas movimentando e fazendo disso uma corrente sem fronteiras.

2º Distúrbio Feminino Fest
Quando?
Sábado, 23 de julho, a partir das 15h.
Onde?
Associação Cultural Cecília - Rua Vitorino Carmilo, 449 - Santa Cecília - SP
Quanto?
R$ 10 (dinheiro ou débito)
Info?
Facebook

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