365 Girls in a Band - Review #21

por - 11:15

Downtown Boys

Pode ser difícil imaginar o que MC Carol, Viv Albertine, MC Soffia, The Gits e Downtown Boys têm em comum. Pensando na lista dessa semana, não pude deixar de notar que cada uma dessas artistas e projetos usaram incômodos do seu mundo para fazer sua música e assim vem causando pequenas revoluções, choques e questionamentos, e transformando o universo ao seu redor. Ser mulher, ser negra, ser periférica, ser imigrante, ter mais de 30 anos e fazer rock: dá um play nas músicas abaixo para conferir que a revolução será, sim, dançada.

MC Carol

https://www.youtube.com/watch?v=ZfZLPXLGwUs

MC Carol ganhou as páginas de vários sites de música nacional recentemente com o single "Delação Premiada", um tiro certeiro na situação social e política do país. A cantora e compositora sonhava em ser advogada, acabou indo parar no funk e mesmo ali, uma série de sucessos aconteceram por acaso. "Meu Namorado é Mó Otário" virou hit feminista, levando Carol a se integrar no movimento e "Não Foi Cabral" trouxe essa pecha de funk político, chamando a atenção do público. "Delação Premiada" é uma espécie de consequência do local em que esses acasos foram levando a funkeira. Depois de perder toda a sua mobília numa enchente em casa e ficar três meses hospedada com sua empregada doméstica enquanto fazia uma vaquinha para remobiliar o lar, MC Carol mostra que o país não é mais o mesmo e a revolução está vindo de muitos lugares diferentes.

Para saber mais: Twitter, El Pais, O Dia

Viv Albertine

https://www.youtube.com/watch?v=COGFTS4egQQ

Crescendo numa Londres decadente, com um pai relapso que sumiu ao se separar da mãe, Viv Albertine ia ser o primeiro membro de sua família a ter um diploma de nivel técnico. Mas no college conheceu Mick Jones, do The Clash, fundou a banda Flowers of Romance com Sid Vicious e se tornou a guitarrista de uma das bandas inspiradoras desse projeto (e do rock): The Slits. Quando a banda acabou, Viv se tornou instrutora de academia, resolveu voltar à escola e estudou cinema, trabalhou com produção, largou a carreira profissional para cuidar da filha e de um cancêr grave e depois de tudo isso, se reinventou musicalmente, voltando aos palcos de maneira solo e fazendo um som punk com letras que tocam o sexo, drogas e rock'n'roll pelas questões de ser uma mulher com mais de 50 anos. Viv é incrivel e inspiradora para mulheres de todas as idades.

Para saber mais: Site Oficial, Wikipedia, Facebook

MC Soffia

https://www.youtube.com/watch?v=b1Uf6_SV5_8

MC Soffia é uma criança e sabe disso. Ao contrário de muitos fenômenos mirins, ela valoriza sua hora de brincar, adora suas bonecas pretas, não faz show a noite e além de cantar, sonha em ser jogadora de futebol, médica, cantora, atriz e modelo. Começou a cantar antes de saber escrever e começou a rimar com ajuda de professores. Depois de passar por pressão, alisar o cabelo, aos 11 anos Soffia começou a trabalhar letras que valorizassem a cultura afro brasileira, a infância e que as meninas aceitem seu cabelo como ele é. Soffia vem combatendo o racismo e trazendo empoderamento, auto aceitação e auto estima para crianças negras de todo o país. Apesar de pequena, a mensagem de Soffia é grande e vem criando uma reforma de base essencial para ajudar as crianças negras a combater o racismo em seu dia-a-dia. Um exemplo de vida e uma cantora-compositora impossível de não amar.

Para saber mais:Prazer, eu sou MC Soffia, Princesinha, que nada!, Facebook

The Gits

https://www.youtube.com/watch?v=KKUwTNvzwAk

A alma da banda de Seatle era Mia Zapata, sua vocalista e guitarrista. Criada em uma família artistocrática e tradicional, Mia sempre transitou entre o mundo em que nasceu e aquele que escolheu para viver. Morando com seus amigos em uma casa abandonada, a artista se ligou a vários movimentos sociais e tinha um envolvimento sério e comprometido com diversas comunidades e causas. Sua presença magnética e inspiradora colocou a The Gits entre as bandas feministas de um grunge ainda em gestação, apesar de ter apenas ela como mulher entre os integrantes. Brutalmente violentada e assassinada quando voltava para casa uma noite, Mia Zapata foi a inspiração para o movimento Home Alive. Seu assassino só foi encontrado nove anos após o crime.

Para saber mais: AllMusic

Downtown Boys

https://www.youtube.com/watch?v=YxICtrp1ZmM

Se não posso dançar, não é minha revolução. O bordão de Emma Goldman é levado as últimas consequências pela banda " festa bi bilíngue política punk sex", em descrição da própria Downtown Boys. Tendo a frente Victoria Ruiz e como co-fundandor Joey La Neve DeFrancesco, a banda canta em inglês e espanhol, letras sobre direitos dos trabalhadores, dos imigrantes e questões igualdade (de gênero, raça ou socia) embaladas por melodias que colocam qualquer festa para cima. Suas apresentações tem uma energia e uma questão física que choca e impressiona os críticos. Sem fazer concessões e com um álbum de estreia intitulado Full Comunism, a Downtown Boys vem mostrando que é possível uma resistência que também é festa.

Para saber mais: Bandcamp, Facebook, Rolling Stone

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