Blink-182 - "California"

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Blink 182 - California

Depois de passar dos vinte e dois anos, sinto que a vida tem passado relativamente mais rápido. O tempo é um conceito muito abstrato quando se é jovem e na medida em que você sente ele fisicamente, seja com aquela sonolência fora de hora ou aquelas dores nas costas, o tempo se torna mais concreto. E os minutos são mais valorizados. O Blink 182 percebeu isso e resolveu lançar um disco novo agora em 2016. California acabou vazando e eu dei uma ouvida até pra sacar se valeria a pena, já que a banda não lançava nada desde Dogs Eating Dogs, de 2012.

Fato é, Tom DeLonge não é mais o guitarrista/vocalista, dando espaço para Matt Skiba (Alkaline Trio) assumir o pesado fardo de continuar com as piadas ruins e os bicordes oitavados. Muita treta judicial motivou essa saída, além dos projetos de DeLonge. Particularmente, o Box Car Racer era algo até interessante, mas Angels and Airwaves e sua carreira solo são demais para mim.

O álbum me faz lembrar o Blink que todos aprenderam a amar e respeitar ao longo dos anos, por uma simples questão. Ainda é rápido, na medida do possível, e melódico. A produção foi lá no alto com a mixagem digna de disco do Dr. Dre, o que pra mim foi uma grande novidade, e instrumentalmente é possível observar a maturidade da banda, que apesar de não ser absurdamente técnica pela simplicidade do famigerado “pop punk”, se mostrou comprometida em entregar o melhor que dava, apesar das divergências com o guitarra antigo, Tom DeLonge e com a incorporação do novo arranhador, Matt Skiba.

Mark Hoppus, baixista, assina parte majoritária dos vocais, o que até faz sentido se lembrarmos que Mark foi o vocalista de maior parte dos últimos sons, mas Skiba também tem participações nada tímidas ao longo do disco. Percebo o quanto esse disco foi pensado de fato como um disco convencional do Blink 182, não tendo um destaque único, mas focando no coletivo, tal como o Corinthians de Tite. E a comparação não para por aí, já que não há estrelas e muito menos estrelismos em ambos, o que no fim sugere uma exaltação ao grupo, que entrega aquilo que tem condições e que até convence naquilo que se prestou a fazer.

Skiba talvez tenha feito muito bem ao Blink 182 no que diz respeito a aquilo que faltava na banda desde a primeira vez que eles se separaram. Um ar novo, uma esperança de que o Blink consiga finalmente fazer com que entendam que a era da punheta acabou e agora os adultos tem que dar uma amadurecida real. Ainda que não como um real adulto, mas como o jovem adulto que é o Blink, agora com praticamente vinte anos de idade. Este ar novo pode ser observado na faixa "Los Angeles", que de uma certa forma me lembra o Alkaline Trio, mas que ainda soa melodicamente Blink 182.

Liricamente, bem, não dá mais pra falar de punheta nas músicas, o que eu considero uma pena, mas este amadurecimento também se mostrou claro nas composições. A maturidade, a sobriedade e a responsabilidade bateram à porta. Ou quase. “Brohemian Rhapsody” e “Built this Pool” são claras alusões ao que era a banda e “Sober” ou mesmo “Left Alone” são contrapontos daquilo que se mostrou sendo a maturidade a qual todo adolescente um dia temeu numa tarde de sábado, depois de pizzas, videogames e o encontro no cinema com aquela mina de fé.

Por fim, devo dizer que achei um álbum mediano. É difícil ouvir Blink 182 depois que se cresce e me machuca perceber isso. Não que não consiga ouvir certas coisas deles, mas perceber esta diferença nos sons é perceber o quanto certas coisas funcionavam melhor em outro momento.  Não há basicamente nada que o disco novo faça de errado ou mesmo de ruim, muito pelo contrário, fico curioso até para dar uma checada em como será a banda ao vivo.

Para mim, é difícil pensar em hoje e no ontem se referindo à banda sem pensar no retrocesso que as vezes pode ser a maturidade. Muitas bandas me soam diferente por conta disso, portanto, a culpa disso é o tempo. A crítica, que não me inclui, tem recebido bem o disco, acreditando que este foi o jeito mais adequado e natural do Blink 182 fazer novos fãs. Bem, talvez alguém possa se preocupar com o disco a ponto de dar uma ouvida nele, afinal de contas, alguém já se preocupou em escrever impressões sobre ele.

https://www.youtube.com/watch?v=tC97caHUgKk&list=PLeKpZI54gF0vrXYqZ10FwcPDXXzqvmGLD

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