Eu prefiro as dimensões paralelas

por - 12:13

collage

a teoria dizendo que vivemos em paralelos mundos cercados
por cordas suspensivas dimensionais...
os pensamentos que desatam a paranoia
controlada sempre por uma homeostasia aquática perfeita
células enxaguadas a separar fatos por décadas...
onde discos interligados existem como se fossem extremidades
em buracos de minhocas...

os mesmos onde crises se repetem
cíclicas
em nefastos profundos esfolando a humanidade.

Discos são uma prova mais
dessa roda de rato - evolução humana

sendo assim, temos em Weird Fishes a tribalidade de Little Creatures exata
- para ser mais exato Lady Don’t Mind -
junções em claves da Talking Heads - tambores em pop dançante –
são pertencentes aos mesmos helicoidais cordões
das notas binárias usadas como repique...
como repiques... repiliques... In Rainbows.

a definitiva transcendência da Radiohead
só poderia nascer em movimento
pequenos movimentos de acordes ritmados, velocidade e suas variantes...

a volta iniciada em Little Creatures
encontra seu ponto correspondente noutro tempo.

...é preciso ater-se aos detalhes interseccionais desta grandeza física, o Tempo,
demonstram quanticamente sempre que possível essa ligação
não só na música... dobras no tempo estão em explosivos sinais
observados... marcas nos acontecimentos pós - pós modernismo...
interações humanas descritas em narrativas como The Lady Don’t Mind & All I Need

são jabuticabeiras que transitam entre mundos distantes
a colabar...
Faust Harp identificava já em sua letra
,“pretty patterns... pretty patterns”,
dramas como And She Was & Jigsaw Falling Into Place

... é preciso ater-se (a)os destroços pedaços e nós
deixados pelo caminho.
ater-se à coluna em sólido âmbar entreposta transversa à faringe
pelas mãos de esquecidos padrões
de repetição
[até em pesquisas encefálicas.
ater-se aos ladrilhos manchados por sangue
ao asfalto entrelaçado por tinta
aos olhos a refletir o verdadeiro sou.

...contudo, nem tudo que se encontra nessas ligações de tempo
têm a parada de Reckoner, repleta em dançar infinito
nascida And She Was... entre circulares notas evolutivas.
...vagando pelo contrabaixo da volta.

as rê voltas do policial contra o mafioso
justiceiro vestido por ternos do bem
o bandido lobo e sua pele popular
os protegidos por João Goulart debaixo do viaduto
o caminho da pacificação ladrilhado pelo pânico
os artefatos explosivos em seu berço prisional
o modo de tortura do Ocidente sem citação
os gregarismos maniqueístas onde residem dois polos
a colidir diariamente!

... eu prefiro as dimensões paralelas
onde a evolução destas canções é mais educativa
aos mesmos discurso repetidos
separadas bocas políticas continentais
nos saltos da história a unir Thatcher, Bush & Trump.

eu prefiro as dimensões paralelas
locais onde outrora é a propriedade,
a viver desaparecida por entre comunas –
associações mutualistas -...

comunas de palavras conectadas ideologicamente
como quando bodysnatchers encontram the road to nowhere
completam-se quase que imediatamente:
but we don’t know where we’ve been
e
i have no idea what i am talking about”.

são quase didáticas
melancolia do aprender o corte cortando-se.
onde o mais genial dentro as duas faixas
é que na Estrada, em gene de tribal dança,
além da conversa com a letra de Bodysnatchers como significado
alquimia as notas com Reckoner.

e há de ouvir-se ainda que otimismo cravado em Creatures of Love
não é a redenção em Wierd Fishes.
ou ainda que
suingues de Lady Don’t Mind não tem cadência em House Of Cards

... ou ainda não conhecer Iggy & The Stooges.

a conversa de como o ser humano auto relaciona se
com a sociedade - e obviamente – o Estado,
é atemporal... por isso de extremo impacto
Walk It Down a sobreposição em Faust ARP sobre ganância

talvez a maior dobra no tempo seja a que coloca ambos discos
em posições no espaço correspondentes
nas pesadas transições governamentais
as mentiras de Ronald Reagan e o derradeiro fracasso de George Bush Filho
períodos onde o peso do autoritarismo seja ele liberal ou militarista
foram determinantes para a involução do mundo
a reflexão sobre tempos pré-caóticos aos oitenta
e a redenção disfarçada de desespero nos zero zero

outra vez mais o caminho se completa e se cruza seguro por cabos
em dimensões pendentes dentro do Tempo
onde as mesmas luzes empilham-se aos mesmos sombreados
just as you dance, you dance, you dance....”

é preciso ater se aos galhos entrelaçados no muro
onde as tristezas das sombras não alcançam o sol
onde os cacos de unhas são apenas incidentes de desespero
onde acordes são palavras nascidas do silêncio
onde todo o arcabouço de pele aos poucos dissolve se
é preciso ater se ao rasgar do corpo percorrendo evolução.

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