O show do Reel Big Fish foi uma colônia de férias

por - 20:39

[caption id="attachment_28350" align="aligncenter" width="1010"]rbf_marcos_bacon_deu_zebra por Marcos Bacon / Deu Zebraa[/caption]

Recordar é viver. Jargão imbecil de quem definitivamente esconde no passado as alegrias que gostaria de sentir no presente, mas que se bem aplicado, pode até conter uma verdade. As vezes o senso comum para no comum, mas pode sim ter um senso, um sentido. Como? Contexto... e timing! Pensando nisso, fui conferir o show do Reel Big Fish no Cine Joia pra sacar qual era a fita.

Ao chegar no pico, deu pra sentir aquilo que já imaginava para um show do Reel Big Fish: camisas havaianas e a molecada dos anos noventa nos olhos de cada um na quilométrica fila que se fazia na calçada. Eu mesmo ostentava a minha camisa de coqueiros, sabia que seria uma experiência minimamente nostálgica, o que fazia completo sentido se pensarmos no alcance que os caras um dia tiveram na mesma década.

[caption id="attachment_28351" align="aligncenter" width="1010"]rbf_marcos_bacon_deu_zebra por Marcos Bacon / Deu Zebraa[/caption]

Depois de fumar um cigarro e trocar ideia com o segurança mais gente fina do universo, ouvimos o abre da banda com “Everything Sucks”, e como quem usa um feitiço barato de Harry Potter vimos a transformação de semi-adultos em adolescentes e jovens de vinte e poucos anos em crianças. E aquilo foi bacana. As vezes encaramos aspectos infantilizados com maus olhos, mas como dito, o timing e o contexto são o que tornam a experiência perfeitamente cabível. Na verdade, divertida pra caralho!

O pequeno eu preso em meu corpo velho e careta não conseguia não se jogar nas rodinhas de mosh, parar as mesmas completamente porque alguém perdeu os óculos e até pular como quem ouve Sandy e Junior em sua música mais sugestiva em toda a carreira. O clima era bem este. A molecada estava ensandecida, sempre cantando junto e interagindo o tempo inteiro com a banda, que é extremamente carismática em praticamente todos os momentos do show. Carisma este que em um dado momento me ocorreu pertencer a uma colônia de férias. Os membros do grupo em momentos interagiam com coraçõezinhos feitos com as mãos, gritos de “olê olê”, pedindo barulho e regulando o volume com gestos de mãos, performances ensaiadas e até mesmo momentos dignos de palhaços de circo. E aquilo tudo era sensacional. Nada pareceu desnecessário, afinal de contas, o timing de tudo e o contexto eram completamente favoráveis.

[caption id="attachment_28353" align="aligncenter" width="1010"]rbf_marcos_bacon_deu_zebra por Marcos Bacon / Deu Zebraa[/caption]

Muito me surpreendeu também o quanto o Reel Big Fish se preocupava não somente em mostrar qualidade na questão instrumental, mas o quanto o senso de humor não foi perdido em absolutamente nada. Beber pra caralho durante a apresentação ajudou muito, com certeza, mas o show que foi feito no Joia não ficou devendo em nada para os que eles faziam no passado. Tal como suas influencias. A banda entregou pequenas versões de músicas populares de bandas dos anos 90, tal como Blink 182, Offspring, Nirvana (!) e NOFX. Sempre com o tom jocoso, claro, sem perder a pegada comédia que a banda sempre ostentou.

A banda entregou muito bem o que se propôs a fazer, sem dúvida. O tom “colônia de férias” só deu uma ênfase ao aspecto nostálgico que o Reel Big Fish já desperta em quem é fã desde os anos noventa. Nada me pareceu forçado, até porque todos estavam na mesma sintonia, provavelmente todos já tinham noção do que esperar. As crianças internas de todos com certeza foram satisfeitas a cada som que o grupo tocava, a cada piadinha, a cada coraçãozinho feito com a mão. E isso foi muito bom. Timing.

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