Odradek faz show no Z Carniceria, em São Paulo

por - 11:11

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A Odradek lançou essa semana o split Sun Seeker ao lado da banda Sphaeras, de Singapura. O disco é um passo bem importante depois da trilogia Homúnculo e mostra um Odradek mais experimental e torto do que nos outros registros.

Aproveitamos a oportunidade e o show que eles fazem nesta sexta-feira (7) em São Paulo, no Z Carniceria, e trocamos uma ideia com o Fabiano Benetton e o Caio Gaeta!

Como é compôr ao lado de outra banda?

Imagino que compor junto a outra banda deve ser algo tranquilo, mas o que rolou foi compor com uma banda que mora do outro lado do mundo, foi uma coisa bem diferente. Não foi um processo fácil, os caras não aceitavam qualquer coisa, a gente também não, jogamos várias partes no lixo e refizemos. Teve até um certo stress pela comunicação lenta por causa do fuso horário e da ausência física, mas curiosamente apesar de todas as dificuldades o que saiu de tudo isso foram as duas melhores músicas que já compomos até hoje.

E como é a experiência de interferir na música dos outros?

Depende muito de quem é o outro, né? Sentimos total liberdade de criticar uns aos outros com o Sphaeras, acho que por isso conseguimos chegar em algo satisfatório. Mas o processo é invasivo, por vezes mexemos em algo que para um era um capricho, significava bastante, mas para nós soou ruim, isso é delicioso e cruel. Compor em conjunto é treinar desapego, (risos).

Esse disco, Sun Seeker, tem uma pegada mais torta que a trilogia Homúnculo. A parceria serviu também como uma espécie de desculpa para experimentar ainda mais no Odradek?

Isso aconteceu, mas foi acidental. Nós estávamos experimentando um outro caminho na verdade. As músicas "Tétrico" e "Triscaidecafobia" têm algo mais linear, até mesmo comparado com o Homúnculo, e fazer músicas mais leves em certo sentido estava sendo uma experiência. Aí chegou o Axel, baixista do Sphaeras, com fixação por timbres pesados e tempos quebrados e a coisa mudou. No começo foi um desvio, logo virou nosso rumo.

Mars Volta ou King Crimson? Por quê?


E agora? Sem King Crimson não existiria Mars Volta. Mas o que vale é o resultado final, então o Mars Volta leva o pote por complementar o que já era ótimo.



Por que investir mais em letras em português?

Nos consideramos uma banda experimental então acho que quisemos nos desafiar. O inglês nos soa como uma língua em que as palavras são mais batidas de sentido se comparado ao português, nossa língua é muito mais romântica, as palavras têm mais peso e isso dificulta muito a composição. É mais fácil você soar conveniente com palavras vazias do que se expor com o português, isso muda a maneira de ouvir a música. Aproveitar a sonoridade e os conceitos da nossa língua é algo lindo, e estamos descobrindo o quanto isso é compatível com a nossa música.

Qual é essa brisa em Odradek, figura de um conto do escritor Franz Kafka e como isso se relaciona com o som da banda?

Odradek é uma coisa que não se sabe bem para que serve, parece sem sentido, mas completo à sua maneira. Está cada hora num lugar, escapa quando se tenta pegar, “domicílio incerto”. Até que essa descrição cai bem para a banda também, mas é mera coincidência, (Risos). Escolhemos o nome de uma lista de nomes estranhos que fizemos, e dentre títulos como Doutor Bacamarte e Creonte esse acabou ganhando.

O mundo é enorme: por que Singapura?

Tudo surgiu de um comentário deles na nossa página, poderia ser de qualquer lugar, a internet é uma coisa louca. Podemos dizer que o planeta é grande, mas o mundo desse gênero musical que chamam de math-rock é uma bolha, são pouquíssimas bandas por país (no Brasil por exemplo só consigo pensar em umas três, a maioria do Rio) e talvez isso tenha forçado uma interatividade intercontinental.

Ainda existe espaço pro novo?

Claro que sim! Independente da época, ser contemporâneo é olhar para o escuro do seu tempo, pra onde não miram os holofotes, e daí encontramos o novo. Somos rigidamente arcaicos e a indústria cultural vende a sensação de que tudo já é conhecido. Mas não conhecemos ainda nossos preconceitos, nossas ações, nossos automatismos. O que conhecemos bem é essa mercadoria chamada novidade, um velho com roupa da moda, uma vanguarda caricata.

Aonde a Odradek quer chegar?

Onde tem boa companhia e comida gostosa. A gente tenta não pensar a longo prazo sem perder a visão de amadurecer como pessoas e músicos.

Premiera Freak apresenta Odradek
Onde? Z Carniceria - Avenida Brigadeiro Faria Lima, 724 - Pinheiros - São Paulo - SP
Quando? Sexta-feira, 5 de agosto, às 23h
Quanto? R$ 15
Info? Facebook

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