Os discos que fizeram a cabeça do El Toro Fuerte na gravação de "UmTempo Lindo Pra Estar Vivo"

por - 07:24

[caption id="attachment_28328" align="aligncenter" width="695"]El Toro Fuerte Divulgação[/caption]

O El Toro Fuerte é aquela banda de BH que faz o que se convencionou chamar de rock triste, apesar de toda a polêmica envolvendo uma simples combinação entre substantivo e adjetivo. Eles lançaram um disco, muito bem recebido pela juventude brasileira, Um Tempo Lindo Pra Estar Vivo, que saiu pela Bichano Records e estão fazendo uns shows por esse maravilhoso país chamado Brasil.

Conversando com o João, que é guitarrista e vocalista do grupo, além de colaborador do Alt, sugeri uma pauta um tanto diferente pra ele. Ver com os outros integrantes da banda, o Diego e o Gabriel, quais foram os discos que eles levaram pra dentro do estúdio e que ajudaram no desenvolvimento do primeiro álbum do grupo.

E se você tá pensando que os caras levaram os links do mediafire da finada comunidade do Orkut Real Emo pro estúdio, bom, não foi bem assim. Entre Los Hermanos e The Cure, os trutas explicam aí embaixo qual foi a onda. Recomendamos a leitura escutando o disco da El Toro, claro, e pra isso, é só clicar aqui.

Diego Soares




Death Cab For Cutie – Transatlanticism

Esse disco foi lançado exatamente nas minhas primeiras tentativas de formar uma banda, ainda na adolescência, embalando The OC no canal da Warner e minha chegada ao segundo grau (risos). Isso sozinho dava um motivo completo, mas acho que eu trago esse disco comigo a minha vida toda e ficou mais evidente quando estávamos gravando a sincronização de silêncio e barulho, cada um respeitando seu espaço, as trocas, os momentos, bem como a unidade conceitual (e nem tanto sonora) do disco em si. Pra uma banda com uma repercussão boa na época, eles arriscaram muita coisa nesse disco, eu acho... "Title and Registration" é um sample de bateria embalada por um violão basicamente. Eu queria um terço dessa coragem no nosso disco de estreia.

https://www.youtube.com/watch?v=DOHGTJoh498

TTNG – Animals

Todo mundo que hoje toca algo remotamente próximo ao emo, math, etc., já quis gravar uma guitarra tão brilhante quanto às que tem nesse disco. Inexperiente total antes do nosso, descobri na marra que é um trabalho muito árduo conseguir um bom timbre de guitarra transparente – é bem frustrante quando tá soando lindo e na gravação falta aquele brilho. Isso só me fez valorizar ainda mais esse disco dos caras. Eles são uma referência muito grande pra mim. Apesar de preferir o math com vocais, ironicamente minha contribuição no gênero é instrumental... Quem sabe no próximo?

https://www.youtube.com/watch?v=W1_MqMNfSb8

Sean Lennon – Friendly Fire

Essa deve surpreender até os amigos (risos). Friendly Fire deve ser um dos cinco discos que eu mais ouvi na vida. Sempre tive vontade de estruturar um álbum como se fosse um filme. A ideia inicial da El Toro Fuerte inclusive girava em torno de umas ideias bizarras que eu tive pra fazer um disco conceitual. Essas ideias ficaram pra outra hora porque a gente conseguiu ver, depois de muita conversa, que as músicas percorrem uma história (uma jornada de auto-conhecimento iniciada com uma faísca de nostalgia, que vai pra traumas e fins dolorosos, etc., etc.). Acho o Sean muito talentoso e gostaria de fazer um disco que mexesse com as pessoas como esse mexeu comigo.

Gabriel Martins


[caption id="attachment_28324" align="aligncenter" width="695"]Interpol - El Pintor Não achamos streaming no Youtube, então cliquem na capa, por favor.[/caption]

Interpol - EL PINTOR

Bem, me recordo de ouvir muita coisa naquela época, muita coisa nova e velha também. Sou um grande fã de pós-punk e suas vertentes. Uma das bandas que me influenciou muito nesse período foi, sem dúvidas, o Interpol. Eu ainda estava ouvindo loucamente o álbum EL PINTOR lançado no fim de 2014 e fiquei hipnotizado por aquelas baterias criadas pelo Sam Fogarino, baterista da banda, o que me deu um fôlego a mais para compor as linhas de batera para o álbum Um Tempo Lindo Pra Estar Vivo.

https://www.youtube.com/watch?v=B7Z4Pmf-tQk

The Cure

Outra banda que me inspirou e que, certamente, vai continuar me dando inspiração é o The Cure. Como adepto do pós-punk, eu não poderia deixar de citar um grupo que me acompanha desde meus primeiros ritmos tocados na bateria. Eu me lembro de ter ouvido a discografia dos caras toda semana e de me deslumbrar com as baterias simples e ao mesmo tempo brilhantes que a banda possui, vocês podem ver um pouco disso no nosso disco também, usei muito dessa simplicidade no álbum.

https://www.youtube.com/watch?v=3uTczZlWcxc

The Cinematics - A Strange Education

Essa última talvez seja a que mais influenciou, eu tinha acabado de descobrir o álbum A Strange Education da banda The Cinematics e eu adorei o jeito que as músicas eram tocas pelo baterista, a forma como todos os instrumentos se encaixavam perfeitamente, isso me deu uma noção mais detalhada de como eu poderia moldar minhas baterias no álbum da El Toro Fuerte. A influência do The Cinematics, você consegue perceber mais claramente nas baterias de "Sur", "Mudança" e "Maple".

João Carvalho


[caption id="attachment_28343" align="aligncenter" width="695"]lumen-utopia Uma foto da banda, já que o disco nunca saiu.[/caption]

Lúmen (Ou Utopia!) – Um disco deles que nunca saiu

A Lúmen foi uma banda independente daqui de Belo Horizonte mesmo, de um pessoal como o Pedro Cambraia - que hoje toca no Menáge. Foi uma banda que eu conheci lá pelos meus 15 anos e que nem existe mais hoje e que lançou apenas um EP na sua discografia. Infelizmente acabaram terminando antes de lançarem seu disco completo, disco esse que eu cheguei a ouvir e me parecia indie-experimental do nível de coisas tipo Local Natives, Bon Iver e afins, só que com uma pegada muito autoral, letras em português e tudo mais. Foi uma das maiores reviravoltas musicais da minha vida, e é curioso porque a maioria das pessoas que eu conheço nunca demonstrou tanto interesse neles. Eu ouvia muito esse disco durante o processo de composição, e foram amigos que realmente influenciaram na minha forma de compor e tocar.

https://www.youtube.com/watch?v=Oby12fyIBz4

Mineral – Endserenading

Mineral foi uma banda que eu descobri tarde demais, mas que me bateu forte de um jeito meio inédito. Apesar de ser algo que eu descobri durante os meses em que selecionamos as músicas do disco – eu ainda acho que um dos maiores elogios/sonhos realizados musicalmente até hoje foi a comparação de “Mudança” com Mineral –, é uma música que me ajudou a lidar muito com traumas, fins de relacionamento e outras experiências temáticas desse disco. Emozêra de raíz né.

https://www.youtube.com/watch?v=rdtrSGRLv8s

Los Hermanos - 4

Eu ia citar o Sal Grosso da Lupe de Lupe, mas pra ser um pouco mais polêmico – risos – vou dizer o 4, do Los Hermanos. Um dos discos mais subestimados da carreira deles, eu acho, e que é, ao meu ver, um dos primeiros exemplares de samba-shoegaze dentro da cultura pop brasileira. Acho que a banda não é subestimada não apesar do que dizem, e o Amarante é provavelmente uma das minhas maiores influencias vocais inconscientemente.

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