Punk Rock quase sem política no Festival Rock Station

por - 14:12

[caption id="attachment_28419" align="aligncenter" width="695"]Festival Station por Renan Cavalcante[/caption]

Se a semana foi de conturbação política no Brasil, o Espaço das Américas foi meio que um oásis para quem não estava nem aí para impeachment, fora Temer e bombas de efeito moral. O que não é necessariamente uma coisa muito boa, já que o festival era composto por bandas do punk e do hardcore, entre as quais as extremamente politizadas Anti-Flag e Dead Kennedys.

O Anti-Flag animou a galera que ainda chegava, mas provavelmente a rua estava mais cheia que o show dos caras. Talvez o pessoal retardou a entrada para evitar pagar R$12 em uma lata de cerveja. De qualquer jeito a galera pulou bastante ao som de “Die For The Government” e “Turncoat”, música precedida por um discurso bem genérico do vocalista Justin Sane: “Para aqueles que ficam do lado da paz e da justiça”. Ignorando totalmente a situação política do país. Essa também não foi a única vez que a banda deixou a desejar. No fim de umas das músicas um “muchas gracias” foi dito no microfone. Por favor, alguém avisa que no hablamos español?

[caption id="attachment_28418" align="aligncenter" width="695"]Anti-Flag por Renan Cavalcante Anti-Flag por Renan Cavalcante[/caption]

Mais cheio estava o show do Dead Kennedys, uma galera bem eclética que ia desde um cara de moicano vermelho e um alfinete na cara, até a galera mais bonita e arrumada que preferiu ficar ali no bar ostentando seus copos de cerveja e assistindo ao show pelo telão. Vale lembrar que a banda californiana não conta mais com a irreverência do vocalista/frontman/showman//insano Jello Biafra, que já criticou a banda por se apresentar com outro vocalista. Mesmo sem Biafra, o grupo fez um show justo com direito aos clássicos “Holiday In Cambodia”, “California Uber Alles”, “Police Truck” e etc. Dentro da politização das letras da banda a única referência aos brazucas veio antes de “Kill the Poor” quando o vocal Skip mandou: “o Brasil está passando por alguns problemas” e completou ironizando o slogan de Donald Trump: “vamos fazer o Brasil grande novamente”. Mas vale frisar que o show só ficou completo depois do cover de “Viva Las Vegas” e uma tentantiva de cantar “Shake it Off”, da Taylor Swift. Sim, eles são os tios do pavê.

[caption id="attachment_28421" align="aligncenter" width="695"]Dead Kennedys por Renan Cavalcante Dead Kennedys por Renan Cavalcante[/caption]

É triste ver que as bandas da infância envelheceram, mas compensa ver que um público mais novo está lá curtindo um som com seus pais, que provavelmente eram adolescentes na década de 1990, quando o The Offspring estava no auge. Nos momentos que precediam a entrada do Dexter e do Noodles no palco, o Espraço das Américas já estava lotado, o que causou alguns contratempos. Lembra da galera que ficou lá fora fugindo a inflação da cerveja? Eles entraram, se misturaram com os ostentadores e fizeram com que a breja gelada acabasse e que a fila dos dois únicos banheiros disponíveis ficasse parecida com a do INSS pós-greve.

[caption id="attachment_28420" align="aligncenter" width="695"]Offspring por Renan Cavalcante Offspring por Renan Cavalcante[/caption]

Nada disso fez com que a passagem do The Offspring fosse ruim. Abrindo com “You’re Gonna Go Far Kid”, a galera já estava delirando e continuo assim até o final. Isso fez com que o guitarrista Noodles admitisse que “já tinha ficado de pau duro umas quatro vezes”. Alguém podia ter avisado ele que a galera deu uma brochada quando o Dexter trocou a guitarra pelo violão e emendou as popzinhas “Kristy, Are You Doing Okay?” e “Why Don’t Get a Job”. Talvez eles tenham entendido e voltaram para as músicas de bater cabeça, emendaram “Want You Bad”, Can’t Get My Head Around You”, “Pretty Fly For a White Guy” e fecharam com “The Kids Aren’t Alright”. Isso só para voltar no bis com “Americana” e “Self Steem”. A galera com certeza agradeceu.

Se a galera aqui no Brasil anda com a auto-estima baixa e precisava de um bom punk rock pra se sentir melhor e mandar os políticos à merda, a primeira edição do Rock Station acabou deixando-as frustradas, mas de qualquer forma foi um bom festival para esquecer um pouco do buraco que o país se enfiou nos últimos anos.

Você também pode gostar

0 comentários