Transborda: sobre música, ratos e pessoas

por - 10:00

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A gente deu a letra aqui na semana passada que tava começando o Transborda lá em Belo Horizonte e que esse que vos escreve iria ser DJ. Pique o André Marques mesmo. Cheguei na terra do Aécio Neves na quinta-feira (15) e de lá até domingo mais ou menos me questionei bastante sobre como eu iria fazer um review do festival e se eu iria fazer isso mesmo. Fato é que acredito ter encontrado um formato bacana para tudo o que aconteceu nesta viagem, e que de acordo com gente que mora lá, foi o melhor final de semana da cidade. Tentando não perder nada do que rolou desses cinco dias que passei por lá, aqui está essa espécie de diário de bordo. Espero que gostem tanto quanto eu curti estar em BH.

[caption id="attachment_28456" align="aligncenter" width="1280"]Bárbara Sweet Bárbara Sweet por Flávio Charchar[/caption]

Dia 1


Achei que Belo Horizonte tinha uma temperatura amena e tranquila até chegar no Aeroporto de Confins e perceber que o sol estava praticamente me derretendo. Tava quente pra caralho e eram por volta de 11h30 da manhã. Tomei o busão de R$ 12,10 e me disseram para descer próximo ao outro aeroporto da cidade, o da Pampulha. Ali era bem perto da casa que eu ia ficar hospedado. Óbvio que desci “errado”. Numas de querer mostrar que eu sabia mais ou menos pra onde eu estava indo, falei repetidas vezes UFMG e o cara me mandou esperar, mesmo o rapaz que estava do meu lado dizendo que aquele era o ponto. Para encurtar a história, e isso acho que foi o sinal de que esta viagem ia dar bem certo, o que rolou foi o seguinte: apesar de descer num lugar que não me foi o recomendado, desci muito mais próximo de onde eu precisava ir. Olhei pra cima e imaginei Deus tocando “Minha Sorte Mudou”.

Neste primeiro dia, apesar de ter levantado 6 da matina, ia rolar a abertura do Transborda na A Autêntica, e eu queria muito ver os shows que aconteceriam por lá: a Bárbara Sweet e a Indee Styla, da Espanha, prometiam fazer as minas gritarem todos os seus demônios. Era certo que ia colar e não sei vocês leitores, mas conhecer a cidade pra mim é fugir do táxi ou do Uber, é pegar busão mesmo, caminhar pra cacete e pensar que um arrastão está acontecendo do seu lado, quando na verdade é porque apareceu um Dragonite perto da Praça da Liberdade. Conversei com o pessoal da casa e eles me explicaram como eu chegava no ponto marcado com um truta de lá. R$ 3,70 no BRT e aquele bom e velho toque no cobrador “ô, braço, me avisa no ponto X? Valeu”.

Trombei meu camarada. Naquele momento chuto fácil uns 30ºC e umidade relativa do ar abaixo de 20%. Eram mais de 9 horas da noite já. Colamos para A Autêntica e conheci vários amigos, que até aquele momento, eram como no som do Celso Portiolli sobre a internet: apenas amizades virtuais. Colei num pico pra comer com um deles e mandei pra dentro dois salgados. Ali minha noite começaria a azedar. Literalmente. O rango não era ruim, longe disso, mas não sei se era o fato de eu ter acordado cedo, ficado mó tempo sem comer ou o latão de Brahma, mas depois disso rodei. Ainda assim, consegui ver o show da Bárbara Sweet, cria das rodas de free.

A mina é foda. Ela faz rap feminista e canta bastante sobre liberdade sexual, como fica claro no som “Molho”, em que Bárbara manda o verso “quando eu te olho / eu me molho”. No palco ela se mostrou bem a vontade e fez todas as minas, negras e brancas, dançarem, se divertirem, fazerem o sinal da BCC (Buceclan para os leigos) e sentirem-se representadas na luta contra o machismo nosso de cada dia. Sons sobre competividade entre as mulheres por causa de homens e usar a roupa que elas quiserem também fizeram parte do repertório da cantora, que ainda mandou uma homenagem para Amy Winehouse que completaria 33 anos se estivesse viva na quarta (14), e chamou ao palco sua parceira Sarah Guedes, que aproveitou pra mandar “Cilada”. Aviso: a Bárbara disse que o disco tá pra chegar.

Quando acabou a apresentação da Bárbara eu fui pra rua, meu estomago deu PT (calma é perda total, anti-Dilma). Acabei tendo que ir embora antes do show da Indee Styla por causa dele. Na volta pra casa, sozinho e caminhando quase 2km numa cidade que tinha acabado de chegar, descobri que os ratos de Belo Horizonte são verdadeiras capivaras. E sim, em um momento fui cercado por eles. É como o Lô Borges diz: "os ratos não morrem nas calçadas por aqui". Tá aí a dica pra prefeitura: limpeza de bueiro ou estudar a mutação desses bichos. Depois de ficar meio perdido procurando o ponto do 51, liguei pra uma amiga e para minha surpresa eu estava há 30 segundos dele. Peguei o ônibus e fui pra casa. Cheguei, tomei um Plasil e dormi. Deus, salve meu estômago.

[caption id="attachment_28457" align="aligncenter" width="1920"]Trad Attack Trad Attack por Lucas Hallel[/caption]

Dia 2


A sexta-feira teria que ser melhor, pelo menos no quesito saúde e calor. O dia começou mais agradável, apesar de ainda estar quente que só o caralho. A galera da casa que eu estava armou um almoço feroz e eu já tava combinando de trombar aquele mesmo camarada para tomar umas antes dos shows do Transborda, que iam começar às 19hs. Aparentemente meu estômago estava melhor. Entretanto, veja só como o carinha lá de cima curte sacanear a gente, no meio de todo o processo de fazer o almoção o nosso botijão de gás acabou. O que fazer? Sim, pedir outro, claro. Mas quem contaria que o maluco demoraria mais de 3 horas para entregar? Pois é, ninguém. Meu almoço foi a decepção. Assim como o da galera da casa. Mas a janta, já que fomos comer depois das 18hs, tinha um sabor maravilhoso. Tem um rapaz lá que deveria ir pro Master Chef e aposto que se ganhasse, nem iria fazer crowdfunding pra abrir hamburgueria gourmet hein?. Sério, mano, se inscreve aí. Cê é foda. E chama a sua companheira de cozinha também!

Dessa vez fui para o Transborda com uma menina que também estava hospedada na casa e isso me ajudou pacas, já que ela sabia facilmente como chegar no Santa Tereza. A programação do dia contava com três shows (dois fazendo parte do Música Mundo) e a primeira banda a subir no palco foi o Cromossomo Africano, que meteu a galera pra dançar com aqueles ritmos negros que se você não gosta, boa gente não é. Funk, black e soul tomaram o viaduto. Uma das coisas que eu mais achei legal no grupo foi que eles tinham dois dançarinos que mandavam muito e até desceram pra dançar com o público. O clima era de celebração, principalmente por eles darem um salve num rolê que me disseram ser tradicional em BH, o Baile da Saudade.

[caption id="attachment_28464" align="aligncenter" width="1280"]Pequena Morte por Flávio Charchar Pequena Morte por Flávio Charchar[/caption]

O show do Pequena Morte era algo esperado por muita gente, e como o anterior, manteve aquele clima de celebração. Quem tava embaixo do viaduto aprovou demais a apresentação, incluindo os moradores de rua, que se divertiam como se não houvesse amanhã (retomaremos esse assunto mais adiante no texto também). Quem encerrou a noite foram os estónios do TRAD.ATTACK que me surpreenderam positivamente. Tinha escutado algumas músicas deles no Youtube e achei que o som ia ser meio introspectivo para o clima que estava ali. Um ledo engano, eles tinham novos planos, irreconhecivelmente otimistas. O show da banda é ótimo. É divertido pra caramba e isso era tudo o que o palco precisava para acabar da mesma maneira que começou: alegre. Um fato deve ser dito sobre o grupo: eles foram os primeiros gringos que falaram português bem e não erraram o gênero da palavra. Parabéns.

A noite embaixo do Santa Tereza havia acabado mas era só atravessar a rua pra colar no Baixo, pois o Douglas Din ia tocar por lá. Eu tava muito afim de ver o show dele, coloquei até a minha camiseta do Crônicas da Cidade Cinza, só que a rua foi tomada por muita gente e entrar no Baixo era quase que uma missão impossível. Encostei com a galera, trocamos ideia, derrubei uns latões, vi uns manos pixando uma igreja e depois fui embora acompanhado da mesma pessoa com quem cheguei. Novamente, uma sorte incrível, já que ela fez um puta esquema para sairmos da muvuca, apesar que sim, vimos ratos. Sempre ratos, Lô Borges.

[caption id="attachment_28460" align="aligncenter" width="637"]noguci-xoo Noguchi, da Xóõ, na tranquilidade[/caption]

Dia 3


Era sábado e eu ia tocar. Acordei pra derrubar um PF e óbvio, comi demais. Voltei pra casa e tomei um Eno. O sol tava rachando e colamos pro centro da cidade antes das apresentações começarem, pois o pessoal da Xóõ tinha que passar o som. Enquanto andávamos, passamos por um local que me lembrou pra caralho The Wire. Achei que a galera manjava que ali era assim, mas não, todo mundo ficou meio surpreso. O segredo foi aquele de sempre: passamos gingando e olhando pra frente, cumprimentando quem cumprimentava a gente.

Eu ainda tava pesado e achei que isso atrapalharia o meu primeiro set. Sentamos num bar e bebi bem pouco. Subi no palco depois da Xóõ ter passado o som e meti uma pá de som. Me senti livre, liberto e acho que uma parcela de Belo Horizonte se pá me odeia. Começar com “Há Algo de Podre no Reino de Minas Gerais” e terminar com “Rogério Ceni”, do Aldan, poderia soar como provocação. Bom, se você está lendo esse texto, eu sobrevivi e ninguém me cobrou por isto.

Apesar de um monte de atração no sábado (eram cinco bandas embaixo do viaduto), a que eu mais estava na expectativa para ver era a Xóõ, e óbvio, eles não decepcionaram. “É Tudo Roubado” foi um dos sons mais cantados pelo pessoal, inclusive por mim, e o misto daquelas roupas pretas que eles usaram com o som e a iluminação fizeram tudo ser bem maravilhoso mesmo. Teve até som do Baleia, do Ventre e do Lupe de Lupe, pra quem pensasse “pô, poderiam tocar uma música de um dos grupos né?”.

Às 18h10 a fome tava batendo e fui comer. Voltei e confesso que apesar de toda a programação, sábado eu estava morto de cansaço e o fato de eu ter que tocar me fez ficar mais afastado dos shows. Eu precisava me concetrar (risos). Ouvi alguns trechos de todos eles para pelo menos ter algumas impressões sobre o que escutei. O show da INKY faz o CD virar outra coisa. Não é a minha onda de som, acho que é questão de gosto mesmo, mas é notável que a apresentação é outra coisa. Então fica a dica: se você não curtiu o último álbum deles, apareça para vê-los ao vivo.

[caption id="attachment_28461" align="aligncenter" width="695"]di souza por Flávio Charchar e Lucas Hallel[/caption]

Depois do Inky e do DJ set, o dono do palco era o Di Souza, uma figura carimbadíssima do carnaval belorizontino. O cara levou a plateia ao delírio, principalmente pelos gritos de Fora Temer e do cartaz que levou contra o presidente golpista. Eu ia tocar depois dele, então me posicionei atrás do palco cerca de uns 15 minutos antes. Ele tocou Tom Zé. E ele também tocou “Sociedade Alternativa” do Raul Seixas, o que fez, quase que literalmente, o viaduto desabar. É foda ver como a galera de Belo Horizonte abraça as brisas dele quase que de olho fechado. Agora era a minha vez.

Eu havia preparado dois sets: um com rock e o outro de rap. Achei digno prestar uma homenagem ao Santa Tereza, que é um local sagrado pro hip hop de BH. Ali eu estava bem mais solto e pra mim o auge de tudo foi ver uns moradores de rua cantando “Da Ponte pra Cá” comigo. Aquilo bateu forte. 2016. É o rap. Rá!

Desci do palco e ainda tava com fome. Novamente, o show da El Mato a un Policia Motorizado foi escutado da lateral do palco. O que posso dizer é: o que ouvi gostei bastante e me surpreendeu positivamente. Eu achei que nem ia viajar no som deles, mas a vida é isso, só surpresas. Depois de mais um set, o Lucas Santtana subiu e levou o pessoal a loucura, tanto com suas músicas quanto com os gritos de Fora Temer, algo que rolou em quase todos os shows do evento. De novo, eu estava ali do lado bebendo e conversando. Estava morto, o viaduto cheio pra caralho e achei que era uma escolha segura ficar por ali, esperando uma daquelas bolas estarem vazias para eu poder sentar.

[caption id="attachment_28463" align="aligncenter" width="1280"]Ventre por Flávio Charchar Ventre por Flávio Charchar[/caption]

Quando o Lucas Santtana encerrou o show, fomos pro Baixo em peso, já que ia rolar o show da Ventre por lá. Encontrei a Maria Caram, que escreve aqui no Alt, e seu companheiro. Conversamos e pegamos o show da Carme Fen, que é uma brisa meio Cansei de Ser Sexy com algo que eles chamam de “punk universitário”. Eu gostei do show. No começo achei que era apenas “ok”, mas depois mudei minha opinião para “divertido”. E olha, fazer isso comigo é algo difícil, vai por mim. Após a Carme Fen encerrar sua apresentação, o Ventre subiu no palco e que brisa foi aquela, mano? Apesar de ser um trio, a banda segura muito bem as nuances entre o calmo e o pesado, fazendo com que o show seja aquela energia boa o tempo todo. A Larissa Conforto, baterista do grupo, aproveitou o momento em que vivemos pra mandar aquele salve pro Temer e também para todos os machistas, incluindo a galera da cena independente e sim, meus amigos, há machismo pra caralho na cena independente e no meio da música. Ela também encorajou as minas a tocarem. E por favor, minas, toquem. Toquem mesmo. Dominem essa porra chamada música e este é o pedido de um homem.

Fui embora novamente sozinho, mas agora eu sabia como voltar e por qual lugar não passar. Esperei durante uns cinco minutos no ponto e lá estava aquele maravilhoso 51. Paguei o motorista, pedi pra ele me dar um toque no ponto e sentei. No caminho de volta um mano esquisito tentou me abordar. Convicção, fingi que não ouvi, ginguei e fui. Meu celular continua comigo. Vi um rato só e achei que as coisas estavam dando bem certo.

[caption id="attachment_28458" align="aligncenter" width="1920"]Jonathan Tadeu Jonathan Tadeu por Lucas Hallel[/caption]

Dia 4


Domingão foi um dia proveitoso. Obviamente tava cansado que só a porra, mas isso não me abateu assim que acordei. Ia ter Cruzeiro e Galo no Mineirão e a gente tinha umas coisas pra resolver na rua, então saímos cedo. Demos uns rolês por BH, vimos quatro jovens fugindo de um assalto e os três menores correndo atrás deles instantes depois. Será que BH é o Texas mesmo ou tá mais pra Gary? De qualquer maneira, a gente precisava comer. Comemos num boteco bem tradicional e pé sujo próximo ao mercado. O melhor prato feito de BH que provei, com certeza. Eram quase 5 horas da tarde e fomos direto pro Viaduto Santa Tereza. Hoje a programação era curta, mas o show do Jonathan Tadeu me empolgava bastante.

A primeira banda que tocou foi a Francisco El Hombre, de São Paulo. E novamente, foi surpreendido. Eles são o que em Belo Horizonte o pessoal chama de “tchelele”, um lance meio hippie e moderno ao mesmo tempo. Mas como disse um amigo “eles são a melhor banda de tchelele do mundo”. O show foi energético pra caralho, a galera dançando, se divertindo, cantando e vale ressaltar a performance do guitarrista mexicano Mateo Piracés-Ugarte. Em certos momentos ele funcionou como um maestro, coordenando a galera, que abraçou a ideia e se jogou no som da banda, que foi contagiante pra cacete. Teve grito de Fora Temer, óbvio, mas também teve “Bolso Nada” dedicada ao Bolsonaro, claro.

Agora era a vez do Jonathan Tadeu, que lançou em 2016 o ótimo e bucólico Queda Livre, disco que faz parte do catálogo da Geração Perdida. Apesar de ser um disco solo, na apresentação ele contou com o João Carvalho no baixo (El Toro Fuerte/Sentidor), Fernando Motta na guitarra e o Gabriel Martins (El Toro Fuerte) na bateria. E o que foi aquilo? O Jonathan resgatou um pouco a minha esperança no rock, sabe? Foi com certeza um dos melhores shows do festival. É foda demais ver que todo um esforço foi recompensado, afinal de contas, nem o Jonathan imaginava que ele podia tocar no mesmo festival que o Mombojó. E a piada da galera fez mais sentido que nunca: ele é o Jonathan Tadeus.

Encerrando a programação do Transborda no Santa Tereza, o Mombojó subiu no palco próximo das 21hs e alternou momentos bons (o começo e o fim), entretanto o meio do show foi meio morno. A galera respondia praticamente a todas as músicas e acredito que o único momento que o público em si olhou pro lado e não pro palco foi quando uma mina começou a descer pendurada no viaduto, mas calma gente, é uma performance artística. Acabou que fui ver o show na lateral depois de aparecer aquela vontade mágica de mijar. Um pessoal que tava comigo aparentava um cansaço fora de série e assim que acabou o show, decidi que ir pro Baixo era demais para este corpo cansado que vos escreve. Não peguei BRT. Voltei de carona pra casa pensando no Transborda e em como essa semana tinha sido foda.

Dia 5


No meu último dia na cidade, não tem novidade. Esse foi o último dia e você faz o que quase todo mundo faz. Vai ao mercado, arruma a mala, almoça (um puta dum macarrão diga-se de passagem), espera um pouco e pega o ônibus da Pampulha pra Confins. R$ 12,10 pra fazer um trajeto que em SP rola de fazer com R$ 3,80 no Bilhete Único e R$ 5,55 saindo do Tatuapé. Fica a dica, Minas Gerais.

[caption id="attachment_28459" align="aligncenter" width="1920"]Transborda por Lucas Hallel[/caption]

Fim - Transborda


Não é porque toquei (eu juro) que vou elogiar o festival, mas sim porque foi um dos únicos eventos que fui e que respeitou o horário de todos os shows, que a equipe era totalmente gente boa e que movimentou, como eu falei no começo do texto, um dos melhores finais de semana da história recente de BH (e isso foi um mineiro que falou). Lembra o papo dos moradores de rua? Então, ele entre agora. Quando tem show na rua aqui em São Paulo eles brisam no canto deles, vez ou outra arrumam uma treta e se tem segurança, vai tirar o cara. Lá não. Eles estavam curtindo o tempo todo, num lugar que é deles, que é de todos. E quando um morador de rua agradece a produção do evento por ter sido a parada que rolou lá e que eles foram tratados da melhor maneira possível, é de se pensar. Ao festival, obrigado pelo convite e parabéns.

Fim


Eu nem sei se tem um fim num diário de bordo. E você pode estar bravo demais por ter lido este texto até o fim e achado que eu sou um adolescente vislumbrado com viagens e com o fato de passar cinco dias num festival, mas eu acho que isso vai além de tudo isso e eu não sou mais adolescente tem um tempo. Belo Horizonte me mostrou uma coisa que eu nunca tinha prestado atenção: como esses laços de cena independente, internet e o que o Altnewspaper e o Hominis Canidae fazem conecta as pessoas. Eu passei cinco dias ao lado de pessoas maravilhosas, que fizeram eu me sentir totalmente em casa, como se eu conhecesse todas elas há anos e a maioria delas era a primeira vez que eu via pessoalmente. Sempre brinquei com a frase do Otto Lara Resende que é citada pelo Peixoto e o Edgar em Bonitinha, Mas Ordinária: “O mineiro só é solidário no câncer”, mas essa galera é o contrário disso. Parafraseando o Cascão do T$G, eu queria agradecer todo mundo "sem citar nomes porque seria inevitável eu não esquecer de ninguém". Obrigado a todos vocês que me hospedaram, que beberam comigo, que me convidaram para o festival e que fizeram eu esquecer que há algo de podre no reino de Minas Gerais.

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2 comentários

  1. Man, super legal seu relato. Só uma errata é Cromossomo Africano. Um beijo do Texas

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  2. Poxa, eu viajei. Tava com COSMONAUTA na cabeça. Corrigi!

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