365 Girls in a Band - Review #25

por - 12:35

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O feriado no meio da semana me levou até São Sebastião das Águas Claras, mais conhecido como Macacos, para desacelerar um pouco. Eu, que raramente saio da região central/leste de Belo Horizonte, estou cogitando largar tudo, criar três cachorros e virar meio louca, meio bruxa nessa cidadezinha que só tem uma rua e foi super valorizada pelo turismo que se diz ecológico. A trilha dessa semana acompanha o desacelerar dos processos e entra numa vibe meio hippie.

Perota Chingo

https://www.youtube.com/watch?v=y4WBRl6LbKo

A banda está fazendo uma mini tour no Brasil e arrastando multidões com suas good vibes, shows em parques, luzes piscando, cangas e cirandas. O grupo é formado por Julia Ortiz e Lola Aguirre, o embrião do Perota Chingo foi a viagem de carona que as duas resolveram empreender pela América Latina. Argentinas, elas arrebataram na estrada o brasileiro Martim Da Costa e o uruguaio Diego Cotello. Trabalhando com a ideia da viagem e da troca, o Perota faz da estrada uma parte de seu processo de criatividade e existência. A banda se declara um jogo para borrar fronteiras através da pesquisa musical, da descoberta das origens musicais dos locais visitados. É um respiro de paz em um momento em que tudo é urgente.

Para saber mais: Facebook, Site Oficial, Azoofa

Baby Consuelo (ou Baby do Brasil)

https://youtu.be/06hQjZAygww?list=PLoLa3Rh_cSpo5j0bOoJtzo9zsKRumYBLs

Ok, talvez a Baby do Brasil que conhecemos hoje não seja nenhum exemplo de vida alternativa, magia, astral e outros valores populares nos anos 60 e 70. Porém, a Baby que largou sua família bem colocada no Rio de Janeiro, juntou com uma cambada de homem e foi morar em um sítio, constituir família e criar uma das bandas mais significativas da música brasileira ainda é um senhor exemplo para quem quer mais do que parcelas de casa, carro e escola para pagar. Baby levou uma carreira solo após o fim do Novos Baianos e criou os cinco filhos com sua música. Ela se converteu e, por um bom tempo, parou de cantar suas músicas laicas. Em 2012, retomou as canções em apresentações ao vivo e atualmente roda o país na reunião dos Novos Baianos. Seja na carreira solo, seja no grupo, suas músicas são perfeitas para quando começamos a pensar em um novo jeito de tocar nossas vidas.

Para saber mais: Wikipedia, Site Oficial

Laya Lopes

https://youtu.be/C0ySKOpakyg

Postada no Instagram como parte de sua banda, O Jardim das Horas, que eu conheci quando ainda era Quarto das Cinzas lá em Fortaleza, Laya é um intérprete com um brilho próprio e muito especial. Apesar de não vê-la ao vivo a uns bons anos, tenho uma lembrança clara de sua imagem doce e magnética e de sua voz que é ao mesmo tempo suave e imperiosa. A frente do Jardim das Horas, Laya é responsável por uma das melhores representações do trip hop brasileiro. Em sua carreira solo, versões de Gal Costa e Caetano Veloso mostram sua capacidade de interpretação. Também compositora, ela vem se lançando cada vez mais firmemente em sua carreira independente. O clipe acima é uma prévia do que está por vir em seu primeiro disco.

Para saber mais: Facebook, Trabalho Sujo

Yasmine Hamdan

https://www.youtube.com/watch?v=XDepIDGKC2U

A libanesa Yasmine Hamdan virou uma paixão eterna quando apareceu no filme Only Lovers Left Alive (em português, Amantes Eternos), do Jim Jarmusch, cantando em uma das cenas finais. Pesquisei muito sobre a moça, uma pioneira do trip hop no Líbano, a frente do duo eletrônico SoapKills. Misturando música árabe tradicional com elementos eletrônicos e pop, Yasmine Hamdan já colaborou com CocoRosie e Mirvais. Antes de iniciar sua carreira solo, teve ainda o projeto Y.A.S. Seu primeiro disco solo é todo cantado em dialetos árabes e é descrito pela cantora como um convite a cantar, seja em multidões ou em pequenos grupos. Para ouvir em noites de lua, com companhia boa e com toda a tranquilidade do mundo

Para saber mais: Site Oficial, Wikipedia

Goat

https://www.youtube.com/watch?v=3Bf25E64MhM&spfreload=10

O Goat é uma loucura. Com uma história mitológica por trás – o grupo seria formado pelos sobreviventes da cidade de Korpilombolo – a banda teria de 30 a 40 anos de existência, com diversas formações. Hoje, apenas três membros seriam originais da formação de Korpilombolo e iriam ensinando aos outros as tradições do local. Seus shows são visuais e catárticos, com roupas cheias de simbologia e uma mistura sensacional entre eletrônico, performático, rítmico. Tradicionalmente, o que eles fazem ao vivo são improvisações livres e espontâneas. Seus discos seguem essa linha, criando todo um método para a gravação que não iniba a criação ao vivo. Vale a pena ouvir, ver e embarcar na viagem.

Para saber mais: Wikipedia, The Guardian

 

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