365 Girls in a Band - Review #26

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Em BH, está rolando a residência Zona LAMM – Laboratório de Artes Musicais para Mulheres. Algumas atividades são abertas à comunidade e tem sido uma experiência fantástica acompanhar esse processo. No último sábado, aconteceu uma roda de conversa com as meninas do hip hop de Belo Horizonte e região metropolitana. A tônica desse review fica por conta das mulheres incríveis do hip hop brasileiro.

Preta Rara

https://www.youtube.com/watch?v=9977Wwnl_H8

De Santos, no litoral paulistano, Preta Rara é o nome artístico de Joyce Fernandes, um dos nomes mais relevantes da cena de rap e hip hop no Brasil. Cantando na igreja junto com a família e escrevendo poesias desde os 12 anos, Preta só começou a cantar rap aos 20 anos, fazendo até o pai, que não achava legal mulher cantando rap, se dobrar ao seu talento. Em 2015, a cantora e compositora lançou seu primeiro disco solo, disponível em plataformas digitais como o Youtube e o Soundcloud, com oito canções e dois poemas. Como contrapartida a produção do disco, ela ofereceu oficinas de turbante em várias comunidades carentes de Santos.

Apresentada ao feminismo negro aos 22 anos, Preta Rara se tornou uma ativista de primeira linha: ela trabalha o empoderamento, a aceitação dos cabelos, tem uma marca de roupa plus size (vale a pena olhar suas produções no blog), é turbanista e, além de todas essas atividades, é professora de história. A temática de suas aulas também invade suas músicas. Um talento e uma força que é impossível ignorar.

Para saber mais: Spotify, Site Oficial, Blog da Preta Rara, Facebook

Zaika dos Santos

http://www.youtube.com/watch?v=AnTAq3PkvoY

Da cena mineira de hip hop, Zaika dos Santos se envolveu com o movimento aos 10 anos. Filha de uma cantora de MPB, Zaika também pesquisa a música jamaicana e desses dois estilos foi tirando as referências para seu próprio som. Seu primeiro grupo foi o Vulgo Elemento e em seguida criou a Ideologia Feminina, uma banda só de mulheres. Em 2011, Zaika se juntou ao Coletivo Dinamite, um grupo instigante da cena belorizontina. Dub, dubstep, reggae roots, rap, funk soul rockestead, jungle, drum Bass, afro-rap são alguns dos sons bases que a cantora e compositora usa em suas músicas, cantadas com uma voz forte e poderosa, com letras que misturam o cenário urbano e as questões de desigualdade à referências ancestrais. Zaika foi indicada ao prêmio Hutuz, o mais importante do hip hop no Brasil, em 2008. Cantora, compositora, arte-educadora e trançadeira, Zaika é comprometida com a criação descentralizada - seja nas formas de produção, seja na circulação de suas músicas, liberadas em streaming e para download em várias plataformas. Ela é, ainda, uma das responsáveis pelo movimento Afrofuturik em Belo Horizonte. De Contagem, Zaika é um nome forte do hip hop no Brasil. Seu disco Akofena foi lançado no SESC SP e é um trabalho que vale conhecer de cor.

Para saber mais: Soundcloud, Facebook

Flor de Pernambuco

http://www.youtube.com/watch?v=gOJu1GViYbw

Quando o EP Lucidez foi divulgado lá no Hominis Canidae, favoritei na mesma hora, antes até de ouvir. A descrição do trabalho me interessou muito, especialmente porque pouco (ou nada) se fala sobre o hip hop no nordeste, principalmente quando feito por mulheres. Flor de Pernambuco é o pseudônimo de Fabiele Silva, nascida no bairro de Casa Amarela, no Recife, criada por duas mulheres em Camaramgibe e atualmente vivendo no Rio de Janeiro. Flor começou a cantar ainda criança em corais de igreja. Antes de começar com o rap, passou por bandas de metal e mpb e foi na capoeira que começou a entender seu papel como artista e ativista. Em 2015, fez sua primeira composição num beat. O auto conhecimento tornou Flor de Pernambuco uma protagonista de sua própria história e lhe deu uma dimensão da arte como forma de combate e resistência, meio de empoderamento e forma de luta. Seja em poemas, em música ou em artesanato, Flor usa sua criação artística como forma de reconhecimento e empoderamento para outras mulheres. Há bem pouco sobre a moça nesse universo virtual, o que impede um texto mais acurado. Porém, a escuta do disco deixa bem claro a proposta dessa pernambucana. Sigam os links!

Para saber mais: Link para baixar o disco

MC Regina

Descobri a MC Regina através de várias entrevistas de outras mulheres do rap e hip hop. Pioneira feminina da cena, MC Regina é um ícone sobre o qual é quase impossível achar informações no nosso mundo digital. Formada em pedagogia e pós graduada em psicopedagogia, ela foi responsável por projetos essenciais do hip hop brasileiro, como a Rádio 10 e a posse RDRN.  Destacando a sua primeira apresentação, na escola, como o dia mais feliz de sua vida, Regina também reconheceu e valorizou a capacidade transformadora do movimento hip hop, seu potencial empoderador e de conhecimento e reconhecimento da cultura negra e periférica. Sem se iludir, a cantora também assume seu papel de enfrentamento em uma cena – ainda hoje – extremamente machista. O Rádio 10 foi responsável por dar espaço a nomes iniciantes da cena e por manter uma circulação da produção musical ativa. Com pouquíssimos registros, em parte pela dificuldade de gravações da década de 90, em parte porque é difícil achar registros do trabalho de mulheres no hip hop, temos quase nenhuma informação em links sobre essa figura de proa da cena. No link abaixo, um mini documentário traz os relatos da própria MC Regina sobre sua história. Ela também é parte do livro Perifeminas I, que retrata a trajetória de várias mulheres importantes da periferia.

Para saber mais: Documentário TV Nas Ruas

Brisa Flow

http://youtu.be/rIN634cjR5U

Brisa Flow é filha de chilenos que se refugiaram em Minas Gerais. Na capital, começou a rimar e cansou de dar com a cara na porta de uma cena fechada e excludente para as mulheres, independente da qualidade de seu trabalho. Em 2012, mudou-se para São Paulo, na tentativa de fazer a sua carreira virar. Lá, engravidou e esse foi o seu ponto definitivo de virada. Se antes o feminismo e o empoderamento já eram uma questão para essa MC, após o nascimento de sua filha ela entendeu a força da opressão que sofria por ser mulher e a importância da união e da luta feminista. Suas letras e seus beats são ácidos e certeiros, sem suavizar a situação. A libertação de outras mulheres é uma de suas tônicas porque também é parte de seu processo de descoberta e crescimento. Lançando singles e trabalhando em parcerias com outras mulheres da cena, Brisa tem chamado cada vez mais atenção para seu trabalho. Para conhecer melhor a música de Brisa Flow, vou usar as sugestões da própria artista e linkar os vídeos que ela sugere em uma entrevista para o blog Plataforma Palpite. Lá é possível conhecer várias outras mulheres da cena hip hop.

Para saber mais:  Soundcloud, Facebook, Spotify, Veias abertas, Desapego

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