365 Girls in a band - Review #27

por - 14:10

peaches

Sim, dezembro já começa a ameaçar a todos nós, decoração de Natal está em todas as lojas, para quem é de firma, começam os amigo oculto (ou secreto, ou da onça). Para quem, como eu, está mais desempregado do que nunca, começa a pressão pelos presentes que vamos ter que entregar na festa de família. Para enfrentar essa depressão que me assola todo fim de ano, segue a minha playlist segura a onda, com mais cinco projetos femininos cheio de energia.

Atari Teenage Riot

https://www.youtube.com/watch?v=1CP3IF5EQys

Há algo de som e fúria nessa banda de Berlim. Formada em 1992, o trio tinha a sírio-berlinense Hanin Elias junto a Alec Empire e MC Carl Crack em sua formação original. Uma reação direta ao movimento neo-nazista que crescia na Alemanha dos anos 90, a Atari Teenage Riot fundiu o hardcore à música eletrônica, cena que crescia à passos largos no país. Com letras extremamente politizadas e um ritmo eletrizante, o grupo tem uma presença de palco enérgica, que contagia o público e, não raro, terminava os shows em confronto com a polícia. Posteriormente, Nic Endo completou a formação do Atari Teenage Riot. O nome veio da junção de Atari, dispositivo usado para criar os efeitos eletrônicos, ao título da música "Teenage Riot", de Portuguese Joe.

A Atari Teenage Riot chegou a ser vigiada pela polícia alemã, por causar distúrbios públicos em suas aparições e ser considerada pelas autoridades um tipo de agitadora. O próprio Alec Empire diz que, apesar da banda ser classificada como eletrônica, é mais um tipo de riot music, por incentivar protestos contra a crescente onda conservadora que tentava se instaurar na época. Em 2001, a banda entrou em pausa, após a saída de Hanin Elias e a morte de Carl Crack, que enfrentava problemas psiquiátricos. Em 2010, a banda voltou a se reunir, com Alec e Nic Endo se juntando à  CX KiDTRONiK. Em 2014, lançaram seu álbum mais recente, Reset.

Não há dúvidas que a mensagem da banda continua necessária e urgente.

Para saber mais: AllMusic, Site Oficial, Bandcamp

Ella Fitzgerald

https://www.youtube.com/watch?v=u2bigf337aU

Quem me conhece, sabe que não sou muito de jazz e o pouco que ouço entra na cota de audições compartilhadas aqui de casa. Porém, Ella é maravilhosa e me acalma profundamente. Com uma adolescência conturbada, Ella sempre foi apaixonada por música e dança e sua primeira influência foi Connee Boswell, do grupo vocal Boswell Sister. Junto à banda Chick Webb conseguiu destaque na cena musical do Harlem, especialmente com sua versão de uma música infantil chamada A-Tisk, A-Tasket. Quando Webb faleceu, ela saiu do grupo e iniciou sua carreira solo, gerenciada pelo gerente do Savoy Ballroom, onde costumava cantar.

Ella se apresentou com Dizzy Gillespie e foi durante esse período que incluiu em seu vocal uma das coisas que seria sua marca: o scat. Ela buscava imitar os sons dos instrumentos com sua voz, tornando-se uma improvisadora criativa e potente. Entre outros nomes, a cantora fez trabalhos com Duke Ellington, interpretando suas canções, Louis Armstrong e também gravou clássicos de Cole Porter (um de seus discos mais conhecidos) e Tom Jobim. Além da carreira musical, Ella Fitzgerald tem aparições em filmes e na televisão, chegando mesmo a fazer um comercial de TV. Com diabetes grave no fim de sua vida, Ella faleceu em 1996.

Para saber mais: Site Oficial, Wikipédia

Peaches

https://vimeo.com/136691919

Tenho escutado Peaches de uma maneira quase compulsiva desde quando saiu o clipe que linkei aí em cima. O disco que postei no Instagram foi uma das capas que tive mais prazer de fazer upload e hoje, quando olho a timeline no desktop, tenho certeza que esse é um dos discos que mais mereceu estar nesse projeto.

Musicista, produtora, filmmaker, performer, Peaches lançou um disco em 2016, depois de 6 anos de um pseudo hiato, já que, apesar de não gravar, a multiartista produziu prolíficamente. Com letras que borram as fronteiras de gênero e temáticas sexualmente explícitas, Peaches pisa fundo na fronteira do pop, fazendo uma música eletrônica e dançante sem cair em clichês e letras fúteis sobre mulheres gostosas e caras maus. Assim como suas músicas, seus vídeos são transgressores e fortes, uma obra ao mesmo tempo conjunta e a parte de suas canções.

Inspiração para nomes do pop como Britney Spears e Pink, Peaches é considerada uma das pioneiras do electroclash e já rodou parte do mundo acompanhada de Festie e tem uma relação próxima com Justine Frischmann, do Elastica, e M.I.A. Ela tem diversas participações na TV, como a recente aparição em Orphan Black, e no cinema. Em 2016, Peaches lançou um álbum de remix de seu último disco, Rub.

Para saber mais: Wikipedia,Site Oficial, AllMusic

Karina Buhr

https://www.youtube.com/watch?v=O_hQyIUJZbY

Apesar de ter sede em Recife, a cantora, compositora, atriz, escritora, ilustradora, percussionista e fanzineira Karina Buhr nasceu em Salvador. Sua carreira começa lá atrás, em 1992, no Maracatu Piaba de Ouro, seguido pelo Maracatu Estrela Brilhante. Fundou a banda Comadre Fulozinha (da qual Alessandra Leão também fez parte), fez participação em diversos projetos como a banda Eddie, Mundo Livre, Dj Dolores, Mestre Ambrósio, Cidadão Instigado. Tocou com o mestre Naná Vasconcelos e com Antônio Nóbrega.

Plural, em 2015 a artista lançou o livro Desperdiçando Rima e rodou o país com um espetáculo que mistura poesia e música para apresentá-lo. Seu disco Selvática é, inegavelmente, uma marca na (chamada) nova MPB. Tem participações em trilhas sonoras e estrelou a montagem de Os Sertões, do Grupo Oficina, com a qual rodou o mundo.

Karina é uma figura forte, vê-la no palco é impactante. Sem papas na língua, suas entrevistas e apresentações não tem meandros. Ativista feminista, criou o zine digital Sexo Ágil, lançando anualmente no dia 8 de março. Foi escolhida Artista do Ano em 2010, pela APCA, foi indicada ao VMB pelo menos duas vezes, tocou em uma das edições da Womex, ganhou prêmio de melhor trilha sonora no festival de Brasília, pelo filme Era uma vez eu, Verônica. Karina Buhr pavimenta uma estrada longa e sólida, uma carreira artística prolífica e, mais uma vez, prova que as mulheres estão bem a frente da renovação musical do país.


Para saber mais: Site Oficial, Socialista Morena, Twitter

Anika

https://www.youtube.com/watch?v=3Z_h7wkYJgc

Anika tocou um dia na BBC6. Foi um desses momentos de silêncio na sala, de “meu deus, eu preciso saber o que é isso”. Anika é esquisita. Instigante. Sua música é inteligente e incomoda. Ela também é jornalista política. Um pé em Berlim, outro em Bristol, uma mão lá no México, porque a artista Anika brica de twist com sua produção.

Dividida entre Inglaterra e Alemanha, ela acabou conhecendo Geoff Barrow, em meio à criativa cena de Bristol, e em 12 dias gravou um disco acompanhada pelo Beak. Sua voz lembra muito a voz de Nico, especialmente nos trabalhos pós Velvet Underground. Seu primeiro disco, homônimo, foi lançado na Europa, Japão e Estados Unidos e arrancou críticas positivas ao redor do mundo. O álbum é cheio de versões criativas e nada caça-níquel como "Terry" (Twinkle), "End of the World" (Skeeter Davis), "Masters of War" (Bob Dylan) e "I Go to Sleep" (The Kinks.). Sua versão de "Yang Yang", de Yoko Ono, foi eleita o single do ano em 2010.

Em 2016, se juntou aos músicos Martin, Hugo e Amon, no México, e juntos criaram o Exploded View, que vem rodando Europa, Reino Unido e Escandinávia, paralelamente aos esporádicos shows solo e coberturas jornalísticas que mantém Anika na estrada.

Para saber mais: Bandcamp, Tumblr, Twitter

Você também pode gostar

0 comentários