Escute "Festa", primeiro single de "Escorpião", o novo disco doGodasadog

por - 12:30



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O Godasadog, dupla formada por Victor Meira (Bratislava) e Adam Matschulat, aparece no Altnewspaper nesta quarta-feira (16) pós-feriado para lançar “Festa”, primeira faixa de seu novo disco, Escorpião, que chega nas ruas segunda que vem. Numa pegada bem diferente do que foi apresentado anteriormente, em Hoje, por exemplo, o som chega carregado de lógica da estética, a lógica dos sonhos.

“A Festa” nasceu a partir de um poema, escrito por Victor Meira em 2009 e quando ele leu o texto novamente, rolou um estranhamento. "Ao me deparar com o poema, me deparei como um estranho a ele, quase sem o reconhecer. Estranhei as figuras, estranhei as intenções, mesmo todas surgidas de mim em certo tempo anterior. Senti esse incomodo muito forte com a confusão que o poema era. O que era mesmo a festa do mundo? O que é esse abrigo que chamo de âmago e me parece um refúgio da festa do mundo, o lugar que reserva um tão-esperado silêncio? Revendo todo esse contexto, acho que na época eu estava em fuga da festa – a festa como o caos imbecil do mundo –, buscando um lugar de alento onde eu pudesse encontrar paz, segurança, tranquilidade. O coração desse labirinto e a resposta para a charada: o âmago, como único lugar possível de fuga. Eu mesmo, o meu interior, o acesso a isso, o interno oposto ao que é externo. A viagem para dentro de si mesmo", conta Victor.

Cinco anos depois, em 2014, Victor resolveu musicá-lo, depois de entender o significado real do que era essa tal festa, explica. "Só que em 2014 eu não estava de acordo com isso. Porque a festa não pode ser o mal, não pode ser o problema. Há uma mudança violenta de perspectiva aqui. A festa passa a ser a terra-prometida, o éden intocado, inviolado, puro. Ela continua acontecendo – como no poema – atrás dos muros, onde não se alcança, num lugar impossível. Ouvimos ela se desenrolando em outro lugar, e estamos fora desse lugar (como no começo da música, do lado de fora da festa). Só que agora há um desejo de chegar nela. Receio e desejo, mas o que em 2009 eu percebia como o inferno, agora me parece ser o paraíso. E então vou atrás dela, ergo a cabeça e vou escalar, vou percorrer a masmorra e, finalmente, quando chego ao centro dela, com o que me deparo? Com o mesmo paraíso descrito no poema: o âmago. O lugar nunca tocado pelo sol, o nife da nossa mente, o centro do nosso coração, o universo de dentro. A diferença é que o âmago agora abriga a festa. O inferno-maravilhoso, dentro do paraíso, o fim da dualidade. O beat do fim da música desacelera, cai pela metade, estamos no slow-down confortável da iluminação, do compreender-e-relaxar. Abrigamos o silêncio e a festa dentro de nós mesmos, no nosso lugar sagrado".

Ouça "A Festa" abaixo.

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