365 Girls in a Band – Review #28

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Um review sem muita introdução, inspirado naquele poema do Chacal:

“Vai ter uma festa
que eu vou dançar
até o sapato pedir pra parar.
aí eu paro
tiro o sapato
e danço o resto da vida”

Dona Onete

https://www.youtube.com/watch?v=341yqKDf3Ik

Raramente pensamos na questão do envelhecimento e da anulação do idoso numa sociedade que preza a produtividade e a pressa, como é a nossa. Dona Onete foi descoberta pelo Coletivo Rádio Cipó com mais de 60 anos de idade, com filhos e netos criados, aposentada da profissão de professora de história e ex-secretária de cultura da cidade onde morava, Igarapé-Miri.

Aos 72 anos, gravou seu primeiro disco. Ela, que sempre pesquisou e valorizou a cultura paraense, agora tornava-se uma protagonista de sua produção. Conhecida como a diva do carimbó chamegado, Dona Onete tornou-se uma estrela em conjunto a uma crescente e jovem produção musical no Pará, gravando com nomes como Aíla e Gaby Amarantos. Atualmente, ela roda o Brasil com seus shows e recentemente fez apresentações com outro grande nome do Pará, Fafá de Belem. Fazendo música para dançar juntinho e se acabar a noite inteira, Dona Onete abusa do duplo sentido em suas letras e tem mais de 200 composições, gravadas por ela e por outros nomes da cena local. A artista foi um dos destaques do documentário da BBC Latin American Beats, sobre a nova cena musical latino americana.

Para saber mais: Site Oficial, Facebook, Spotify, Eletronika

Von Iva

https://www.youtube.com/watch?v=8fuHPYFPUk4

Quando eu descobri Von Iva, tornou-se minha banda da semana. A semana perpetuou-se por umas muitas semanas. Hoje ela está no meu top 15 de bandas da vida. Por quê? Porque elas são ótimas. Tem energia, são boas para dançar sozinha em casa ou fazer faxina, ao mesmo tempo que conseguem ser faixa coringa em qualquer discotecagem.

Com um som eletro punk, a banda era formada pela baixista Elizabeth Davis, antes no 7 Year Bitch, e Jillian Iva, de quem tomaram o sobrenome emprestado. Davis saiu da banda posteriormente e Iva seguiu com Bex e Lay Lay. Com a saída de Elizabeth Davis, Jillian assumiu os vocais pela primeira vez em sua carreira e seu estilo de cantar e presença de palco são fundamentais para dar “a cara” da banda. A banda tem influências tão diversas quanto Devo e Tina Turner e em cima da base mega dançante, ouvimos letras bem críticas.

Com algumas participações em filmes, a Von Iva conseguiu muito sucesso após sua participação no filme Yes, Man!, com Jim Carrey e Zooey Deschanel (que faz o papel de vocalista da banda fictícia Munchausen by Proxy).

Para saber mais: AllMusic

La Roux

https://www.youtube.com/watch?v=wZ2h-TNWEVg

A dupla Elly Jackson e Ben Langmaid formam o La Roux. Elly é a cara e a voz do projeto - que visualmente também é super interessante, seja em clipes ou em capas de discos – enquanto Ben é o produtor musical. Misturando eletro e synthpop, a dupla lançou seu primeiro disco em 2009, após 3 anos trabalhando juntos. Antes da La Roux, Elly e Ben tiveram um projeto chamado Automan, que trabalhava basicamente com música acústica.

A transição para a música eletrônica aconteceu a partir do crescente interesse de Elly pelo estilo, através de show de bandas como Orchestral Manoeuvres in the Dark (OMD). O nome do projeto brinca com a aparência andrógina da vocalista, misturando o pronome feminino ‘La’ com o adjetivo masculino ‘Roux’ - vermelho em francês, fazendo referência a cor elétrica do cabelo de Elly.

Hits como "I’m not your toy" e "Bulletproof", fazem com que a dupla seja um sucesso garantido de pista. A dupla já foi indicada à um sem número de prêmios e ganhou um Grammy e um NME, entre outras premiações.

Para saber mais: Wikipedia, Site Oficial, Twitter

Thunderbitch

https://www.youtube.com/watch?v=Setk29Hogek

Projeto paralelo de Britanny Howard, voz e guitarra à frente do Alabama Shakes, o Thunderbitch é puro rock’n’roll. Com um primeiro – e possivelmente único – disco lançado, a banda tem um descrição biográfica bem simples e definitiva em seus site: Thunderbitch. Rock’n’Roll. The End. Os pseudônimos Thunderbitch, Matt Man, B Bone, ThunderMitch, Char Man e A Man não entregam a formação da banda, que também nunca aparece nas fotos de divulgação, com exceção de uma Britanny Howard em uma jaqueta de couro preta.

Sem muitos segredos, a banda entrega um rock puro, com pitadas de garage rock e punk, focado no estilo clássico, e é impossível ignorar o som dançante e provocativo das guitarras com o vocal particular de Britanny.

Afastada do soul que está fortemente presente na Alabama Shakes, esse projeto lado B se mantém mesmo meio à margem: poucos shows, sem planos abertos para um novo disco. A Thunderbitch pode ser só um respiro passageiro, mas vale cada acorde.

Para saber mais: Consequence of Sound, Site Oficial

Miss Bolivia

https://www.youtube.com/watch?v=rLHpCMb9G0g

Misturando estilos como hip hop e cumbia, Miss Bolivia, pseudônimo de Paz Ferreyra, é, na verdade, argentina. Criada na rua Bolívia, ela usou o nome do logradouro para se auto referenciar. Bissexual, a artista é ligada à luta de direitos humanos e suas letras refletem essa preocupação e combatividade.

Formada em psicologia, ela parou de exercer a profissão para se dedicar a música. Seu primeiro disco, um EP independente, foi lançado em 2011, 3 anos após ela começar a escrever suas próprias rimas. Esse disco a levou por turnês em grandes shows pela América Latina e Europa. Seu segundo disco foi lançado em 2013, sob o pesado nome da Sony.

Com letras que falam de empoderamento feminino, valorizam a cultura das pequenas localidades e modos de vida alternativos. Com toda essa carga política, Miss Bolivia não esqueceu da parte rítmica e suas músicas são dançantes, com uma batida quebrada, misturando estilos locais com bases eletrônicas, rimas de rap e samplers. Uma delícia de ver e ouvir.

Para saber mais:  Bandcamp, Mi Drockga, Facebook

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