365 Girls in a Band Review #29

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O ano virou. 2016 se travestiu de pior ano ever, mas 2017 já chega cheio de más premonições: Trump presidente em exercício, milagre de mais de 200 anos que não aconteceu, a crise financeira que não melhora, a crise de caráter que só piora. Selecionei, então, cinco bandas e projetos de minas para enfrentarmos a guerra que 2017 promete trazer.

Rakta

https://youtu.be/6-S4QjvtiCI

O Alexandre Matias, do Trabalho Sujo, soltou um texto recente cujo título era: Pare tudo para ouvir as Rakta. O quarteto paulistano de som inclassificável tem uma qualidade técnica imprescindível, canta em português e chuta a porta de quem acha que a nova música brasileira não é criativa ou inovadora. Paula, Nath, Carla e Laura fizeram uma turnê no Japão e Estados Unidos. Gravaram uma apresentação na rádio KEPX e sempre ganham tentativas de descrição/definição que não alcançam a grandeza do seu som. Talvez seja mesmo a melhor banda de rock do Brasil no momento e tem potencial para ganhar o mundo e crescer cada vez mais. Os discos estão todos disponíveis para audição no bandcamp da banda. O sonho de trazê-las para tocar em BH só cresce. Não vou me alongar muito: os vídeos e os links dizem muito mais sobre essas mulheres incríveis.

Para saber mais: Nada Pop, CVLT Nation, Aleatoriedades, JC Online

Tati Quebra Barraco

https://www.youtube.com/watch?v=tVNjQ8F-CAA

Aquela que, para mim, é a rainha inconteste do funk brasileiro, Tati estourou com músicas como "Dako é Bom" (que contribuiu para o aumento de vendas de fogões da marca) e "Sou Feia, Mas Tô na Noda". Quebrando os padrões de beleza do funk brasileiro, Tati não apenas tomou o microfone das mãos dos caras como fez sucesso sem ser uma cantora tipo “gostosa”, se afirmando e empoderando um bocado de mulheres pelo país. Seu reality show reúne outras mcs em uma casa de luxo em Copacabana para fortalecer as mulheres do funk (MC Carol, fã confessa de Tati, estava lá) e discute, no meio da edição que valoriza os barracos, a própria estética do funk e das mulheres funkeiras.

Recentemente, Tati perdeu seu filho, assassinado pela polícia do Rio de Janeiro e sofreu, além da dor da perda, o ódio gratuito que deu o tom das redes sociais nesse 2016. Forte, a cantora não se rendeu as ofensas, está brigando pela investigação da morte do filho, denunciando as ofensas sofridas nas redes sociais e continua sambando na cara da sociedade, mostrando que não abaixa a cabeça nem nas piores tragédias.

Para saber mais: Facebook, Wikipedia

Cyndi Lauper

https://www.youtube.com/watch?v=EZwsGo0owj8

Porque depois desse ano horrível, Girls just wanna have fun(damental rights). Cyndi Lauper também apareceu em uma Nova York decadente, com saias de tule e brilho, muito brilho. A indústria cultural adora fazer uma competição Cyndi X Madonna, mas por aqui nós vamos apoiar a sororidade. Além de cantora e compositora, Cyndi Lauper também é atriz e ativista pelos direitos LGBT. Apesar de seus sucessos mais conhecidos terem ficado nos anos 80 – além de "Girls Just Wanna Have Fun", "Time after Time", ela também estava na trilha sonora de Goonies, em que fez uma rápida aparição – ela continua compondo e gravando até hoje.

Sucesso de público, Cyndi tem vários prêmios e chegou a vendar 50 milhões de cópias. Ganhou Emmys, Grammys, Tonys, VMB’s (sim, todos no plural). Seu álbum de estreia está na lista de 500 melhores álbuns de todos os tempos da Rolling Stone. Influenciou artistas como Nick Minaj, Pink, Britney Spears e a banda No Doubt. É considerada uma das primeiras artistas feministas a aparecer na MTV. Entre vários projetos de apoio a causa LGBT, ela fundou o True Colors Residence, que auxilia na busca de emprego e residência temporária para homossexuais. Não conseguiria contar 33 anos de carreira em pouco mais de um parágrafo. Acho impossível não amar a Cyndi Lauper.

Para saber mais: Wikipedia,  Site Oficial, Instagram

Lydia Lunch

https://www.youtube.com/watch?v=Vl_VmeoVMr4

O visual sexy de Lydia Lunch certamente deixaria suas tias intimidadas de perguntar se ela não está namorando. Saída da cena no wave, mais ou menos na mesma Nova York bagunçada que gerou tanto Cindy Lauper quanto Sonic Youth, Lydia Lunch deixa claro, logo de cara, que ela se basta. Cantora, compositora, poeta, atriz, escritora e palestrante, ela chegou a ser eleita uma das figuras mais influentes dos anos 80. Junto com James Chance fundou sua primeira banda, Teenage Jesus and The Jerks, e sua lista de colaboradores célebres nunca parou de crescer J. G. Thirlwell, Kim Gordon, Thurston Moore, Nick Cave, Marc Almond, Einstürzende Neubauten, Sonic Youth, entre vários outros nomes. Sempre trabalhou de forma independente, tem sua própria gravadora e, além de sua música, sua postura sobre arte é sempre bastante firme e radical. Sua voz marcante parece que arranha o nosso cérebro. Dá para ouvir suas músicas via Bandcamp e comprar álbuns a preços não necessariamente impossíveis também na plataforma. Para dar o play quando começarem aqueles papos sobre o futuro, a prestação da casa, os filhos ou o namoradinho.

Para saber mais: The Guardian, Site Oficial

Mercenárias

https://www.youtube.com/watch?v=MpCzVUPmyAY

Se nenhuma das opções acima for suficiente, as Mercenárias estão aí pra isso. Punk brasileiro de primeira qualidade, as meninas estão na estrada, sob a batuta de Sandra Coutinho, desde 1983. A banda contou com Edgar Scandurra em sua primeira formação, mas o baterista nem chegou a gravar o primeiro disco (mas é possível ouvir uma demo com ele aqui.). Desde então, é uma all female band.

O primeiro disco das moças teve uma ótima recepção. Lançado pelo selo independente ligado à loja Baratos Afins, as canções "Me Perco nesse Tempo" e "Polícia" logo chamaram a atenção de gravadoras maiores, fazendo com que as Mercenárias assinassem com EMI. O segundo álbum, Trashland, foi lançado pela gravadora e alcançou relativo sucesso, mas não foi devidamente divulgado. Para piorar a tensão, a empresa rompeu o contrato com a banda sem aviso prévio, via telegrama. As Mercenárias se desfizeram, Sandra se mudou pra Berlim e suas parceiras Rosália, Lou e Ana largaram a carreira. Em 2005, Coutinho retornou e retomou a banda, desta vez com Geórgia Branco e Pitchu Ferraz. Sandra Coutinho já declarou em diversas entrevistas a dificuldade de seguir com o projeto, mas resiste firme e forte. Talvez porque Mercenárias seja pura resistência.

Para saber mais: Facebook, linda, Scream & Yell

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