A cabeça musical de Felipe S

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[caption id="attachment_28728" align="aligncenter" width="695"] Felipe S por Luan Cardoso[/caption]

Felipe S é vocalista e um dos fundadores do Mombojó, uma das bandas mais populares de pernambuco no cenário nacional. Depois de mais de 15 anos de carreira com o grupo e alguns projetos paralelos bem sucedidos no meio do caminho, ele resolveu que chegou a hora de lançar um disco solo. Cabeça de Felipe tem esse nome por causa de uma arte feita por Mauricio Silva, pai de Felipe, que tem este nome. O disco foi gravado durante o ano de 2016 no estúdio que ele tem na casa dele em São Paulo.

O trabalho apresenta 10 faixas que soam diferente do Mombojó na atualidade, mas ao mesmo tempo parece ser uma revisitação na carreira do Felipe entre seus projetos paralelos e sua banda. Além de canções que saíram da cabeça de Felipe e em parcerias, o trabalho ainda conta com uma versão da canção “Vão”, de Publius e Juliano Holanda e uma letra da atriz Juliana Didone.

Aproveitamos a chegada do primeiro disco solo do camarada para bater um papo sobre o disco, a carreira dele com a banda e o que ele espera para 2017. Já antecipo que o show de estreia deste novo trabalho vai rolar dia 19 de fevereiro, no Edifício Texas. Ouça o disco e leia a entrevista abaixo.

https://www.youtube.com/watch?v=wjs17f21KJ0&feature=youtu.be

Sonoramente é um disco diferente dos seus últimos trabalhos com a Mombojó e com o Trio eterno. A ideia era soar diferente?

Eu não tinha a ideia de fazer o disco até o momento que eu gravei umas sessões de voz e violão e Homero gravou algumas percussões. Na ocasião eu tinha gravado "Anedota Yanomami" e "Calçada Proibida". Depois, ouvindo as gravações, começou a fazer sentido lançar as músicas com poucos instrumentos e senti que poderia fazer algo dentro dessa lógica minimalista. Daí foi natural colocar coisas guardadas que geralmente não tem muito haver com o que já tinha feito antes.

Ao mesmo tempo, sonoramente, o Cabeça de Felipe parece uma mistura de toda sua carreira. Tem coisa que lembra cada um dos discos da Mombojó e também o Trio Eterno. É por aí?

Acho que sim. De alguma maneira eu tenho uma identidade na minha produção, mas não sei explicar qual seria essa identidade.

Um samba (choro) depois de 13 anos (Nadadenovo). Sei que a Mombojó não tá mais nessa vibe, mas quanto tempo tem essa música?

Essa música é de 2012 aproximadamente (não lembro ao certo). Lembro que em 2006 eu não tinha nenhuma vontade de cantar samba ou isso que eu toco dizendo que é samba. Hoje em dia deu vontade novamente. Essa música é uma parceria com Rodrigo Sâmico que é o cara que me ensinou a tocar violão. Isso pra mim é muito especial. E é nossa primeira parceria oficialmente gravada.

Em 2014 você deu uma entrevista pro RockInPress em que dizia não ter vontade de lançar um trabalho solo. O que mudou? Existiu algum ponto crucial para este disco solo nascer além do estúdio em casa?

Foi um desejo muito recente. Eu decidi fazer o disco em julho. E foi muito rápido, pois em setembro eu já estava com o disco masterizado. Acho que hoje em dia no Mombojó pelo nosso entrosamento nós conseguimos criar juntos e do zero. O que me deixa livre pra fazer discos com minhas músicas. Não acho que uma coisa exclua a outra. hoje em dia é muito comum ver as pessoas que eu admiro tocando em muitos projetos diferentes.

Você lançou a faixa solo "Concreto" em 2015, "Vão" é uma música que já tocava com o Trio Eterno. Quais canções foram compostas para o disco?

Todas as músicas já existiam antes do disco. Como ainda tenho mais de vinte músicas inéditas, foi uma escolha dentro das músicas que eu tinha vontade de cantar. Porque "Vão" é uma música de Juliano Holanda e Publius. E o nome do disco acho que me dá essa liberdade para escolher o que eu mais gosto e quero apresentar ao público que acompanha meu trabalho.

Fala um pouco das participações deste trabalho.

Homero Basílio foi o cara que gravou todas as percussões do disco e criou todos os arranjos das percussões. Essa mudança de estilo que as vezes atribuem a mim nesse disco na minha opinião é a presença de Homero arranjando a parte rítmica das minhas músicas e também mixou a música "Tigre Palhaço". Rafael Cunha da banda Gudicarmas tocou todas as baterias no disco, que foram gravadas por Arthur Dossa numa casa da Pompéia que foi minha primeira moradia em São Paulo. Achei legal ter um cara novo vindo de outra geração influenciando no meu trabalho. Assim como Sofia Freire que fez vocais na faixa que abre o disco.

Márcio Oliveira foi o cara que gravou todos os metais. E inicialmente ele foi à minha casa no intuito de conhecer. Acabou levando o instrumento e gravando em várias músicas. Ter trabalhando em músicas diferentes com Rodrigo Sâmico (parceiro em "Santo Forte") e Rogério Sâmico (mixagem "Sabe Quando") foi bem especial pra mim também porque foi voltar a tocar com os amigos que tocavam na primeira banda que eu tive chamada Play Damião. Outra parceiro que eu destaco é o Cristiano Lenhardt, artista gaúcho residente em Recife que é parceiro na música "Nova Bandeira" e fez o cenário do meu show que eu vou estrear dia 19/02 no terceiro andar do Texas.

As pessoas que finalizaram as minhas músicas foram fundamentais no trabalho dos que ainda não foram citados Habacuque Lima e Missionário José, que estão tocando na minha banda. Missionário mixou "Vão" e "Nova Bandeira", essa última foi produzida por Habacuque. Tive também Arthur Dossa fazendo mixagem da faixa de abertura "Anedota Yanomami", Arthur Joly fez "Calçada Proibida", Rafael Bresciani fez "Santo Forte", Ira Ribas fez “Trovador” e China mixou "Da Capoeira pro Samba" e "Departamento do Amor", além de ser autor em "Santo Forte". Com essa já temos mais de 20 músicas gravadas em parceria.
felipe s - cabeça

E como vai funcionar ao vivo? Já pensou na banda ou como vai ser?

Vão rolar shows sim. Serei acompanhado por um trio cada um usando poucos equipamentos. Baixo, bateria e um guitarrista/tecladista.

Este disco chega logo após um trabalho da Mombojó com a Laetitia Sadier. Um lance meio grudado no outro. Alexandre em 2014, projeto com a Laetitia em 2016 e agora seu solo. O que proporcionou esta acelerada de projetos/lançamentos?

A vontade de fazer. Alexandre já vai fazer 3 anos e tive vontade de lançar algo inédito de uma forma simples conciliando com o que já estamos fazendo com o Mombojó. Acho que vem da vontade de fazer mais shows durante o ano. É a coisa que eu mais gosto de fazer na vida.

Você já deu várias entrevistas falando do tempo passado e dizendo que ainda se sente jovem. Novos projetos rejuvenescem? É essa ideia de contrassenso? (mais projetos ou discos/ menos idade ou velhice).

No meu caso está me envelhecendo porque tudo depende de mim. Existe um desgaste bem maior, mas como eu tenho tempo livre e vontade pra fazer sigo em frente. Não tinha pensado no contrassenso.

Esse é o primeiro solo de muitos ou isso não foi pensado?

Com certeza esse é o primeiro de muitos.

Hoje em dia você consegue mensurar o sucesso?

Eu consigo mensurar no sentido de me ver numa condição boa de vida. Morar numa casa que eu gosto, perto do metrô, ter um espaço em casa para trabalhar e comemorar porque eu demorei mais de 10 anos vivendo só de música e pra chegar até aqui não foi fácil. Isso pra mim é sucesso.

Recife, São Paulo ou Londres? Por quê?

São Paulo. Ainda quero viver o esforço de crescer profissionalmente aqui para depois ir morar em algum lugar mais calmo e falo isso sem sofrimento. Me adaptei a morar aqui principalmente porque meus horários eu mesmo faço.

Existe alguma sonoridade que você ainda quer explorar e não o fez? Qual?

Reggaeton

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