Os novos rumos de Bruno Faleiro com o Sci Fi

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Sci Fi por Vinicius Raposo

Você provavelmente conhece o Bruno Faleiro de outros carnavais, ou melhor, de outras bandas. Ele já tocou no Colorido Artificialmente e recentemente era um dos integrantes do grupo de indie rock mineiro Câmera. No final de 2016 ele resolveu colocar em prática um projeto pessoal, o Sci Fi, que nada mais é que uma forma de terapia, como ele mesmo já explicou. Sem praticamente nenhuma pretensão, Faleiro fez o lançamento de seu primeiro disco solo em dezembro do ano passado, pela Midsummer Madness, e inclusive já fez um show de estreia em Belo Horizonte acompanhado pelo seu antigo parceiro do Câmera, Matheus Fleming e os músicos Marco Túlio Ulhôa, Marcão Wljpt e Juliano Guimarães.

Curioso pelo rumo que o projeto pode tomar, o que o motivou ao criar algo sem nenhuma pretensão, troquei uma ideia com ele. Leia abaixo.



Você comentou que o Sci Fi foi um processo de terapia. Foi um processo de terapia pessoal ou em termos musicais mesmo, após o fim do Câmera?

Na verdade, a música sempre foi isso pra mim. Apesar de todo o envolvimento que tenho há anos, com diferentes bandas, a música nunca foi minha principal atividade. Então, a hora de tocar sempre foi a hora de escapar um pouco. Com o fim do Câmera, eu sabia até mais o que não queria fazer do que o que realmente queria. E o que não queria era me repetir, fazer algo que já tinha feito antes, tanto em questões musicais quanto ao processo. Como tenho cada vez menos tempo para dedicar a música, achei que era o momento de sair da minha zona de conforto e me dedicar a um projeto que não dependesse tanto de outras pessoas e que as pessoas também não dependam tanto de mim. Consequentemente, pude experimentar mais, ficar mais livre pra colocar minha cara nessas músicas.

O Matheus Fleming, que foi do Câmera, te ajudou bastante no Sci Fi né? Qual é a importância dele pro projeto?

Ele foi fundamental. O Matheus, junto ao Marco Túlio e Marcão, que também estão tocando comigo nos shows ao vivo, foram os principais incentivadores desse projeto, quando ele era ainda um embrião. Após isso, o Matheus produziu o disco comigo, mixamos, masterizamos, ele gravou algumas guitarras, eletrônicos e todas as baterias do disco. Agora que estamos fazendo shows, ele é guitarrista do Sci Fi. Ou seja, se não existisse o Matheus, não existiria Sci Fi.

Você também comentou sobre não ter muitas expectativas com o projeto, mas não rola aquela ansiedade pra fazer uns shows além do de lançamento, mesmo que seja apenas em Belo Horizonte?

A verdade é que eu dei uma cansada do rolê de banda independente como um todo. Não estou com saco para ficar divulgando, correr atrás de shows, ficar mascando produtor, tomar prejuízo, etc... Não que o rolê não seja legal, pelo contrário, é muito foda, mas, pessoalmente, dei uma fritada. Então, a única preocupação que estou com esse projeto é minha satisfação e a dos meus amigos que estão envolvidos nisso comigo. Em dezembro, fizemos um show em BH e gostamos muito. Tanto pelo momento do show quanto pelo clima dos ensaios que foi muito leve, muito divertido mesmo, e toda a banda está na mesma pegada de som. Então, nesse esquema, sem grandes pretensões, sem pressão, vamos indo.

https://www.youtube.com/watch?v=gsCmgJs1wc0


A primeira música do disco, "Avery Rd", me lembra bastante o Câmera e isso é meio óbvio, já que você tocou na banda. No release diz que você mostrou cinco dessas seis músicas pro pessoal do Câmera, que elas já estavam meio que prontas pra banda. Qual foi a única composição que não estava nessa leva?


Concordo com você. Acho que essa música é a que mais me lembra algumas ondas do Câmera, e esse tipo de comentário não me incomoda nem um pouco. Toquei no Câmera por mais de seis anos, sempre deixei tudo o que acreditava na banda. Mesmo não atuando como compositor no Câmera, estranho seria se não tivesse referências em comum. Das músicas do EP, "Avery Rd", "John Young Parkway", "May 26" e "White People Problems" foram feitas em janeiro de 2016. "Trailer Park Boys" eu fiz a base em 2011, mas a letra só foi feita em junho do ano passado. A última música composta foi "Man Ray", que fiz praticamente durante as gravações do EP e decidimos colocar no disco depois que o Matheus gravou uma guitarra espacial, com ebow, e a música subiu de patamar.

Você tocou no Colorido Artificialmente, no Câmera e o tempo passou. O fato de investir num projeto solo e não mais numa banda, tem a ver com o seu processo de amadurecimento musical e pessoal?

Como disse antes, tem bem a ver com meu momento pessoal sim. Além de estar cada dia com menos tempo para me dedicar a uma banda como é preciso e com pouca paciência, fiz esse projeto para sair da minha zona de conforto. Havia muitos anos que não fazia uma música inteira, nunca fui vocalista ou guitarrista e peguei isso como ponto de partida. Não tenho o menor interesse em repetir as soluções que encontrei antes.

A Midsummer Madness é um dos maiores selos independentes do país. Como rolou o contato pra lançar o Sci Fi por lá?

Já conheço o Lariú desde a época do Colorido Artificialmente. Sempre tive vontade de soltar algum trabalho pela Midsummer Madness, mas ainda não tinha rolado a oportunidade. Quando finalizei o disco do Sci Fi, mandei pra ele porque acredito que o som dialoga muito bem com outros sons do selo que eu acho foda, tipo Valv, Churrus, Lava Divers, Pin Ups, que é essa onda mais guitarreira, anos 90, indie velho.

O que a gente pode esperar do Sci Fi para os próximos meses?

Como rolou esse primeiro show e a gente tomou gosto pela coisa, uma das poucas coisas que posso prometer é mais alguns shows em lugares pequenos (em fevereiro já temos um confirmado). Estou negociando alguns shows fora de BH, mas que não estão 100% fechados ainda. Quem sabe pintem umas músicas novas também, vamos ver. Por enquanto, o plano é não ter planos.

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