365 Girls In a Band - Review #31

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Fevereiro começou, os blocos de carnaval já estão ensaiando desde o fim do mês passado e, no lado pessoal, as coisas parecem voltar a se organizar, depois de um janeiro regido pela guerra. Em homenagem ao clima festivo que comanda a disputa pelas cidades no mês de Momo, organizei a lista abaixo.

Daniela Mercury


A eterna rainha do axé tem elementos muito mais interessantes do que outras majestades de trio elétrico. Daniela despontou nos anos 90, quando o Faustão era um programa menos falido que atualmente, emplacou músicas em novelas, colocou o axé em um patamar de MPB. Apesar de parecer um sucesso meteórico, a cantora começou sua carreira ainda nos anos 80, como vocalista da banda Eva (posto que seria de Ivete Sangalo alguns anos depois), foi backing vocal de Gilberto Gil e só em 1989 assumiu a carreira solo. “Swing da Cor” e “Menino do Pelô”, parcerias com o Olodum, viraram hits imediatos. Com essa carreira longeva, que se estende para fora do país, Daniela é também compositora e produtora musical e mantém um controle rígido de sua carreira, co-produzindo a maior parte de seus álbuns. Foi sua a ideia de levar um trio elétrico para o circuito Ondina-Barra, em Salvador, e seu trio, um dos mais antigos do carnaval da Bahia, é famoso por trazer pesquisa musical, intervenções artísticas e inovações que vão bem além das canções de verão que dominam as rádios todo começo de ano. Além da carreira musical, Mercury participa de projetos sociais – como a Caravana da Música - além de ter se tornado ativista dos direitos LGBT após assumir sua relação com Malu Versoça.


Jovelina Pérola Negra


Nascida em Botafogo, Jovelina começou a cantar na Baixada Fluminense. Por seu estilo vocal, foi considerada a sucessora natural de Clementina de Jesus e, assim como sua predecessora, dividiu a carreira artística com outros trabalhos: primeiro, como empregada doméstica, depois como vendedora de linguiça. Apesar de ser um grande sucesso tanto como pastora no Império Serrano, onde se destacou ao lado de outros nomes do samba, como na roda de samba que acontecia na Praça XI, no Rio de Janeiro, Jovelina só fez seus primeiros registros em disco aos 40 anos. Atualmente, é mais fácil encontrar suas canções em coletâneas. Seus discos originais são artigos raros, mas ela chegou a ganhar um disco de platina com um de seus álbuns individuais. Com uma voz particular, Jovelina Pérola Negra é referência para diferentes artistas da nova geração, como Marcelo D2 e considerada uma das principais vozes do pagode carioca. Entre suas fãs, estão Alcione e Maria Bethânia.


The Selecter


Pauline Black é vocalista do The Selecter, a primeira mulher em uma banda da retomada do Ska, que aconteceu em meados dos anos 70. Além de cantora, ela também é atriz e escritora. Filha de um príncipe yorubá e uma judia, Pauline foi adotada por um casal branco mais velho que a chamava sempre de “coloured”. Baseada nesse tratamento, ela adotou o sobrenome artístico Black, como forma também de assumir suas origens. A Selecter tem um posicionamento bastante político e tratava de temas espinhosos, como sexismo, racismo e outras questões ligadas à minorias, no mesmo movimento feito pela gravadora da banda, a 2Tone. Como atriz, Pauline ganhou o prêmio Time Out por sua interpretação de Billie Holliday. Tem um disco solo e, paralelo ao The Selecter, tocou o projeto 3men&Black. Após duas separações e uma briga na Justiça, ganhou o direito ao uso do nome The Selecter e em 2015 lançou o disco mais recente da banda, Subculture, e continua em turnê pelo mundo.

Para saber mais: Site Oficial, The Guardian

Erykah Badu


Cantora, compositora, atriz, produtora musical, DJ e ativista, Erykah Badu iniciou sua carreira após abrir um show para D’Angelo e encantar um produtor que se encontrava na plateia. Filha da atriz Kolleen Maria Wright, Erykah começou a se apresentar nos palcos cantando e dançando com a mãe, aos quatro anos de idade. Aos 14, fazia freestyle na rádio de sua cidade natal. Estudando na Grambling State University, uma universidade tradicionalmente negra, ela começou a se dedicar mais seriamente à música. Um pouco antes de se formar, largou a faculdade para investir na carreira musical e chegou a dar aulas de dança e interpretação para crianças, antes de sua descoberta, em 1994. Seu primeiro disco ganhou álbum de triplo platina e gerou comparações da texana com a diva Billie Holiday. Com a evolução de sua carreira, seus discos foram se tornando mais políticos e trazendo novos elementos ao soul e R&B que marcaram sua carreira inicialmente. Junto com Queen Latifah e Jill Scot fundou o festival Sugar Water Festival, voltado a ajudar as questões de saúde de mulheres sul africanas. Após ganhar seu primeiro computador, Eryka começou a produzir suas próprias músicas e também a receber e colaborar com artistas de diversas partes do mundo. Esse foi o embrião dos geniais discos New Amerykah part one e New Amerykah part two, lançados pela Motown, seus dois discos mais icônicos. Como atriz, atuou em House D. e fez participação em vários seriados. Considerada a rainha do neo soul, Badu lançou seu disco mais recente em 2015


Mahmundi

 
Mahmundi é o nome de palco de Marcela do Vale, uma garota carioca que tem chamado a atenção de público e crítica especializada, fazendo canções que são classificadas como refrescantes. Cantora, compositora, produtora e técnica de som, Mahmundi conheceu o universo musical na igreja, onde começou a cantar e tocar violão e teclado. Mas foi trabalhando no Circo Voador, um dos locais mais importantes para a música autoral no Brasil, que ela pegou intimidade com o palco e fez dele a sua casa. Ali, Mahmundi ainda não era a artista, mas técnica de som que fez shows com bandas como Tame Impala e Cat Power. Interessada na música que toca nas rádios e que são ouvidas por uma grande audiência, a compositora mistura elementos de lo-fi, eletrônico, pop, completadas por sua voz leve. A ideia é atingir um grande público, fazer uma música que seja “para todo mundo” sem cair no erro de ser fácil ou palatável. Seu primeiro EP, auto-produzido, Efeito das Cores, já chamou a atenção de ouvidos atentos, como o do produtor Liminha. Setembro, o segundo, causou impacto semelhante. Após algumas apresentações de sucesso, foi convidada por Carlos Eduardo Miranda para integrar o time do selo que ele estava gerindo junto à Skol. Mahmundi (2016) é o primeiro álbum, gravado quase todo em seu home estúdio, co-produzido por Miranda e finalizado por Kassin. As canções refrescantes ganharam alguns toques de ácido cítrico, e Mahmundi continua sendo uma das melhores pedidas do verão cada vez mais quente e tenso.



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