365 Girls in a band - Review #33

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O review #33 é uma mistura de indicações e achados que conheci pesquisando para o 365 Girls in a Band. A parte mais colaborativa do projeto, em que eu paro para escutar as bandas sugeridas por quem acompanhou o primeiro ano, sempre foi uma das minhas favoritas e cheia de surpresas boas. Espero que vocês também se surpreendam.

Throwing Muses



Indicação do Batista, um cartunista genial, Throwing Muses é uma banda americana formada em 1983 pelas meio-irmãs Kristin Hersh e Tanya Donelly (além da Muses, também foi parte da The Breeders e The Belly e toca uma carreira solo) ainda no colegial. O primeiro disco do grupo, lançado em 1986, saiu pelo prestigiado selo indie britânico 4AD, a primeira banda americana a assinar com a gravadora. Com letras cheias de angústia e um som cheio de arestas, elas se baseavam na composição conjunta de Hersh e Donelly. Hersh sofria de um tipo de bipolaridade que a fazia ter alucinções e esse sofrimento está bem presente em sua criação artística. A Throwing Muse gravou muito e fez turnês extensas entre 1987 e 1992, quando Tanya saiu do grupo para formar a The Breeders. Kristin seguiu com a Throwing Muses por mais cinco anos, fazendo um trabalho solo paralelamente. Em 1997, a Muses encerrou suas atividades. Em 2003, no entanto, elas gravaram seu oitavo álbum e retornaram as atividades com Tanya Donelly nos backing vocals. Em 2014, elas fizeram uma turnê pelos Estados Unidos com Donelly fazendo atos de abertura em alguns dos shows.

Suzi Quatro


A primeira de uma nobre linha de baixistas, Suzi Quatro é pioneira e é exemplo. Frontwoman com um baixo nas mãos, uma formação rara até hoje em grande bandas, ela começou a tocar muito nova. Em 1964, aos 14 anos, ela formou bandas totalmente femininas, com suas irmãs Patti, Nancy e Arlene. Em uma apresentação, o produtou Mike Most viu as meninas tocando e se interessou pelo som, mas particularmente pela técnica e presença de palco de Suzi. Em 1971, Suzi assinou com o produtor, que já havia trabalhado com Jeff Beck e The Animals, e se mudou para o Reino Unido, iniciando sua carreira solo. Seu primeiro single, "Can the Can", chegou ao primeiro lugar das paradas em maio de 73 e vendeu 2 milhões e meio de cópias. Em 1977, expandiu sua área artística e passou a atuar na série Happy Days. Sua carreira de atriz se estendeu até os teatros. Além de cantar, compor, tocar e atuar, Suzy comanda um programa de rádio na BBC 2. Sua carreira está ativa ainda hoje e em breve ela deve lançar um livro de poemas.

Para saber mais: Site Oficial,  WikipediaAllMusic

Teca Calazans


Meio incomodada com a ausência de compositoras brasileiras, comecei a escarafunchar a internet em busca de novas referências. Dei de cara com Teca Calazans, não me lembro se no susto ou se apresentada por alguém (talvez o Hominis Canidae?). Cantora desde que se entende por gente, essa capixaba criada em Recife começou a carreira atuando no Movimento de Cultura Popular, onde iniciou suas pesquisas sobre a cultura local. Em 1968, mudou-se para o Rio de Janeiro para trabalhar no Teatro Opinião. É só com sua partida para a França e a montagem da dupla Teca & Ricardo que a compositora embarca de vez no universo musical. Com cinco álbuns gravados, a dupla foi convidada a tocar ao lado de Baden Powell e o sucesso em terras francesas chegou até o Brasil. Quando retornou ao país, Teca começou a carreira solo e teve composições suas gravadas por nomes como Gal Costa e Nara Leão. Gravou outros cinco discos em sua carreira solo e, nos anos 90, retornou à França e se fixou por lá. Para além da carreira nos palcos, Teca desenvolveu um trabalho de pesquisa da cultura folclórica nordestina e gravou diversas coletâneas de música nordestina para importantes selos franceses.

Para saber mais: Site Oficial

Las Ligas Menores


Foi a lindeza da Mariana de Moraes quem chegou indicando bandas argentinas e Las Ligas Menores veio nessa leva de sugestões. A cena do nosso país vizinho é agitadíssima e vasta, com muitas mulheres atuando fortemente nos palcos. Formada por Anabella Cartolano (voz e guitarra), María Zamtlejfer (voz e baixo), Micaela García (bateria), Nina Carrara (teclados, percussão e backing vocal) e Pablo Kemper (voz e guitarra), o grupo estreou em 2011 e logo começou a rodar pela Argentina com outros artistas da cena indie local. No mesmo ano, foi eleita banda revelação da cena. Seu primeiro disco foi lançado em 2012 e teve um alcance bem grande, mas é a partir de 2014 que o grupo cresce e ultrapassa de vez as barreiras nacionais. O disco Las Ligas Menores abraça o indie de vez e quebra estereótipos de música latina. Além de algumas entrevistas e de páginas oficiais, há pouca informação sobre o histórico da banda na internet (e meu espanhol improvisado também pena com as informações existentes.). Nos links aqui embaixo dá para escutar mais.

Para saber mais: Bandcamp, FacebookIndie Hoy 

Ema Stoned



Eu adoro Ema Stoned. Dito isto, não me lembro bem quem ou como me levou até a banda. Acredito que foi o Distúrbio Feminino. Essa experimental, all girl, space band, como está descrito no bandcamp delas, é formada por Alessandra Duarte na guitarra, Elke Lamers no baixo, Jéssica Fulganio (Dolphins on Drugs) na bateria e Sabine Holler na voz e synth. Como Sabine mora em Berlim, a banda é descrita como trio/quarteto e parece ter surgido sem muita pressão ou pretensão. O primeiro trabalho gravado, Gema, tem uma arte de capa belíssima e saiu em 2013. Só em 2016 elas lançaram algo novo, respeitando o tempo da banda, apesar de toda a hype em cima desse projeto.
Além de valer a pena conferir cada uma das canções desses mulheres, é legal notar como o que parece fluir bem no grupo passa para as músicas. Não são entendiantes, tem timing, tem espaço para todos os instrumentos e a voz e sempre deixam uma vontade ouvir o próximo single e ir para o próximo show.

Para saber mais: Bandcamp,  FacebookNoisey 

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