365 Girls in a Band - Review #34

por - 14:02


Depois de uma semana cheia de tensão e eletricidade no ar, criamos uma playlist meio esquizofrênica para lidar com uma nova semana, essa atolada de expectativas.

Cellular Chaos



A banda chegou em mim por um dos amigos mais queridos que tenho em BH. Um grande entendedor de música e filosofia, ele nunca perde o bom humor para conversar sobre nenhum dos assuntos. Minha vontade é não dizer uma palavra sobre a Cellular Chaos e deixar só o som da banda rolando. Admiral Grey, Weasel Walter, Mark Edwards, Admiral Grey e Shayna Dulberger são punks, no sentido mais puro do termo. O show é uma energia só, dá para perceber isso nos vídeos do Youtube que reproduzem apresentações em palcos minúsculos (sinto que qualquer teatro seria minúsculo para essas pessoas). Baseados em Nova York, Admiral Grey e seus comparsas não deixam nada a dever a cena punk de 77. Ainda acho que a melhor opção é falar menos e deixar vocês ouvirem mais.

Para saber mais: Facebook Bandcamp

Diamanda Galás



Americana, filha de gregos, cantora, compositora e instrumentista, Diamanda Galas nasceu para ser uma diva. Soprano, ela usou sua voz peculiar e sua incrível técnica vocal para abalar as estruturas da música avant garde e, não satisfeita, virou performer e pintora. Diamanda é uma das inspirações de Tulipa Ruiz e de Ana Mo, vocalista do Madame Rrose Sélavy. Seu visual e sua postura de palco passam longe de ser discretos. Sua música é envolvente e catártico. Você pode gostar ou não, mas é impossível não ser tocado pela provocativa Galas. Trabalhou com vários compositores de vanguarda, entre eles, Iannis Xenakis, Vinko Globokar e John Zorn. Em 1998, ela passou por São Paulo e impressionou a plateia. Seu primeiro disco já foi descrito como o que poderia ser a programação de rádio no inferno. Se parece que a moça só quer chocar, é um engano. Diamanda quer testar limites, das artes e entre as artes, e convida seu espectador a se entregar ao seu sinestésico espetáculo.

Para saber mais: Diamanda Galas, a sacerdotisa da fúria

Sleater-Kinney


Terminei de ler a pouco o livro Hunger Makes Me a Modern Girl, da Carrie Brownstein, guitarrista do Sleater-Kinney. Foi um livro que acabou demorando muito para me pegar, mas me fez insistir por deixar muitas pistas pelo caminho. Terminei gostando ainda mais da banda e tendo mais vontade de ver esse trio ao vivo. Com todas as críticas que se possa fazer, a cena de Olympia ainda é uma pedra fundamental na construção da estrada do rock feito por mulheres, com letras sobre o universo feminino. O Sleater-Kinney pode ser descrito como um encontro improvável de três pessoas que estavam em busca de uma mesma coisa. Também é claramente sobre a paixão pela música e pelas amigas. "Dig Me Out" é uma música absurda. No Cities To Love é um álbum lindo e doloroso. E, junto com o livro da Viv Albertine, guitarrista da The Slits, a história da Sleater-Kinney me fez pensar sobre o quanto somos educadas para amar e servir a outra pessoa, e o quanto este trio (ou uma atividade criativa) pode nos empoderar para sair desse ciclo. Ouçam tudo que puderem deste grupo americano.

Para saber mais: Twitter Bandcamp

Larissa Baq 



Larissa Baq e seu disco v.o.a me surgiram na esteira do #MulherCriando e do Sonora - Ciclo Internacional de Compositoras. Mostrando a força dessas iniciativas, acabei descobrindo uma artista que gosto bastante e que acho que ainda terá muito a dizer na carreira longa que promete ter. Seu álbum de estreia é um reflexo dos anos de estrada e palcos que visitou ao redor do mundo e traz várias participações. Falando sobre se libertar e voar, esse é um disco que nos leva numa viagem de descoberta e tem um efeito bem encorajador sobre mim. Vale uma escuta atenta e tranquila.

Para saber mais: Youtube Facebook

UT



Pioneira do No Wave, as integrantes da UT estavam naquela Nova York decadente e fértil que completa 40 anos neste ano, mas foi só em 78 que Nina Canal, Jacqui Ham, e Sally Young formaram a banda. Lançando discos pelo seu próprio selo, o Out Records, a UT passeou pela Inglaterra com grupos como The Fall e caiu nas graças de John Peel, que gravou diversas Peel Sessions com o grupo americano. Em 1988, gravaram o disco In Gut's House, que entrou no Top 50 da NME. Em 1989, Steve Albini produziu o disco Griller. Conhecidos por sua mistura de rock, avant-garde e free jazz, a UT reuniu o que havia de melhor em seus antecessores, nomes como DNA, Pere Ubu e The Raincoats, para criar um som original e completamente fantástico,

Para saber mais: Wikipedia Site Oficial

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