365 Girls in a Band - Review #35

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Começo a empacotar meu livros para (mais uma) mudança e esse estado de exceção-transição-adaptação constantes está começando a me cansar. Esse é um review sobre o cansaço, a quase desistência e a vontade de acreditar que sou uma "persistente não-idiota", como me ensinou a Mercenária Sandra Coutinho.

Cesária Évora



Cantora de maior reconhecimento internacional da história musical de Cabo Verde, Cesária Évora começou a cantar ainda criança. O pai tocava cavaquinho, violão e violino e Évora, junto com seu irmão saxofonista Lela, se apresentava cantando na praça principal de Mindelo, sua cidade de origem. Conhecida como a Diva dos Pés Cescalços, por sempre se apresentar com os pés nus, a cantora dominava diversos estilos de canto e desde os 16 anos se apresentava em bares e hotéis. Aos 20, começou a ser remunerada por suas apresentações para a companhia de pesca do país. Em 1975, faz um hiato de dez anos em sua carreira, por motivos pessoais. A esse período, a própria cantora dá o nome de dark years. Em 1985, ela retorna aos palcos e em 1988 é convidada a se apresentar na França, onde acaba gravando um disco e fixando residência. Só aos 47 anos alcançou o status de estrela internacional. Ganhou Grammy em 2004 e em 2009 foi condecorada pelo então presidente francês com a medalha de Legião da Honra. A vida de Cesária Évora foi retratada no documentário luso-caboverdiano Tchindas. A cantora faleceu em 2011.

Para saber mais: AllMusic (e a gente tá precisando melhorar as fontes sobre Cesária Évora, viu?)

Elliphant



Poucas rappers passaram por aqui e a sueca Elliphant é uma delas. Inicialmente acompanhada pela dupla de produtores Tim Deneve e Ted Krotkiewski, que a conheceram em uma festa, a cantora e compositora logo chamou atenção do selo TEN Music Group, assinando com eles 6 meses depois de iniciar sua carreira. Seu primeiro single virou trilha do jogo FIFA e foi comparado às produções de M.I.A e Diplo, alçando-a ao primeiro pantẽao do rap-pop mundial. Seu primeiro EP foi lançado em 2012. Em 2013, assinou com a Kemosabe Records e lançou o primeiro disco completo, contando com diversos produtores de música eletrônica, incluindo a dupla sueca Niki and The Dove. A canção "One More", que contou com a participação de MØ, conseguiu 360.000 views no Youtube em três semanas. Daí em diante, sua trajetória de sucesso vem se firmando. Seu álbum mais recente foi lançado em março do ano passado e, apesar de ser acusada de perder a visceralidade, ela continua muito boa no que faz.

Para saber mais: 5 fatos sobre ElliphantSite oficial

Ginger Brooks Takhashi



Artista dividida entre Nova York — mais especificamente a meca hipster do Brooklyn — e North Braddock, Ginger Brooks acredita em trabalho coletivo. Trabalhando sempre em grupos, ela ajudou a criar o coletivo feminista genderqueer, o jornal LTTR e a exposição-biblioteca itinerante Mobilivre.
Multiartista, na música Ginger foi parte do coletivo MEN, banda também colaborativa, montada inicialmente para uma exposição. Transitando livremente entre diversas áreas da arte e da comunicação, Ginger Brooks Takahashi é uma referência não apenas como mulher musicista. Protagonista e coletivista, ela mostra o poder que uma mulher adquire quando se empodera e tem aquele ar de que, sim, um outro mundo é possível.

Para saber mais: Site oficialSmack Mellon

Juliana Perdigão



A cantora, compositora e clarinetista mineira só vem ficando mais e mais legal. Ela ficou bem conhecida entre estas montanhas quando ainda se apresentava junto com o Graveola e o Lixo Polifônico. Jornalista, reza a lenda que ela e Tulipa Ruiz se conheceram antes de abraçarem suas carreiras artísticas, em outros empregos, e voltaram a se encontrar quando Tulipa quis gravar "Cada Voz", música que encerrava o primeiro disco solo de Juliana. De Minas, ela se mandou para São Paulo, fez parte do Teatro Oficina e vem colaborando com um monte de gente massa. Prova disso é o show que fez no Teatro Bradesco com a também maravilhosa Ava Rocha. Seu segundo disco, Ó, saiu pelo projeto Natura Musical, que tem aberto portas para o que há de melhor na música nacional. Minha sensação é que, a cada dia, Juliana Perdigão se solta mais um pouco e mostra uma face mais ousada e experimental que ainda vai trazer muita coisa rica e instigante para a música brasileira.

Para saber mais: Resenha no Miojo IndieSite Oficial



Julia Shapiro, Lydia Lund, Annie Truscott e Gretchen Grimm são as meninas do Chastity Belt, saído de Walla Walla, no estado de Washington. Se as fotos de divulgação abusam daquela cara de anuário escolar americano, o som desse quarteto passa muito longe de ser tedioso. As letras são irônicas e ácidas e falam de feminismo, brincando com estereótipos de gênero e com a construção do conceito de feminino.  Apesar da pouca idade, as meninas tem um som consistente. Seu primeiro disco, No Regrets, teve uma boa repercussão e Time to Go Home foi bem recebido pela crítica, levando a banda em turnê pelos Estados Unidos e Europa. Já com algumas faixas disponíveis no bandcamp, o disco I Used to Spend So Much Time Alone sai em 2 de junho e promete mais diversão pela frente.

Para saber mais: FacebookAllMusic, Bandcamphttp://chastity-belt.bandcamp.com/

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