A segunda temporada de Stranger Things é legal, mas vamos com calma

por - 17:27

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Stranger Things está de volta ao Netflix muito parecida com sua primeira temporada, tanto nos acertos quanto nos erros. Ambientada cerca de um ano após o desaparecimento de Will Byers, os habitantes de Hawkings tentam viver uma vida normal, mas ainda convivem com os traumas causados pelo contato com o mundo invertido.

Se por um lado toda a nostalgia dos anos 1980 faz o espectador lembrar da infância (ou um tempo que não viveu), por outro parece que a série a usa como muleta para garantir ibope. A trilha sonora é um exemplo disso. Ao ir de Devo a Oingo Boingo e Scorpions no mesmo episódio, Stranger Things tira aquele sentimento de saudosismo e se torna um jogo de “entenda a referência”. Com isso fica a pergunta se ela teria o mesmo sucesso se a história passasse em uma década mais recente.


Outro problema da temporada é o excesso de contextualização. Os dois, talvez três, primeiros episódios podiam ser condensados eliminando partes desimportantes como o jantar de Nancy e Steve com os pais de Barb. Os irmãos Duffer, criadores de Stranger Things, já haviam dito que fariam justiça à personagem morta na primeira temporada, mas a forma como conduziram o sentimento de culpa da irmã de Mike foi desnecessário. Podiam tê-lo feito em menos tempo e sem propaganda do KFC.

Desnecessário também foi o sétimo episódio, aquele em que Eleven vai atrás de sua “irmã perdida”. Os acontecimentos em Chicago foram importantes para o desenvolvimento da personagem, mas praticamente ignorar os acontecimentos em Hawkings, a coerência narrativa do roteiro é quebrada. Seria melhor se a fuga dela se desse em paralelo com a ida de Will para o laboratório e o ataque dos Demodogs.

A série também apresentou alguns personagens que não mostraram muito a sua função na série. Se Bob, vivido por Sean Astin, estava ali só por mais nostalgia dos anos 80 e já era certa sua morte, Billy nem para morrer serviu. O novato valentão, criado para ser o antagonista de Steve, passa mais tempo fazendo pose de mal e servindo de desculpa para colocarem Hard Rock oitentista na trilha sonora. E acaba sendo um desperdício. A série podia ter explorado mais sua relação com o pai violento, que só é vista um cena do oitavo episódio.

A personagem de Kali é outra que até agora foi subutilizada. Ao aparecer logo no início do primeiro episódio, criou-se a expectativa de que ela teria muita importância durante a temporada. Ninguém a vê mais até o episódio sete, no qual foi mais uma mistura de Professor Xavier com Mestre dos Magos. Apesar disso, ela pode ser uma ótima adição para as próximas temporadas. Caso tenha um desenvolvimento à altura.


Deixando os aspectos ruins de lado, a temporada trouxe mais uma vez Winona Rider entregando uma ótima atuação como a mãe de Will Byers. Seu filho na série, que teve mais tempo de tela, também se mostrou um ótimo ator, dando verossimilhança a todo seu sofrimento. Isso acontece tanto nos momentos de desamparo, quanto nos momentos em que a entidade que tomou conta de seu corpo luta para não ser expulsa de lá.

Outra característica muito boa da temporada foi deixar as crianças interagirem mais com outros personagens. Mike mostra força ao estar sempre pronto pra ajudar seu amigo; Lucas constrói uma  relação de amizade e romance com Max; Eleven tem seus momentos de pai e filha com o policial Hopper. Mas a melhor de todas é a de Dustin com Steve. Recorrendo ao adolescente para ajudá-lo com o Demodog, eles acabam tendo um ótimo diálogo sobre mulheres e laquê para cabelos.

Apesar de todas as reclamações feitas acima, Stranger Things é sim uma série muito boa. Melhor ainda para "maratonar" no fim de semana. Mas ela necessita aparar algumas arestas e talvez se controlar quanto às referências. No final do dia é necessário que a série tenha sua originalidade e não pareça só um amontado de clichês de outras décadas.
 

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