Todos os anseios do Fernando Motta



Confesso que achei muito pretensioso o pequeno hype criado em torno do músico mineiro Fernando Motta no seu primeiro disco Andando sem olhar pra frente (2016), mesmo atestando qualidade musical e nos vídeos lançados por ele. Na real, ele nunca passou esta pretensão pra mim, talvez fosse mais pela afronta do uso da tag emo e sadcore por um guri, ou talvez tenha sido a tal da cena do rock triste, parecia tudo meio zoeira demais. A questão é que ele não me convenceu ao vivo na primeira vez que o vi, na tour que ele fez no nordeste em 2016 com o João e o Jonathan. Às vezes, a vida é assim. 

Neste ano, o músico surgiu aos 45 do segundo tempo e participou de uma mega tour pelo Brasil com Vitor Brauer e Jonathan Tadeu, passando por 54 cidades do país durante cerca de três meses. Voltei a ver o Nando ao vivo no show que ele fez com o Vitor e o Jonathan em Teresina, cidade na qual estou morando no momento. Mesmo com a convivência rápida, pude acompanhar toda a ansiedade dele ao lançar um dos singles do novo disco um dia após ao show por aqui. Percebi que em meio a toda uma pressa de chegar a algum lugar, tão natural da juventude, ele levava bastante a sério tudo que estava fazendo e que também fazia aquilo com toda a sinceridade que é possível ser expressa em sua música. E posso dizer que existe uma evolução, não apenas musical, mas também de maturidade entre os discos do Fernando e isso é foda, por que o intervalo é realmente bastante curto.

A verdade é que a vida é uma espécie de jogo de azar e que no fim das contas, estamos sempre julgando uns aos outros, rotulando e tentando encaixar o outro e se encaixar. É tipo você que tá lendo isso e acompanha o Hominis Canidae, deve me achar legal pra carajo, mas talvez eu não seja tão legal assim. O lance é que munido de questões que pairavam desde o fatídico HC Apresenta feito com ele, Vitor e Jonathan em Teresina, resolvi bater um papo com o Nando. Acabamos falando de quase tudo que permeia Desde que o mundo é cego,falamos sobre morte, tristeza, religião, Belo Horizonte, entre outras coisas que é melhor você ler ouvindo o disco.



 Lendo o release e ouvindo o disco, queria saber a quanto tempo você tá fazendo esse novo disco.

Comecei a pensar nele depois da turnê pro nordeste no fim do ano passado, mas foi no começo desse ano que ele começou a tomar forma mesmo. Eu sempre fui meio notívago, mas de um ano pra cá comecei a ter muitas dificuldades pra dormir e isso começou a fugir do meu controle. Não era simplesmente porque minha cabeça funcionava mais durante a noite, é porque eu não conseguia parar e dormir mesmo. Às vezes parecia até um processo de auto-sabotagem, quando tava quase pegando no sono, despertava de novo e às vezes com alguma ideia. As músicas foram surgindo sempre desses momentos nessas noites muito parecidas.

Quanto essa tour com o Jonathan e o Vitor influenciaram neste trabalho? Pergunto por que esse momento antes de dormir é influenciado pelo meio e você dormiu em vários locais diferentes nos últimos meses.

É engraçado porque eu pretendia lançar o disco até antes da turnê, mas não deu tempo. Quando a gente saiu de viagem, no final de abril, eu já tinha composto 90% dele. Ele vem muito mais do meu quarto e dos meus momentos sozinho. Eu encaro a turnê mais como um intervalo nesse processo. A gente não tinha tempo pra muita coisa, então acabei nem compondo muito, ficava só anotando algumas ideias, essas coisas. Acho que foi assim pros meninos também. Nossa concentração estava voltada para cumprir o objetivo principal ali, que era de chegar em todas as cidades, fazer os 54 shows. Mas mesmo assim, durante a viagem, eu ainda gravei umas coisas e mandei pro João Carvalho mixar. Foi assim que consegui soltar os dois singles (“Impulso Pra Voar” e “Futebol”). E durante a viagem, o cansaço era tanto que eu dormi até bem, quando tinha a oportunidade. A rotina era maluca, às vezes a gente saía de um show e viajava direto durante a madrugada inteira. Mas quando chegava na casa de alguém e via a cama lá dando sopa, tinha de aproveitar de qualquer jeito. Quando a viagem acabou e eu voltei pra casa, foi meio que a retomada ao processo. Voltei à rotina, ao lugar de origem do disco, sabe. Aí a ideia de montagem final foi ficando mais clara na minha cabeça.

E musicalmente, a tour te influenciou para esse disco? Porque acredito que você deve ter visto várias bandas novas que nunca tinham nem ouvido falar. Se quiser citar o que você viu e curtiu nesta tour.

Como eu falei, quase todas as músicas já estavam compostas, mas acho que em questão de arranjo eu mudei muita coisa e é inegável que tenha absorvido algumas coisas da turnê. Foi muito tempo tocando e não só minhas músicas né, tocando as músicas do Vitor e do Jonathan, então você vai aprendendo novas coisas. E a gente vai assistindo muitos shows, ouvindo muita coisa diferente no carro, muita coisa por tabela, que normalmente não chegaria até você, então acho que em alguma medida deve ter influenciado. Foram muitos shows bons. De cara, lembrei aqui de um show da Eliminadorzinho, em SP, que eles tocaram com um balde no lugar da caixa da bateria (porque não tinha caixa na casa de show). Depois o Vitor resolveu tocar com o balde também, a gente não podia perder a oportunidade. Haha.


Tem música sobre morte no disco e é sempre um assunto meio intocado, pelo menos diretamente. Qual a necessidade de falar da morte?

É, eu acho que tem alguns temas recorrentes no disco e a morte é um deles. “As mortes”, como o título da música. Eu encaro isso como se fosse a foz de um rio. Alguns temas, de alguma forma, vão acabar desembocando ali. E a partir disso a cabeça da gente flui para outros lugares também e a coisa continua. Eu abordei isso ao falar (e pra falar) das minhas dúvidas, de espiritualidade, de distanciamento, de intolerância e de vários outros assuntos que esbarram aí. Acho que é por isso que a gente tem visto esse tema tão recorrente em discos esse ano, porque você vai falar de alguma coisa, vai seguir algum caminho que eventualmente vai dar nesse destino. A minha morte aparece algumas vezes, é importante a gente ter uma certa reflexão sobre isso às vezes também, mas acho que o mais importante é a gente ter consciência de que umas coisas (que podem parecer simples e bobas) que a gente fala pode desembocar na morte de outras pessoas. Acho importante falar disso sem ironia, falar diretamente. As coisas andam muito normatizadas, as mortes às vezes são só palavras nos jornais. Não fiz isso pensando exatamente numa espécie de “função da música”, mas acho que nela dá pra falar disso de uma forma menos padronizada.

"Ela, Deus" são quantas músicas em uma? E existe uma temporalidade nas histórias?

Doido demais você falar isso, porque eu realmente pensei em dividir a música e colocá-la como mais de uma faixa no disco, ato 1, ato 2, essas coisas. Mas se fosse pra separar mesmo, acho que seriam só duas mesmo, apesar de eu falar sobre três viagens diferentes. A primeira parte da música, a segunda que é a que envolve a mulher com a bíblia e a terceira, que é quando eu abro um parênteses pra falar da viagem com o João e o Jonathan. Nas três acontecem coisas que envolvem espiritualidade, pressentimentos. Uma me faz lembrar das outras.

Você achou que iria morrer indo pra Recife? conta essa história do avião espatifar direito.

Não, foi voltando de lá, na verdade. A gente pegou um voo da Latam que tinha conexão em Guarulhos. A primeira parte da viagem foi tranquila. Mas o trecho SP x BH foi tenso demais. A gente embarcou e, na hora do avião taxiar pra cabeceira da pista começou um barulho bizarro, parecia uma máquina de lavar velha. Nessa hora já comecei a ficar com medo porque eu já tenho um certo receio de avião. O comandante falou no sistema de som que eles iriam “resolver uns problemas técnicos” e rapidinho a gente já estaria pronto pra decolar. Esse procedimento aí durou bem mais que os 15 minutos previstos. Na volta, ele falou que assinou um protocolo lá e que a gente tava pronto pra subir. Na hora eu já pensei “pronto, esse cara assinou o negócio assumindo o risco de qualquer acidente”. 

Cara, na hora que esse avião foi decolar, esse barulho voltou com tudo e o sistema elétrico do avião começou a dar pau. As luzes começaram a apagar e acender, as paradas eletrônicas todas também e, o pior, o avião parecia não ter força pra sair do chão. Eu nunca vi uma decolagem tão lenta na minha vida. O negócio não saía do chão direito, parecia que a gente ia cair no meio dos prédios. Nisso tinha umas crianças gritando e todos os adultos extremamente sérios, acho que todo mundo pensou em ficar de boa pra não apavorar ainda mais os pequenos. Só sei que quando a gente estabilizou no ar, começou o serviço de bordo mais rápido que já vi na minha vida. A aeromoça me deu uma coca e no primeiro gole que eu dei já passou o cara recolhendo os lixos. Tava todo mundo apavorado. O Jonathan tava do meu lado e falou “quando a gente chegar em BH, vamo até beber uma cerveja pra comemorar que a gente tá vivo”. Aí eu falei “calma, Jonathan, ainda tem o pouso”. E é lógico que começou a pane na hora do pouso também. Não gosto nem de lembrar. Hahaha. Eu fui um dos últimos a descer do avião, aí fui perguntar pro comandante que que tinha rolado. Ele assumiu que rolou uma pane elétrica, mas não antes de tirar onda comigo perguntando se eu tive que trocar de cueca durante o voo. Desgraçado.

Direta (como em "ela, deus") ou indiretamente (citando jesus, etc), tu se remete muito a religião. Tu é mais um católico não praticante? Pensei em te perguntar se tu não tem mais "fé na vida", acho que vai bem com essa ideia de religião.

Pois é, essas coisas de religião sempre mexeram comigo. Minha família é muito católica. Eu me culpava muito por não conseguir ter fé. Quando era adolescente e alguma coisa ruim acontecia, eu ouvia e achava que era culpa minha por não acreditar. Então essas coisas flutuam na minha cabeça desde essa época. Mas eu tenho fé na vida sim, dá pra ser feliz independente de acreditar em qualquer coisa.

Tu falou que sua família é bem religiosa. Eles não escutam seus discos? Tu ouve muita opinião sobre teus trampos?

Acho que ouviram o primeiro, mas o segundo não ouviram não, acho que é natural que haja uma certa perda de interesse à medida que as coisas vão deixando de ser novidade. O que eles já me falaram é que “é bonito, mas é muito triste” hahaha. Mas é melhor não pensar na família na hora de fazer música não, se não a gente fica travado com o que eles vão pensar.


Em "Andando sem olhar pra frente" tem várias referências cinematográficas (pelo menos no nome das músicas). Este segundo essas referências ainda estão presentes? Onde?

É verdade, no primeiro tem muito isso. Dessa vez eu economizei nessa parte, não tem nenhuma referência direta. Mas acho legal que isso fique como característica mais do primeiro mesmo. 



Você torce pro galo, mas frequenta estádio? Um dos carros chefes do disco fala de futebol, queria entender um pouco mais sua relação com o esporte.

Torço e frequento, tenho até aquele sócio-torcedor lá Galo Na Veia Prata. Mas ultimamente o Galo decepcionou tanto que tô usando esse trem só pra ganhar desconto no latão no supermercado. Então, eu gosto muito de futebol. Tanto que esse foi um dos motivos dessa ideia da música ter despertado em mim. Eu pensava “cara, mas eu amo tanto futebol e durante tanto tempo isso foi um trauma pra mim”. A resposta tá na música. Hoje em dia eu gosto de jogar, mas continuo meio ruim, claro. Hahaha. O jogo virou e hoje em dia futebol é um dos meus assuntos preferidos. A gente tem uma liga no Cartola com o povo de algumas bandas independentes, chama Cartolinha do Underground MTV. O grupo que a gente criou pra conversar é o único grupo de whatsapp divertido que já participei na vida.

Gostei muito da banda pra esse disco. O Fábio e o Joãozinho era de se esperar, mas acho que o Jonathan um ótimo nome neste disco. O show também vai ter violão como no disco?

Na verdade o Jonathan não tá nesse disco, mas ele foi um dos primeiros a ouvir as demos e dar uma força. É uma sorte enorme ter esses caras por perto. Então, o violão tá bem mais presente nesse disco né. Nos shows, sempre que der quero colocar o violão também, mas nem sempre é tão viável de levar nas viagens. Acho que dá pra adaptar muita coisa pras guitarras também.

Já pensava em tocar com eles desde que eu tava compondo, tanto que foram os primeiros a ouvir as demos. Já conhecendo bem os amigos, em algum momento que a gente tá compondo a gente pensa "pô, essa o fulano vai gostar" e eu pensei neles várias vezes. É uma sorte enorme ter esses caras por perto pra poder tocar junto.

Te surpreendeu as baterias do Fábio? Por que eu não lembro de baterias tão legais nos trabalhos dele. Por sinal, parabéns Fábio.

Demais. Ele tem um jeito muito próprio de tocar. Quando eu fiz a “Futebol (Colônia de Férias)”, já mandei pra ele na hora falando como imaginava a bateria meio de math rock. No primeiro ensaio, a gente já bolou ela. Lembro também da primeira vez que a gente tava executando a ideia da bateria de Ela, Deus. Quando ele começou a fazer aquelas loucuras, na hora a gente já pensou: “é, tem que ser exatamente assim, como se a bateria estivesse se desmontando, se desfazendo em algumas partes”. Ele é muito intuitivo e talentoso. 


Eu ia te perguntar: Mudar de BH ou mudar BH? Mas como você faz parte de um coletivo mineiro, te pergunto: Por que mudar BH?

Respondendo então à pergunta que seria feita inicialmente: eu não mudaria de BH, por enquanto. Principalmente porque sou muito ligado à ideia de passar anos e anos da minha vida ao lado dos amigos que tenho aqui. Na verdade, até fico meio apavorado de me imaginar em outro lugar. Talvez eu já fui engolido pelo provincianismo daqui. Haha. Mas na verdade, a gente rodou o Brasil inteiro e as queixas das pessoas sobre as cidades onde moram sempre são muito parecidas, acho que o negócio é não deixar de fazer as coisas por causa da cabeça dura dos outros, gente que quer manter as coisas como estão e pronto, sabe.

Você é de Uberlândia (se não me engano). Por que não mudar Uberlândia? E existe alguma característica da cidade (musical ou não) que você percebe na sua arte/ música?

Não, sou de Coromandel, uma cidade com menos de 30 mil habitantes, próxima a Uberlândia. Em Uberlândia até daria pra dar esse rolê e a cena de lá tem mostrado que é possível. Mas no interiorzão mesmo igual Coromandel é difícil demais, é uma cidadezinha aconchegante até, tem muita gente boa, mas muito conservadorismo ainda. Seria bom se desse pra mudar alguma coisa, mas é foda. Ao mesmo tempo, acho que o interior te dá a oportunidade de ter amigos que dificilmente você teria se vivesse a típica vidinha na capital, cheia de nichos e tudo mais. Acho que é até mais intensa a coisa de ir descobrindo suas diferenças e aceitando as diferenças dos outros também. Mas também é muito fácil fechar a cabeça e ser só mais um igual todo mundo. Eu acho que inevitavelmente tem muito de lá e desses dilemas aí em mim e na minha música.

Tu sente que rola um menosprezo com a cena musical de BH? Da imprensa independente/ da imprensa grande/ do publico do Brasil e da cidade?

Existe menosprezo pra todo lado. Se existe dentro das próprias cenas, vai existir na imprensa também e no público também, óbvio. Existe de tantas formas... pelo saudosismo, pela omissão… Mas acho difícil generalizar, falar se vem mais daqui ou dali. Vez ou outra a gente percebe que fazem questão de fazer vista grossa pra umas coisas.

Qual sua primeira lembrança envolvendo música?

Escutar Beatles e essas músicas de coletânea romântica dos anos 70 que meus pais gostavam de botar nas viagens de carro. (Vou até procurar essa coletânea aqui pra baixar, vai dar uma nostalgia desgraçada hahahaha). Depois comecei a gostar muito de Spice Girls, que minha irmã ouvia muito.


Quer falar um pouco sobre o título do disco? Desde quando o mundo é cego pra você? Tem alguma relação com ensaio sobre a cegueira?

Esse título soa meio pretensioso né? Hahaha. Mas na verdade eu até acho bom que soe mesmo. Pensei que isso faria o disco ficar mais sério, que ia dar menos brecha pra ironia e algumas pessoas iam querer ouvir pra saber do que se trata. Acho que uma das características do disco é que a narrativa vai se construindo em meio a muitas dúvidas e acho que o título, que a princípio pode parecer uma afirmação, pra mim funciona também como um condicionamento a um objeto e temporalidade não muito bem definidos. Imagino o título funcionando como o verso “desde que o mundo seja alguma coisa”, na primeira música. Pode ser visto como uma condicionante. Eu gosto de como ele deixa uma coisa meio indefinida no ar e vai passeando junto com as dúvidas que vão aparecendo. Eu não escrevi isso tendo o Ensaio Sobre a Cegueira como referência, mas obviamente eu também pensei nisso depois e comecei a fazer a associação. Uma vez vi uma entrevista do Saramago que ele conta que teve a ideia do livro do nada enquanto almoçava num restaurante. Ele fala que pensou na hipótese de todos ficarmos cegos e logo em seguida respondeu pra si mesmo: “mas nós já estamos todos cegos”. Depois ele fala alguma coisa do tipo que a história do ser humano é uma tragédia contínua, que nunca houve um momento de paz. É tipo o “desde”. Acho que o título dá uma universalidade pras músicas, que a princípio seriam ensaios muito particulares.

Como que o disco funcionou ao vivo?

Ainda estou pensando em como adaptá-lo da melhor maneira. Por enquanto só fizemos um show, que foi num pequeno estúdio aqui em BH, então foi tipo no esquema inferninho, priorizei as músicas mais agitadas. Mas ainda quero fazer um show com mais detalhes, fazer com os violões, o piano... vou pensar nisso pra um show de lançamento.

Em "meus planos são como nuvens", você aparece tocando um piano. Fiquei com a impressão de ser um amigo antigo que você tá reencontrando agora. É isso mesmo? Ou é amigo recente?

Eu não sou pianista, não sei a técnica correta de tocar nem nada disso. Eu sempre arranhei um pouquinho, sabia os acordes e tal, mas nunca tive muita oportunidade de treinar muito e aperfeiçoar isso. Mas essa música eu bolei os acordes no teclado uma vez. Depois acabei de compor no violão. Mas eu sempre imaginei o resultado final no piano, aí sentei e tirei os acordes do violão no piano.

"não esperar a vida adulta para despachar os grandes ",  você não respeita os mais velhos, Nando?

Isso tem mais a ver com o menosprezo que você citou ali. Mais a ver com essa coisa de status alcançado e até onde querem que você chegue. Ninguém tem de esperar aprovação da galera ”grande” que tá aí pra começar/continuar fazendo as coisas não.

Falando em "Acolhimento (Cadafalso)", parece ser uma resposta para alguém/ alguma situação, quer falar sobre ela? Ao fim rolam fogos e choro de criança. Festa e renascimento?

É um posicionamento sobre essa questão do menosprezo, do julgamento prévio que existe por aí... e perfeita essa sua interpretação aí sobre os fogos.

O futuro ao adeus pertence?

Hahaha essa eu nunca tinha ouvido não. Sei lá. De vez em quando a gente tem que obedecer o adeus e deixar umas coisas irem embora mesmo pra seguir em frente, então talvez sim. É tipo isso? Hahaha

Tu se acha um cara criativo?


Uai, acho que sim. Eu gosto de criar coisas a partir de outras coisas sempre, então acho que sim. Cada um tem criatividade pra alguma coisa, duvido muito que alguém não tenha em alguma área. É só não ter preguiça... mas às vezes a gente tem muita né hahaha.

Quais os benefícios e malefícios da gravação caseira?

Os benefícios é que você pode refazer o take quantas vezes quiser, fazer no tempo que quiser… Só tem que ter uma noção pra não ficar forçado. O malefício obviamente é que a qualidade pode não ficar tão boa, não tem isolamento acústico, pra não pegar barulho de freio e buzina na rua tem que fechar as janelas tudo, aí fica aquele calorzão, cê tem que ficar lá suando, só de cueca, pode nem ligar o ventilador.

O que tu quer deixar nesse mundo?

Saudades tá bom, quer dizer que eu vou ter sido um cara bão.

Existe alguma coisa que eu deveria ter perguntado e não perguntei?

Ow, acho que não… tá massa...com certeza é a maior entrevista que já dei na vida, nem lembro mais que que respondi nas primeiras perguntas. Haha


PS: Todas as fotos por Tiago Baccarin.

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