Ouça e baixe 'Diário de Bordo vol.1', a coletânea do selo Pessoa que Voa

por - 11:53



Estamos há duas semanas dando uma letra pra vocês: a Pessoa que Voa vai lançar uma mixtape cheia de single novo. A primeira dica chegou com "Flanar", do Theuzitz, a segunda com "Velvia", do LVCASU e agora chegou o dia de vocês escutarem, em primeira mão, esse resultado que foi chamado de Diário de Bordo Vol.1.

Com 12 faixas e 13 artistas, essa lógica de mixtape nos remete um pouco ao que o funk vem fazendo. Calma, eles não lançam esses compilados - a não ser que eu tenha ficado muito longe dos camelôs de CD - mas todo dia tem um single novo. A indústria mudou, os tempos são outros. Às vezes demorar dois anos pra lançar um álbum com trocentas faixas é um tiro no pé na carreira de um artista, principalmente se ele for novo, independente e com um público pequeno. Hoje tudo é efêmero. Daí a ideia da mixtape, que você pode escutar abaixo, enquanto lê essa entrevista com o pessoal do selo.



A partir de hoje, o Pessoa que Voa entra em uma nova fase, com identidade visual nova. Qual é o impacto disso no selo?

Pelos encontros e a organização que foi acontecendo no selo, o novo logo representa essa nova fase de produção nossa, com uma frequência maior de eventos e conteúdos pra internet também.

Por que a escolha dos singles do Theuzitz e do LVCASU para inaugurar e servir de prévia da mixtape?

Dos integrantes que fundaram o selo, eles eram os únicos que ainda não haviam lançado nada. Os dois escreveram muita coisa o ano inteiro, e muito disso acabou nem vendo a luz do dia... o show do Theuzitz é cheio de material novo, e o LVCASU tem um disco inteiro que ele acabou jogando fora. Então também foi uma forma de mostrar o que eles tão preparando pro ano que vem.

A gente conversou tem um tempo sobre como o pessoal do funk lida muito bem com singles. Lançar uma mixtape repleta deles é um jeito de tentar mudar a lógica do mercado em que vocês estão inseridos? Sempre cheio de EPs e álbuns?

Toda a indústria musical caminha nessa direção. É cada vez mais difícil se manter relevante lançando um disco de doze faixas a cada dois anos. Acho que vai muito também do hábito de quem escuta, a agenda de todo mundo tá apertando cada vez mais a cada dia, é difícil arrumar tempo pra ouvir um disco inteiro de uma vez. Nós lançamos discos bem compactos esse ano, o do Vinicius Mendes tem só oito faixas, o do Marchioretto tem sete, e acho que é um formato que funciona bem, esse limbo entre o EP e o LP. Existe uma crítica sem muito cabimento em relação ao single que é pautada no apelo comercial e somente, quando na verdade o single é só uma chance de acerto, em contraponto ao disco e até o EP que trabalham com mais faixas.

Eu vejo que na mixtape há um humor, mas não é algo forçado. Por exemplo, esse lance de todo mundo criar uma biografia a partir dos dados de outra pessoa. De onde veio essa ideia e por que fazer isso?

A ideia foi do Theuzitz, e todo mundo gostou demais. Acho que esse humor surgiu da nossa convivência e de uma vontade nossa de não se levar muito a sério. Isso acabou envolvendo todo esse projeto de uma forma muito natural.

Os trabalhos do pessoal da Pessoa que Voa foram bem ligados ao rock triste no ano passado. Em 2017 me pareceu que o hype em torno desse título e dos grupos deu uma boa diminuída. Como vocês lidam com isso? De terem as bandas do casting relacionada a esse termo e a essa diminuída no hype?

Essa conexão aconteceu de uma forma bem involuntária. Nós em são paulo já produzíamos algumas coisas de antes e acho que pelo tamanho da cena indie no Brasil e por nós sermos próximos de algumas dessas bandas acho que o nosso nome foi relacionado, mas nós não sentimos nenhum tipo de relação estética direta ao trabalho deles e acho que o quão mais independentes artisticamente nós formos a cultura num geral vence.

Quais são os planos para 2018 ou pra vocês 2017 ainda não acabou e teremos mais coisas do selo ainda esse ano?

Em janeiro organizaremos nosso primeiro festival, o Festival Pessoa que Voa na Funarte, com diversas bandas do selo e a Chico de Barro lá do Rio. Agora começamos a produzir os trabalhos dos artistas que estrearam na mixtape, como o Yanngo, a Afeto e o pelocurto, além dos lançamentos novos de artistas como Santos e LVCASU.

Você também pode gostar

0 comentários