#MelhoresMúsicasDe2017: Kiko Dinucci – 'Uma hora da manhã'


Kiko Dinucci lançou um disco falando de forma caricata de todos os tipos de mazelas da sociedade atual, usando São Paulo e os paulistanos como foco. Falo que o foco é São Paulo, por que todos os causos gritados por Kiko nas canções de Cortes Curtos se passam na maior cidade do Brasil, mas várias das situações poderiam ter acontecido na maioria das capitais do país e várias outras cidades do mundo.

Em “Uma hora da manhã”, Kiko relata um causo acontecido em durante a madrugada em um grande supermercado de uma avenida bastante movimentado da cidade. A faixa começa com uma vinheta zoando o amor do paulistano por pizza e engata numa guitarra frenética acompanhada pelo vocal do Kiko descrevendo um confronto de minorias na fila do mercado. Uma mulher nordestina responde as ofensas a sua terra natal sendo homofóbica com um rapaz pálido e levemente afeminado e acabam se engalfinhando em uma confusão que gerou gritos, tapas e socos durante a madrugada na cidade que não dorme e não esconde sua violência e preconceito cada vez mais banal.

A sonoridade da faixa acompanha o caos da cidade e do causo repassado com bastante informação e clareza. As guitarras entrecortadas, a bateria violenta, parecem guiar tanto os socos e chutes da mulher homofóbica em defesa dos nordestinos, como os gritos do rapaz pálido que parece ter ficado um tanto sem reação com o acontecido.

Kiko Dinucci, como bom observador que é, mostra todas as angustias cotidianas em uma cidade que abriga o mundo em tudo que há de bom e ruim e por isso nunca dorme e nunca para.  Acredito que “uma hora da manhã” é um baita resumo de todas as mazelas da nossa civilização atual, de todo preconceito e violência gratuita a qual somos expostos em todos os momentos nos mais diversos espaços. 

A o horror, às vezes educado, gentil e silencioso, outras escrachado e bastante agressivo. Kiko constrói e repassa com enorme maestria o que vê ao andar nas ruas de São Paulo. Como ele nos disse em entrevista: “É ótimo por que tudo vem de graça”:


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