A Orchestra Binária te deseja feliz ano novo com 'Sol Céu'

por - 12:19

Orchestra Binária por Simone Ramos

Você deve estar na frente do computador agora, com uma puta cara de bunda, só esperando dar a hora de fazer seu rolê. Subir com seus amigos pra algum pico, tomar umas, ficar com a família bem de boa ou torcer para que onde você mora ninguém queime um monte de fogos e você consiga dormir antes da 0h00. A vida é assim, né? Cheia de opções. E aí enquanto você tá pensando, rolando o mouse pra baixo ou encarando seu espertofone, a Orchestra Binária resolve lançar logo neste domingão (31) o single "Sol Céu", que contou com a participação do talento da Cidade de Deus, Arthur Martins e que marca um hiato do grupo, para que os integrantes da banda lancem seus projetos solos em 2018.

Por mais que a galera fique meio receosa em lançar alguma coisa hoje, pelo menos no Brasil, tendo em vista que lá fora reveillon é um dia bem comum, a Orchestra gosta de fazer diferente, conta Rafael Oliveira. "Acho que podemos dizer que a razão mística para isso foi fazer com que esse ano simplesmente termine logo (risos). Sei lá, é um modo de interpretar a coisa. Por outro lado, ainda nessa linha, acredito também que o lançamento de uma música é uma espécie de desfecho de morte. Tem algo nisso tudo que é de uma “experiência de passagem”, como muitas pessoas se referem aos assuntos de vida, morte etc. Eu diria que a música fica contigo sob diversas formas entre momentos que vão do surgimento da composição até seu fechamento na produção, que meio que emulam uma espécie de vida e morte dela para o artista. Depois de “morta” para o artista, claro, ela então começa um novo ciclo de vida até encontrar seu novo fim", explica o músico, que vê uma relação com o fatídico 2017 para a CDD e o novo trampo da banda. "Acho que de duas formas, cara. Uma pela chave da absoluta impotência, pois se o ano não tivesse sido como foi e coisas que aconteceram não tivessem acontecido no bairro, eu suspeito que teríamos fechado esse single bem antes. Agora, por outro lado, as coisas que aconteceram, marcaram o trabalho do single em termos de decisão. Tipo, o fato de termos entregue esse som para nós e ao público no último dia do ano de 2017, acho que é um tipo de testemunho da vontade e da raiva de fazer a parada acontecer".

"O Arthur é uma grande e bela coincidência. Como tal, passamos a sentir que ele é manifestação da própria Providência (risos). Inicialmente, acho que desde 2013, por causa de política, militância, estudos, nos conhecemos frequentando o mesmo coletivo. Posteriormente, descobrimos outra conexão entre nós que é a de compartilharmos a Cidade de Deus, já que ele mora bem pertinho do bairro e da gente. Só então veio a música, acho. Ele estava buscando desenvolver um trabalho próprio, enfrentando mais ou menos o mesmo que a gente e qualquer um. Ele é um artista muito imaginativo e competente. Enfim, depois de conversarmos eu, Helder e Marcio, o chamei para colaborar nesse single e foi um mundo para nós, pois ele nos conduziu de muitos modos em termos musicais e visuais. Na soma da coisa toda, a real é que ele foi um baita ganho para a Orchestra Binária, mas também para a Paracelso Records. O selo encontrou alguém com uma sensibilidade incrível, de forte entusiasmo e grande poder de realização. O que é incrível porque ano de 2018 na Paracelso será agitado, com alguns lançamentos esperados e inesperados (risos), e ele certamente estará envolvido com tudo isso", revela Rafael sobre a participação do menino prodígio da Zona Oeste.

Outro ponto que a gente pode sacar no meio de "Sol Céu" é que definitivamente eles soam mais caóticos do que nunca, diferente do que fizeram no EP#2. A mudança, diz Márcio Silva, guitarrista do grupo, tem total relação com o fato deles não terem amarras durante o processo de composição. "A mudança acontece naturalmente e mecanicamente, quando você está executando algo e não tem grandes amarras norteando seus processos. Mas com relação à Orchestra, e mais especificamente com os processos de execução da Orchestra, nós diríamos que as mudanças são resultados diretos dos meios que temos. Digo, os equipamentos, os instrumentos, as tecnologias que dispomos tornam a ideia de mudança um caminho natural, vide que para realizar algo precisamos adaptar a idéia as nossas possibilidades (que são em parte deficientes) e essas possibilidades tornam certas decisões viáveis apenas de formas adversas. Ou seja, ou mudamos coisas ao longo processo, ou simplesmente não fazemos. E isso também é charmoso, quando você se depara com o resultado final da coisa (risos). Nesse sentido, diríamos que o caos é resultado disso: da adaptação".


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