Jonathan Tadeu reflete sobre as promessas da virada em 'Réveillon (Eu Tive Um Futuro Promissor)'

por - 13:57


foto por Tiago Baccarin

O começo do ano sempre foi uma merda. O Jair Naves já tinha dado a letra lá atrás com "Janeiro Continua Sendo o Pior dos Meses". A ideia de querer construir algo melhor nesse novo ciclo que começa, as promessas na virada, a perspectiva de que tudo vai ser melhor só porque 365 dias se passaram cansam várias mentes, inclusive a de Jonathan Tadeu, que acabou o ano passado com o copo meio vazio e lança nesta quarta-feira (25) "Réveillon (Eu Tive Um Futuro Promissor)", com exclusividade no Altnewspaper.

O single serve como um prenúncio do que as pessoas podem esperar do novo disco de Jonathan: muito menos guitarra e bem mais um processo de composição a partir de colagens feitas pelo Fruity Loops, programa que o músico mineiro ficou destrinchando desde que saiu Filho do Meio. Um outro fator importante: ele fez tudo sozinho em Sapucaí, tirando a mixagem e a masterização que ficaram com o incansável João Carvalho.

Para entender um pouco melhor essa fase do Jonathan, porquê ele trocou o single de lançamento dois dias antes da data oficial, conversei com o músico, que parece ter deixado a guitarra um pouco mais de lado.


Vejo um descontentamento com as promessas de révellion e esse clima de que tudo vai ser melhor.  Por quê?

É uma merda esse clima pra quem termina o ano com o copo meio vazio. Eu sempre fico com a sensação de que não fiz o suficiente, que lá se foi mais um ano perdido, é a maior neurose. E parece que quanto mais velho cê fica, maior é a cobrança pra que você prospere em relação a tudo que é material. Aqueles comerciais com todo mundo feliz, gastando uma nota, a música da Simone perguntando o que você fez durante o ano todo. É um troço bem triste pra quem termina o ano ruim da cabeça ou sem dinheiro pra gastar no shopping. Mas aí a gente vai lá e promete que depois da virada vai ser tudo diferente e tenta não pensar nisso enquanto enche a cara nas festas dos parentes (risos).

Esse som não tem guitarra. Você abandonou mesmo a guitarra depois do Filho do Meio?

Abandonei nada. Acontece que eu realmente pulei de cabeça nessa coisa de produzir no computador. Abre 1 milhão de possibilidades sonoras, tô descobrindo novas formas de compor, aprendendo a produzir o próprio som. Tem sido foda. Mas eu acho que uso muito os sintetizadores  como se fosse uma guitarra. É o instrumento que eu tenho como referência. Acho os sintetizadores em "Réveillon" muito parecidos com guitarras.

Você me disse que os três primeiros meses do mês são bem ruins. Março, especificamente, foi bem bosta. Mas pra você “Janeiro Continua Sendo o Pior dos Meses” e lançar esse som é a prova disso?

Pra mim o pior dia do ano é o primeiro. Todo mundo de ressaca, tentando ficar bem pra trabalhar no dia seguinte, ou pensando em como pagar a proxima fatura do cartão de crédito. Acho que janeiro é o pior mesmo. A gente só sobrevive pro carnaval.

Por que mudar o single do disco? Antes ia sair "Março".

Pois é, seria "Março", uma música que eu considero a mais fácil de bater de primeira nas pessoas que não me conhecem. Mas quando o João me mandou a mix da "Réveillon" eu fiquei muito de cara. Acho que é o tipo de música que todo mundo que já me conhece vai gostar um bocado. Foi um desafio muito grande continuar produzindo no PC, aprendendo tudo sozinho, sem muita referências. Eu tava inseguro demais, com muito receio de não conseguir evoluir e acabar lançando som fraco ou desistindo. Entao é muito importante dividir ela com a galera que tá acompanhando esse progresso.

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